Em 1900 foi criado em Bom Princípio o primeiro colégio de Irmãos Maristas no sul do Brasil Foto: Castor Becker Júnior

Em Bom Princípio, ao contrário do que aconteceu em São Vendelino, na Feliz, em São José do Hortêncio, Caí e Linha Nova, só vieram – inicialmente – colonos que professavam a fé católica. O próprio Guilherme Winter, mesmo que com isto estivesse limitando as suas possibilidades de vendas, respeitou normas de colonização que impunham a homogeneidade religiosa nas colônias e vendeu seus lotes apenas para famílias católicas.

No início do século XX Bom Princípio se constituía numa das mais prósperas colônias do estado, destacando-se tanto pelo vigor da sua economia quanto pela religiosidade do seu povo. Tanto que no ano de 1900 foi criado na localidade o primeiro colégio de Irmãos Maristas no sul do Brasil. E poucos anos depois surgia o colégio para meninas comandado pelas Irmãs de Santa Catarina. Com isto, o nível de educação atingido pela comunidade principiense no início do século XX foi extraordinário. Isto trouxe reflexos positivos para o desenvolvimento cultural e econômico da localidade que podem ser sentidos até hoje. Apesar de que, em virtude da dificuldade dos meios de transporte, houve uma certa marginalização econômica de Bom Princípio até a abertura da RS-122. O que aconteceu somente nas década de 60 e 70 do século XX.

Só a partir daí o município voltou a ter prosperidade econômica, o que se consolidou com a emancipação ocorrida em 1982. Antes disto Bom Princípio foi, por muitas décadas, um grande exportador de mão de obra escolarizada. Filhos do atual município hoje estão espalhados por todo o país atuando com destaque nas mais diversas áreas de atividade. Mas muito especialmente na sacerdotal e religiosa.

A extraordinária riqueza da região colonial de Bom Princípio se deveu a vários fatores, como a fertilidade da terra recém desmatada, a proximidade com Porto Alegre e a disponibilidade do rio Caí como meio de comunicação eficiente (para os padrões da época) com a capital e os portos exportadores do estado. Mas foi fundamental para o destaque que os produtores rurais de Bom Princípio tiveram nesta época o fato de que eles tinham acesso a tecnologia de primeiro mundo. Isto acontecia porque os imigrantes alemães que vieram para o Rio Grande do Sul pelas décadas de 1850 a 1870 foram dirigidos principalmente para o Vale do Caí, que era então uma nova zona de colonização (ou uma nova fronteira agrícola). Além de técnicas de cultivo do solo superiores às geralmente disponíveis no Brasil, os imigrantes tinham noções mais avançadas de técnica comercial, financeira e industrial. Diversas indústrias se estabeleceram por esta época em Bom Princípio (alambiques, cervejarias e olarias, por exemplo) e importantes casas comerciais também funcionaram nesta época, como a Casa Selbach (inicialmente no Passo Selbach e depois em Santa Terezinha) e a Casa Wiltgen (na Bela Vista) entre outras. E havia, também, estabelecimentos bancários. Tinha Bom Princípio, portanto, toda uma estrutura de produção montada dentro dos moldes importados da Alemanha que era, já na época, um dos países mais desenvolvidos do planeta.

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