Bom Princípio tem a única UPA do Vale do Caí, mas enfrenta dificuldades para poder manter o atendimento médico 24 horas - Arquivo/FN

Bom Princípio tem a única Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Vale do Caí. Além de Bom Princípio, a UPA oferece atendimento médico 24 horas para municípios próximos, como Tupandi e São Vendelino. Só que isso tem um custo alto, que depende de repasses do Estado, que estão bem atrasados. E com isso a Prefeitura de Bom Princípio é que tem que assumir despesas com recursos que poderiam ser investidos em outras melhorias em benefício da população.

O atraso nos repasses do Estado com a saúde, em Bom Princípio, chega ao total de R$ 3,2 milhões. Destes, a maior parte se refere a UPA, com R$ 2,3 milhões. “Esperemos pelo pagamento dos recursos que nos são devidos de modo que possamos, também, respirar financeiramente. Hoje, para manter a saúde, estamos retirando recursos de outras secretarias, reduzindo obras e investimentos”, destacou o secretário da Fazenda, Tiago Backes. Segundo ele os recursos devidos pelo Estado estão em um crescente considerável nos últimos cinco anos. A dívida referente a 2014 é de R$ 614 mil. Em 2015, quase foi quitada, ficando em R$ 55 mil. Em 2016, a dívida voltou a crescer, chegando a R$ 731 mil. Em 2016, oscilou negativamente, estando a pendência em R$ 604 mil. Em 2017 os números cresceram consideravelmente, batendo R$ 1,2 milhões. Mas, em 2018, a situação ficou muito crítica, pois hoje a pendência do Estado com o Município é de R$ 3.222.698,16 (atualizada em 4 de dezembro).

Mesmo com os atrasos do Estado, a Prefeitura está mantendo os repasses com o hospital em dia
– Arquivo/FN

Além dos R$ 2,3 de atraso com a UPA, a dívida com a saúde de Bom Princípio também se refere aos repasses para o hospital e programas como Farmácia, Saúde da Família, Primeira Infância Melhor (PIM) e Samu. Para que se tenha noção da gravidade dos fatos, em novembro o município deveria ter recebido cerca de R$ 200 mil do Estado quanto à saúde, tendo entrado em caixa R$ 1,5 mil, portanto, apenas 1% do que era esperado. E assim a dívida vai aumentando. “Para nós é muito difícil a situação. Sabemos que o Estado está em crise, mas também não pode inviabilizar os municípios. Mas, para nós as pessoas estão em primeiro lugar, assim, não queremos fazer cortes na saúde ou restringir o atendimento. Esperamos que o Estado, no final do ano, pague, ao menos, parte do que está em aberto”, comentou o prefeito Fábio Persch, deixando evidente que a prefeitura vai espichar a corda até onde der, para não interromper atendimentos na saúde.

Comparando orçamentos das prefeituras e as dívidas do Estado na área da Saúde, Bom Princípio tem, proporcionalmente, muito mais a receber do que cidades bem maiores como Montenegro, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Mesmo com as dificuldades e os atrasos do Governo, conforme informações da secretaria da Fazenda do Município, a prefeitura de Bom Princípio está em dia com os repasses para o Hospital São Pedro Canísio, atendendo o seu compromisso com a entidade que é tão importante em contexto local.

Deixe seu comentário