Manoela Petry e Rodrigo Arnhold percorreram 25 mil quilômetros por diversos países, mas em função da pandemia estão trancados em Medellin, aguardando liberação - Crédito: Reprodução/FN

Faz quase um ano que a jornalista Manoela Petry e o técnico em edificações Rodrigo Arnhold, ambos de 26 anos, saíram de Montenegro para uma aventura de Kombi por diversos países da América Latina.

Casados desde 2011, Manoela e Rodrigo decidiram comprar uma Kombi, ano 2002, que foi batizada de Analuz. O veículo foi equipado com frigobar, fogão, sofá, gabinetes, pia e até máquina de lavar e painéis de energia solar. O casal partiu de Montenegro em 10 de maio de 2019, tendo como meta chegar a Cartagena das Índias, na costa caribenha da Colômbia. Em quase um ano percorreram o litoral do Uruguai e da Argentina, cruzando também por Chile, Peru e Equador. E desde 25 de março estão parados numa praça na área central de Medellín, na Colômbia. Em função da pandemia do coronavírus, estão impedidos de deixar a Kombi. E o veículo está proibido de se deslocar. “Está tenso. Foi prorrogada a quarentena geral até 27 de abril”, lamenta Manoela. E mesmo que pudesse deixar Medellín, as fronteiras dos países estão fechadas para tentar impedir a disseminação do coronavírus.

Casal aguarda liberação para poder concluir a viagem e voltar para casa
– Reprodução/FN

As restrições causadas pelo Covid-19 estão deixando o projeto “Com Analuz pelo mundo” viver seu período mais complicado. “Não podemos sair da Kombi”, diz Manoela, dizendo que só é possível sair do veículo para ir ao supermercado, onde o casal faz compras e vai ao banheiro. A situação foi ainda mais tensa nos primeiros dias na cidade colombiana, já que os montenegrinos chegaram a ser hostilizados pela comunidade local. “Em função do pânico pela pandemia, as pessoas tinham medo e nos culpavam por ter trazido o vírus. Nos xingavam, gritavam. Foi complicado. Mas com o tempo se informaram e entenderam que não somos culpados. Hoje a comunidade é parceira, nos ajudando com água e nas principais necessidades, inclusive com relação a cedência de banheiro”, relata a jornalista.

Se muitas pessoas já têm dificuldade de permanecer em casa, imagina ficar trancado numa Kombi, de dois metros por dois metros. E só poder sair em determinados dias. “Agora tem um rodízio de identidade. Em segunda-feira só podem sair pessoas com final da identidade 0, 1 e 2. Na terça-feira 3, 4 e 5. E assim na sequência”, informa Rodrigo. “Isso serve para quem precisa ir ao mercado ou farmácia. E complicou mais para nós, que não temos banheiro na Kombi. E usamos o banheiro do supermercado, perto de onde estamos estacionados. Mas não podemos ir todos os dias. Só dois dias por semana”, completa Manoela.

Rodrigo lembra que o casal está perto do destino final da viagem, que é o caribe colombiano. “Percorremos pouco mais de 25 mil quilômetros. Estamos cerca de 600 quilômetros de Cartagena. E depois devem faltar uns 8 mil quilômetros para voltarmos para Montenegro”, calcula. “Não sabemos ainda nossa rota para voltar para casa. Porém, temos que cruzar por muitas fronteiras até chegar ao Brasil. Por isso vamos ter que esperar ficar tudo tranqüilo e resolvido, sem correr risco de ficar preso em outros países. Entre final de julho e início de agosto esperamos estar de volta. Mas depende de poder iniciar o quanto antes o caminho de volta para casa”, completa Manoela. Enquanto isso o casal vive uma rotina de dormir, cozinhar, ler, jogar e ver filmes no celular, praticar yoga e pular corda na calçada. Não podem se afastar da Kombi com o risco de ser multados. E aguardam a abertura das fronteiras, mantendo contato com a Embaixada Brasileira em Bogotá.

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