Em 2018 o município pagou 53 cirurgias de catarata para pacientes como Maria Reny Mayrer, que que voltaram a enxergar Crédito: Simone Ludwig/Prefeitura

Muitos felizenses, que estavam impossibilitados de ver parentes, amigos e paisagens bonitas que estão bem na sua frente, em virtude da catarata, tiveram a felicidade de voltar a enxergar. Só nesse ano, 53 felizenses recuperaram a visão graças a uma cirurgia que custa em torno de R$ 5 mil para ser realizada particular, mas que a Administração Municipal ofertou de forma gratuita.

Algumas pessoas esperam por mais de quatro anos na fila de espera do SUS para realizar o procedimento e como a demanda não para de crescer, só no ano de 2018 a Administração contratou 53 cirurgias, o que representa um investimento de R$ 72.576,00 de recursos próprios. Todos os procedimentos foram realizados no Hospital Schlatter, pelo oftalmologista Nicholas Zucchetto.

A catarata é curada com pequenas lentes de plástico inseridas no olho do paciente e que focalizam a luz adequadamente. Contudo, muitas pessoas não têm condições de arcar com as despesas médicas e acabam dependendo o SUS, que tem uma cota anual, por município, muito pequena. “Temos uma grande demanda para esse tipo de procedimento. Somente no ano de 2018, 72 pessoas realizaram a cirurgia, sendo somente 6 através da cota no local de referência, 14 através de um mutirão excepcional pelo SUS em Farroupilha e 53 através da aquisição pelo município”, explica o secretário de Saúde, Fábio Krindges.  “Ou seja, caso não houvesse esse investimento por parte do município, 53 pessoas estariam aguardando a realização do procedimento, sendo que o prazo médio para a realização de todas elas, seria de mais de 4 anos”, acrescenta.

A Administração Municipal investe na compra de cirurgias de catarata desde 2014.  No ano passado, por exemplo, foram investidos aproximadamente R$ 25 mil de recursos próprios para suprir a demanda mais urgente e foram contemplados 28 felizenses. “Consideramos esse investimento de imensa importância para a promoção da saúde e qualidade de vida dessas pessoas. Temos uma grande demanda para a realização desse procedimento, em contraponto, com uma pequena cota oferecida pelo SUS”, afirma os diretores do Hospital, Jaime Porto e Jacqueline Konps. “Assim, anualmente realizamos esse investimento a fim de reduzir o tempo de espera desses pacientes para a realização do procedimento”, revela o prefeito Albano Kunrath.

 

Para entrar na fila 

A principal porta de entrada para todos os encaminhamentos do SUS é a equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Assim, o paciente deve procurar atendimento junto à Unidade Básica de Saúde/ESF e sendo constatada a necessidade do atendimento oftalmológico, o próprio médico da ESF indicará o encaminhamento. Após a consulta com o oftalmologista, os exames e a reavaliação, que poderá ser confirmada a necessidade de realização do procedimento cirúrgico, a partir disso o paciente aguardará em lista de espera, conforme avaliação dos profissionais médicos, para a realização da cirurgia.

‘Nossa referência definida pelo SUS para a realização do procedimento é o município de Farroupilha, onde podemos encaminhar até 26 novas consultas por mês e 12 cirurgias de catarata por ano”, explica o secretário.

 

A felicidade de quem voltou a enxergar

A cirurgia de catarata não só permite que a pessoa tenha uma qualidade melhor como também uma vida mais proveitosa.  Muito emocionada e com os olhos cheios d’água, a moradora do Arroio Feliz, Valesca Facioli, de 74 anos, conta que ficou totalmente cega durante um mês, devido a problemas em um olho, enquanto o esquerdo estava tomado por catarata. “Fiz uma cirurgia de catarata há 10 anos e justamente esse ano a lente deu problema e como no outro olho eu tinha uma catarata muito avançada, fiquei sem enxergar por um mês”, relata. “Fiz a cirurgia no dia 1º de dezembro e agora consigo enxergar maravilhosamente bem”, conta. Fui muito bem atendida, aliás, no dia que eu fiz tinham mais 29 pessoas fazendo o mesmo procedimento e todos nós recebemos o mesmo tratamento. Foi um capricho de atendimento”, faz questão de destacar Valesca. “Nós vamos até Farroupilha, voltamos para Feliz e já estão nos esperando com outro exame encaminhado. Aí mandam para o laboratório, que já se encarrega de entregar no posto. Foi maravilhoso”, relata.

Valesca conta que existe toda uma preocupação com o antes, durante a depois do procedimento. Todos os pacientes recebem orientações dos procedimentos, tanto antes, como depois da cirurgia. Ela ficou com o curativo durante um dia e quando tirou teve uma belíssima surpresa. “Depois já consegui abrir o olho e passei a enxergar tudo bem colorido e isso que estou com cinco pontos. Você imagina como é ganhar uma nova vida? Depender completamente de um copo d’água e da ajuda de uma outra pessoa, não é vida”, afirma. “Isso serve de alerta para quem tem problema. Buscar recurso antes.  Eu demorei demais, mas não tinha condições financeiras. Se não fosse pela Administração Municipal e toda equipe da saúde, nem sei o que seria de mim. Vou agradecer eternamente. Só tenho elogios para esses heróis”, complementa chorando de emoção.

João Carlos Müller, de 67 anos, do Arroio Feliz, também passou pelo procedimento. Essa foi a segunda vez que ele foi beneficiado. “Em novembro do ano passado eu fiz a cirurgia de catarata em Farroupilha através do município e agora, no dia 3 de dezembro, no Hospital, fez o olho esquerdo.  “A minha visão estava embasada, porque a catarata estava muito avançada. E problema de catarata os óculos não resolvem”, conta. “Agora estou enxergando limpo e claro. Se fosse ter que fazer particular, só se fizesse empréstimo, mas não teria condições. A equipe toda foi muito atenciosa”, afirma.

 Todos os pacientes agradecem muito a oportunidade. Esse é o caso de Maria  Reny Mayrer, de 84 anos, de Picada Cará. “Esperei um bom tempo para fazer e era muito ruim não conseguir enxergar. Só tenho a agradecer por tudo”, afirma. “Agora vou conseguir enxergar tudo mais clarinho”, acrescenta Otávio Arend, de 73 anos. GSB)

 Fotos: DSC_8566 e DSC_8619 – Em 2018 o município pagou 53 cirurgias de catarata para pacientes como Maria Reny Mayrer, que que voltaram a enxergar

Crédito: Simone Ludwig/Prefeitura

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