Reunião ocorreu na Câmara de Montenegro e próximo encontro deve ser em Porto Alegre - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Um grupo de moradores do bairro Centenário participou de reunião na Câmara de Vereadores de Montenegro na tarde da última quarta-feira, dia 30 de outubro. Os moradores entregaram aos vereadores Juarez Silva e Felipe Kin, proponentes do encontro, um abaixo-assinado com cerca de 200 assinaturas, pedindo solução sobre o assentamento dos índios Kaingang numa área próximo ao parque Centenário. Para os moradores, vizinhos do acampamento, o local não é apropriado. “Não temos nada contra os índios, mas entendo que o local onde se instalaram não é adequado para o acampamento”, declarou uma moradora, que aproveitou para questionar a Prefeitura sobre as obras da creche, que fica ao lado e estão abandonadas. “Não existe condições ali”, completou outro morador, sobre as condições de sanidade e higiene.

João Santos, representante da União Montenegrina de Associações Comunitárias (UMAC), lembrou que a área no bairro Centenário deveria ser utilizada para assentamento, mas de famílias montenegrinas que aguardam por terreno para construir.

Além dos moradores e da UMAC, participaram do encontro representantes da Prefeitura e dos índios. “Não somos invasores”, declarou o vice-cacique Darci Rodrigues. “Vários municípios estão recebendo comunidades indígenas”, completou, explicando que levou documento ao Estado pedindo a regularização. “Nós indígenas somos rejeitados. É mais um ato de discriminação”, entende. Mas disse que, se tiver outro local com estrutura, o acampamento poderá ir para outro local.

O secretário municipal de habitação, Marcelino da Rosa, esclareceu que o atual local dos índios não foi indicado pela Prefeitura. Ele lembra que foram ofertadas outras áreas, como no bairro Panorama, onde era para ser um loteamento e que pertence ao município, mas não houve interesse dos indígenas. E aí foram identificadas áreas do Estado, entre elas a do bairro Centenário, perto da Escola Estadual AJ Renner, que acabou sendo a escolhida pelos índios. “Foi uma decisão deles”, afirma Marcelino.

Já o secretário municipal de meio ambiente, Adriano Chagas, falou sobre o impacto ambiental no local. Segundo ele, existe naquela área um descarte irregular de lixo, mas ressalta que a maior parte dos entulhos ali deixados não foi pelos índios. “Será feita uma limpeza do local”, garante. A chefe da Vigilância Sanitária, Silvana Schons, lamentou que o acampamento se instalou num local sem ter a estrutura necessária, citando por exemplo módulos sanitários (banheiros), além de água potável, o que gera muita preocupação.

Juarez e Felipe citaram que uma nova reunião, com os encaminhamentos e a entrega do abaixo-assinado, será marcada em Porto Alegre, com representantes do Governo do Estado, que o proprietário da área, e da Funai, que represente os índios. No encontro será buscada uma solução para a situação.

A ocupação

Índios Kaingangs estão com acampamento em área do Estado, próximo ao Parque Centenário
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

No final do ano passado e início de 2019 começaram a se instalar em Montenegro índios da tribo Kaingang. Vindo de reservas de Carazinho e Redentora, na região norte do Estado, gostaram da cidade onde passaram a vender seu artesanato feito principalmente a base de cipó trançado, encontrado em matas do município. A justificativa para trocar de região foi à busca de novos mercados, já que estava muito difícil comercializar o artesanato indígena e arrumar serviço no norte gaúcho.

Inicialmente montaram acampamento na margem da RSC 287, próximo ao posto Ipiranga, na altura do bairro Santo Antônio. Mas o local era uma área particular, com alagamento e aonde se formou uma grande cratera, colocando em risco principalmente a vida das crianças. Iniciou então a busca por outro local para a aldeia. A alternativa foi então a área do Estado, no bairro Centenário. O local é a área de um antigo campo de futebol, na esquina das ruas Vereador João Vicente e Simões Lopes Neto, entre a Escola Estadual AJ Renner (Industrial) e a nova creche em construção perto do Parque Centenário. No local costumava ter acampamentos de ciganos, além de circo.

Os índios gostaram do novo local, onde já informaram que pretendem ficar em definitivo. Já foram feitas instalações de água e luz. Também foi colocado um contêiner para recolher o lixo. A Prefeitura fez a doação de duas fossas que serão utilizadas na construção de banheiros. Inclusive mais famílias também montaram barracas. Os índios citam que deve ser construída uma escola de educação indígena, para as crianças da tribo. Uma igreja evangélica foi erguida junto à tribo e a comunidade tem auxiliado com doações.

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