Produtores reclamaram das precárias condições das estradas do interior de Montenegro - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Quem se dirigiu até a propriedade da família Kauer, na localidade de Santos Reis, no interior de Montenegro, durante a tarde desta sexta-feira, dia 24, notou que na edição deste ano da abertura estadual da safra de citros, tinha algo diferente. Era para ser a comemoração da 20ª edição de uma boa safra. Mas o que mais chamou a atenção foi um grande protesto dos produtores.

Obra da Transcitrus também foi reivindicada
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Logo no começo a estrada de chão batido, ainda em Campo do Meio, em meio ao início da buraqueira, uma grande faixa, num caminhão, questionava: “Cadê a Transcitrus?”. Passando a vila de Santos Reis, na estrada em direção a Vapor Velho, a buraqueira era maior ainda, mesmo que a Prefeitura tenha colocado brita. Pouco antes de chegar ao local do evento, se formou uma grande fila de tratores e caminhões. E várias faixas de protesto citando o abandono e as péssimas condições das estradas, além da falta de CFO – o certificado fitossanitário de origem necessário para o transporte das frutas . Os manifestantes se concentraram sob uma pequena lona, em meio ao barro e os buracos.

Produtores se concentraram na beira da estrada, sob chuva, para pedir melhores estradas
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

O evento não teve a participação de nenhum representante do Governo do Estado. Mas estavam deputado, presidentes da Emater e da Ceasa, prefeitos de Montenegro, Harmonia e Pareci Novo, vereadores, secretários municipais e principalmente citricultores. O presidente da Emater, Geraldo Sandri, destacou a importância da citricultura para o Estado, com produção de 450 mil toneladas, sendo 171 mil no Vale do Caí, de onde sai 40% das bergamotas do Rio Grande do Sul. E lembrou o apoio da Emater aos produtores, tanto no pomar como nas agroindústrias. E na propriedade da família Kauer tem a agroindústria Doces Vapor Velho, conhecida pela produção de geléias como de bergamota e laranja.

Mesmo com a chuva, a abertura da safra de citros teve uma grande participação
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Já o presidente da Ceasa, Ailton dos Santos Machado, destacou que a bergamota de Montenegro e do Vale do Caí é uma das principais frutas comercializadas na Ceasa. O deputado estadual Elton Weber diz que elaborou um projeto de lei para que Montenegro seja reconhecido como berço da Bergamota Montenegrina, o qual deve ser votado no próximo mês. E entendeu como sendo justa a reivindicação dos agricultores por melhores estradas. “Me coloco a disposição para ajudar no que for possível”, disse.

Família Kauer recebeu o evento na propriedade em Santos Reis
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Charles Kauer, representando a família que recebeu a abertura da safra, salientou a importância dos produtores se unirem também para melhorar o preço das frutas para os citricultores. Citou os 4 reais pagos pela bergamotinha verde e 10 reais para a caixa da bergamota Caí. O secretário municipal de desenvolvimento rural, Ari Müller, concordou que os produtores têm o direito de se unir e reivindicar. Prometeu que, através de convênio com o Consórcio Intermunicipal (CIS-Caí), o município deverá passar a emitir o CFO a partir do próximo ano.

Leandro Zweibrucker falou em nome dos produtores que estavam protestando
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Em nome dos agricultores, que estavam protestando, foi dada a palavra para o produtor Leandro. Ele reforçou o pedido por CFO, que vem sendo prometido faz mais de 20 anos, além de mais apoio técnico aos agricultores, hora máquina e principalmente melhores estradas. Convidou as autoridades para passarem pela estrada de Vapor Velho em direção a Linha Catarina e Costa da Serra, que estaria em condições ainda piores. Foi bastante aplaudido pelos demais produtores. “As estradas estão imprestáveis”, criticou.

Autoridades destacaram o trabalho dos agricultores e a boa safra de citros deste ano
– Guilherme Baptista/FN

O prefeito Kadu Müller disse que, mesmo sendo um momento festivo, entendia e respeitava a reivindicação dos produtores. “É um momento de confraternização, mas respeitamos o movimento, pois a produção passa pelas estradas. O município vem de um esquecimento, em que pouco material foi colocado, e está aí o resultado. Infelizmente o desgaste de muitos anos tem que ser recuperado agora. Vamos trabalhar para recuperar”, declarou. Projeta que em 60 dias, com mais máquinas e materiais disponíveis, as estradas deverão estar em melhores condições, mas torce também pela melhoria do tempo. Sobre a Transcitrus, disse que um trecho de asfaltamento está em licitação, com a obra devendo ser iniciada no próximo mês. E quanto ao CFO lamenta a burocracia da legislação. “Estamos que ainda neste ano tenha resultado”, declarou. Comemorou a grande produção de citros e a qualidade das frutas.

Após os pronunciamentos, ocorreu a abertura oficial da safra no pomar e depois foi servido um coquetel, com doces derivados da bergamota, pelos Grupos Organizados do Lar (GOLs).

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