Desde outubro do ano passado, quando obra no asfalto foi interrompida, o trecho de Costa da Serra ficou em péssimo estado - Guilherme Baptista/FN

É grande a indignação dos moradores da localidade de Costa da Serra e dos usuários da RS 411. “Está horrível. Muito pior do que antes. Então deviam ter deixado como estava antes”, reclama a comerciante Magali Soares. Na frente do mercado onde trabalha, próximo do acesso ao Balneário La Toma, ela mostra os buracos que fazem os motoristas trafegarem na contramão. “O risco de acidentes é muito grande. Passam em alta velocidade, inclusive os caminhões. É mais perigoso para quem está a pé ou de bicicleta”, completa. “Todo mundo está bravo. Nos abandonaram e não fazem nada”, diz.

Motoristas trafegam na contramão para desviar dos buracos, o que aumenta o perigo de acidentes
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Após muitas reivindicações, em razão dos buracos e ondulações, em outubro do ano passado, pouco antes das eleições, o Daer iniciou a obra nos pontos mais críticos do trecho de Montenegro. Na parte de Brochier e Maratá já tinha sido feito uma recuperação. Só que logo depois das eleições a obra parou na Costa da Serra. E não foi concluída. Retiraram partes do asfalto, em vários locais, e deixaram só com brita. Com o trânsito intenso virou uma buraqueira e com degraus. Com freqüência veículos têm problemas de rodas e pneus, além de na suspensão. Por isso muitos motoristas desviam pela contramão, aumentando o risco de acidentes. Os moradores também reclamam da poeira, principalmente agora no verão.

Buracos furam pneus e causam danos nos veículos
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Segundo Magali, de vez em quando aparece uma equipe de Daer que puxa a brita das margens da rodovia para tapar os buracos. “Disseram que só vão retomar as obras em março”, conta. “Agora é só poeira e buraco”, cita, ressaltando os protestos nas redes sociais. Prefeitos, vereadores e demais lideranças de Brochier, Maratá e Montenegro, já encaminharam pedido de providências ao Daer, mas até agora nada foi feito. “Está uma porcaria. Não tem como passar. Estragaram a nossa faixa e não vieram arrumar mais”, protesta o morador Agenor da Silva da Rosa. “Virou uma buraqueira”, completa.

Para quem mora na frente dos trechos mais críticos a situação é ainda pior. “É muita poeira. Suja tudo dentro de casa”, reclama Senira Peiter. Ela conta que de noite se assusta com as freadas dos veículos, principalmente de motoristas que não conhecem a situação, já que falta também sinalização. “É muita gente com pneu furado”, diz. “Uma motociclista caiu num buraco e quase foi parar na frente de um carro”, lembra. “As pessoas são atingidas por britas que voam dos carros. É bastante preocupante”, afirma.

Para o ex-vereador Dorivaldo da Silva, o “Dorinho”, morador da localidade de Bom Jardim e que passa diariamente pela RS 411, existe o grande risco de uma tragédia. “É um desrespeito. Foram embora sem dar satisfação e ninguém sabe o que fazer. Ficou o caos, uma vergonha”, reclama. Dorinho defende a realização de um protesto pacífico, com os moradores e motoristas fechando a rodovia, até que se tomem providências.

Buracos também aumentaram em outros pontos da rodovia
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O morador João Vilso Cruz chegou a postar no facebook alguns vídeos para alertar e pedir providências sobre a grave situação. “Impressionante a quantidade de buracos e os desníveis no asfalto”, diz. Entre os trechos mais críticos estão perto das duas igrejas, da escola, do curtume e da madeireira. Em alguns pontos virou estrada de chão. Motoristas encontram dificuldade em trafegar, chegando a praticamente parar devido à buraqueira. E ao longo da rodovia também já se formaram outros buracos grandes, que podem causar danos nos veículos e até acidentes.

Resposta do Daer

Desde novembro do ano passado a reportagem aguarda resposta do Daer através de sua assessoria de imprensa. Ontem pela manhã, terça-feira, o Daer encaminhou uma manifestação. “A obra foi iniciada com o contrato de serviços de conserva rotineira da 11ª Superintendência Regional do Daer, de Lajeado. Por conta da falta de recursos para aquisição de material asfáltico (CAP) os serviços foram suspensos. Aguardamos a liberação de verbas por parte da Secretaria da Fazenda para que a obra seja retomada. Equipes da 11ª Superintendência Regional tem trabalhado no local com a aplicação de base de brita graduada para melhorar as condições de trafegabilidade, porém, somente com o material asfáltico disponível será possível concluir os serviços”. (GSB)

Foto: whats RS 411 carros contramão – Motoristas desviam para a contramão para escapar dos buracos, o que pode causar acidentes

Guilherme Baptista/FN

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