Programa na Rádio América destacou a importância das pessoas procurarem ajuda - Reprodução/FN

Os casos de depressão, que podem levar a morte, têm cada vez mais gerado preocupação. Em Montenegro e na região foram registrados alguns casos nos últimos dias que causaram grande repercussão e consternação. O assunto foi tema de um programa na Rádio América, na última quinta-feira, com a participação da psicóloga Jaqueline Porto e de Grazy Britto, esposa de um soldado que morreu no ano passado.

A psicóloga Jaqueline Porto, coordenadora do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), lembra que existem casos de depressão biológica, que é hereditária, inclusive já tendo ocorrido outros casos na família. Tem também a influência dos fatores sociais, como de frustrações, ansiedades e perdas. “Quando as pessoas estão depressivas precisam de ajuda”, disse, ao participar de programa na Rádio América, sobre a importância dos familiares a amigos neste apoio. Conforme Jaqueline, um dos caminhos é procurar o CAPS, que atende pessoas em sofrimento emocional e mental grave, como é o caso da depressão. “Vamos tentar escutar e entender o sofrimento. Dependendo do caso é preciso ficar mais atento”, completa.

Grazy Britto, que perdeu o marido, o soldado Eduardo Pinto, de 34 anos, em julho do ano passado, também participou do programa Redação 1270. Ela diz que fez um tratamento psiquiátrico para superar o luto e lembrou o sofrimento vivido. “A família que fica sofre um sentimento de culpa”, diz. Lembrou ainda da perda recente de um amigo de 29 anos. Jaqueline destaca a necessidade de se falar mais sobre isso, para reduzir o tabu e o preconceito sobre o suicídio. Por isso foi lançado o Setembro Amarelo – uma campanha de prevenção do suicídio, que destaca como tema “Falar é a melhor solução”. “Mas é importante ficar atento o ano inteiro”, alerta. Afinal, é uma questão de saúde pública, que leva muitas pessoas. Segundo Jaqueline, é importante os familiares e amigos observarem se a pessoa começa a mudar muito o seu comportamento, se isolar, ter sentimentos de ansiedade e frustração, desesperança pela vida, deve se procurar ajuda. “Não deve se ter vergonha de procurar ajuda”, alerta. Dependendo do caso, é encaminhado para avaliação e internação. Ressalta a importância do tratamento e de não ficar sozinho. “É importante o apoio da família, saber escutar, dar o atendimento psicológico”, diz.

Os casos de suicídio continuam ocorrendo. Na última sexta-feira teve mais a morte de uma mulher em Montenegro. Também no Caí à morte de um rapaz. Já no sábado uma mulher foi salva pela Brigada Militar, quando se encontrava na beira do rio Caí, ameaçando se jogar na água. “As pessoas precisam de ajuda”, ressalta Jaqueline. “Sozinho ninguém consegue”, completa Grazy. “É um sentimento muito forte de dor e angústia”, completa Grazy, que tem se manifestado nas redes sociais. “Lamentavelmente muitas pessoas têm constrangimento de ter depressão”, cita, em razão do preconceito da sociedade.

Sobre a depressão, é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, podendo levar a morte, ou ser a causa dela, como no caso do suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020, a depressão será a segunda maior causa de morte mundial por doença, ficando apenas atrás de males cardíacos. É preciso entender que a depressão não é apenas uma tristeza passageira, é uma doença. Por isso a necessidade de tratamento, com o auxílio de profissionais especializados que podem inclusive receitar medicamentos. “Hoje em dia está tão difícil de falar dos sentimentos com outras pessoas. Até que ponto estamos ouvindo e sendo tolerantes?”, questionou Grazy. “Necessariamente não precisa ser um profissional para ouvir”, completa Jaqueline. “Em muitos casos a família também precisa de tratamento e por isso procura o CAPS”, cita Jaqueline.

O contato com o CAPS, em Montenegro, é pelo telefone 3632 5317. Existe inclusive um telefone, de ligação gratuita, através do 188, do Centro de Valorização da Vida, que auxilia na prevenção do suicídio e dá atenção a pessoas que sofrem de ansiedade e depressão.

1 COMENTÁRIO

  1. Enquanto houver inimigos ocultos, familiares narcisistas, psicofobia geral e iatrogenia na área de saúde mental, haverá muitos casos de suicídio. Têm coisas que a gente só fala pra quem o coração sabe escutar, e é sorte de quem encontra este alguém, sem cobranças, críticas e julgamentos. O Outubro Rosa, o Novembro Azul e o Dezembro Vermelho tem destaque nos Postos de Saúde, mas curiosamente, o Setembro Amarelo não, sabendo-se que é um problema de saúde pública. Posvenção ao suicídio tem de ser bem analisado para que pais narcisistas não saiam dos consultórios mais narcisistas ainda.

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