Até a porta do banheiro foi arrancada e furtada no Balneário Municipal de Montenegro - Crédito: Guilherme Baptista/FN

O título da reportagem poderia ser o mesmo de um ano atrás: “Baixio está sendo abandonado e sendo depredado”. Mas o cenário é ainda pior do que o registrado pelo Fato Novo no final de novembro de 2018.

Estrada está tomada pelo mato e no último domingo ainda estava alagada
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Um ano depois, a reportagem voltou ao Balneário Municipal Afonso Kunrath, o chamado “Baixio”. E a situação está ainda pior. Como a ponte de acesso está interditada desde setembro do ano passado, quando cedeu, impedindo a passagem de veículos, a reportagem fez o seu deslocamento de bicicleta. Perto da ponte, vários pescadores. Já a estrada de acesso ao Balneário virou uma trilha tomada pelo mato e buracos. Num determinado ponto, já perto do Baixio, estava totalmente alagada.

No domingo passado, dia 24, estava bastante calor. Em anos atrás certamente o Balneário estava lotado de pessoas, tomando banho no rio Caí, jogando, acampadas, aproveitando a sombra nos bancos, quiosques, restaurante e churrasqueiras. Assim o Baixio funcionou por muitos anos, sendo um dos principais pontos de lazer e entretenimento da comunidade. Mas deixou de ser o cartão-postal de Montenegro. Muito pelo contrário. O cenário é desolador.

Até a santinha de Nossa Senhora dos Navegantes foi quebrada
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Parece ironia, mas na parede dos banheiros está escrito “Mantenha Limpo”. Só que virou uma imundice. Nem tem como entrar. Tudo quebrado e saqueado, além do cheiro horrível. Também na parede está escrito “Mantenha a porta fechada”. Mas uma das portas de ferro do banheiro foi furtada, quebrando a parede de tijolos. Ao lado, o restaurante também com vidros todos quebrados, além de muita sujeira e destruição. Até mesmo a santinha de Nossa Senhora dos Navegantes, que estava numa gruta em frente ao restaurante, foi quebrada e ficou sem cabeça. Bancos e churrasqueiras também foram destruídos. Na guarita dos guarda-vidas, junto ao rio, além de quebrar, chegaram a colocar fogo.

Cavalos aproveitavam a sombra do pouco que restou do prédio do restaurante
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Quando a reportagem esteve no local, por volta de 16h de domingo passado, não havia ninguém. Mesmo assim, dois cavalos aproveitavam a sombra junto ao restaurante. Dois quiosques, com churrasqueiras, construídos pelo ecônomo, ainda estão de pé. Os vestiários, junto ao campo de futebol, estão em situação precária. No camping não existe mais nada. E o mato tomou conta de tudo.

 

 

Guarita dos guarda-vidas foi quebrada e queimada
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Como o Balneário foi interditado e não tem mais ecônomo, a luz e a água também foram cortados. Uma placa, logo na entrada, próximo ao pórtico, alerta que a qualidade da água é imprópria para o banho.

Nestas condições, faltando três semanas para o início do verão, o certo é que a comunidade de Montenegro e da região ficará mais um ano sem o Baixio.

 

Pai e casal de filhos foram de bicicleta até o Balneário: “é lamentável ver tudo isso demolido”
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

“Venho algumas vezes pedalar com as crianças aqui. Mas o quadro é de abandono total e desprezo pelo lugar. É lamentável ver tudo isso demolido”, afirma Rodrigo Kochemborger, que chegou ao Baixio também de bicicleta, acompanhado pelos filhos Felipe, de 10 anos, e Joana, de 6. “Tinha toda uma infraestrutura que foi completamente destruída. Agora vão gastar uma fortuna para colocar em ordem”, completa Rodrigo, que se lembra de quando o Balneário ficava lotado de famílias acampando, fazendo churrasco e tomando banho. “Era o espaço de lazer da comunidade. Agora tá desse jeito. Gostaria de estar aqui brincando com meus filhos como a gente fazia antigamente. Mas não é mais possível”, lamenta Rodrigo.

Revitalização do Balneário

Conforme a Prefeitura, existe um projeto para o Balneário. “Estamos analisando algumas possibilidades, como abrir chamamento público novamente para termos novo ecônomo com o intuito de zelar e administrar aquele espaço público”, afirma o Diretor de Turismo, Matias Ohlweiler de Lima. Entretanto, ele lembra as dificuldades causadas pelas enchentes, o que dificulta atividades econômicas e esportivas. Mesmo assim diz que o desejo é realizar um belo projeto para o Balneário, tanto estrutural como turístico. “Temos um projeto de revitalização, com a previsão de algumas benfeitorias como reforma de churrasqueiras, melhorias na quadra esportiva, reforma estrutural do prédio. Entretanto o custo para execução integral deste projeto é significativamente alto”, declara.

Quiosques com churrasqueiras foram construídos pelo último ecônomo
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Quanto a balneabilidade, Matias ressalta que ainda está aconselhado para o não uso da água, tendo em vista o último laudo técnico, reprovando a qualidade da água do rio Caí. “A nascente é em São Francisco de Paula e desce por diversas cidades, sendo Montenegro uma das últimas cidades banhadas pelo rio”, completa, sobre a poluição. “Para melhor segurança da comunidade, entendemos que até estar de acordo com os índices aceitáveis com o órgão competente e licenciáveis, seguimos a linha de melhor adequar a estrutura para que após a balneabilidade seja liberada. Aí a comunidade poderá usufruir da melhor maneira, com a ponte de acesso restabelecida, o imóvel em condições de entrega e o espaço com segurança”, completa o diretor de turismo.

Sobre a balneabilidade

Placa avisa que qualidade da água do rio está imprópria para banho
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Quanto a balneabilidade, o secretário municipal de meio ambiente, Adriano Chagas, disse que existe uma determinação do Ministério Público de interrupção da utilização do balneário devido a uma análise química do parâmetro de coliformes totais em um único ponto de amostragem. “Foi uma análise simples. Como depois desta análise não foi realizada mais nenhum monitoramento, seria mais qualitativo que fosse feita uma amostragem composta em vários pontos do rio para determinar com mais precisão os pontos de risco e uma provável identificação do local de contaminação para tratar de corrigir este desvio. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente está confeccionando um plano de monitoramento com amostragem periódica em cinco pontos no rio Caí a cada trimestre. Estamos concluindo o plano e vamos tentar levantar fundos através do Fundema para angariar as despesas de coleta e os custos das análises químicas. No plano, estamos tentando a aquisição de um barco motorizado, que além de ser usado nas coletas, poderá ser usado também para monitoramento da orla do rio e acompanhamento da mata ciliar e das cheias do rio”, destaca o secretário de meio ambiente.

Nova ponte 

Ponte de acesso cedeu e está interditada desde setembro do ano passado
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Em relação à ponte de acesso ao Balneário, o engenheiro da Secretaria Municipal de Gestão e Planejamento, Daniel Vargas, informou que será executada uma obra de restabelecimento do acesso. Ele cita que foi aberto um processo licitatório para contratação de empresa para executar a obra. Já foi definida a empresa vencedora e em 17 de outubro o prefeito Kadu Müller assinou o contrato para a obra. A ordem de início também já foi emitida e a previsão da Prefeitura era de que os trabalhos iniciassem ainda nesta última semana.

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