Jacó Felipe Selbach possuía uma lancha que permitia a navegação em locais de baixa profundidade e com pequenas cachoeiras Reprodução/Internet

João Guilherme Winter foi um pioneiro, um desbravador, e teve grande mérito na atração de colonos para a região do Vale do Caí. Mas não foi o único grande empreededor na história inicial de Bom Princípio. Nome igualmente destacado foi o do comerciante Jacó Felipe Selbach. Nascido na Alemanha, ele veio para o Brasil quando completava seus sete anos de idade. Isto ocorreu em 1829, e ele chegou acompanhado do seu pai, João Pedro Selbach (que era viúvo de Ágata Clemens) e de três irmãos: João, com 14 anos; José, com nove e Pedro, com seis. O irmão mais velho morreu na Revolução Farroupilha, em 1840.

No mesmo navio (o Olbers), veio o imigrante Pedro Prinz, que tinha origem nobre, era descendente do Grão Duque de Luxemburgo. E, na viagem, nasceu uma filha de Pedro Prinz chamada Isabel. Tanto a família Prinz como a Selbach estabeleceram-se em São José do Hortêncio. Jacó Felipe Selbach criou-se em São José do Hortêncio e lá conheceu Isabel Prinz, com a qual veio a casar-se em 1845, na igreja de Santana do Rio dos Sinos (Capela de Santana). Capela era a sede da paróquia à qual pertencia a povoação de São José do Hortêncio naquela época.

Depois de casado, Jacó Felipe Selbach aumentou as suas ambições e construiu um lanchão para fazer a navegação por conta própria. O seu lanchão tinha a capacidade de transportar 100 sacos. Passou a comprar produtos dos colonos para revender em Porto Alegre e a buscar mercadorias na capital para vender aos colonos. Abriu também um armazém no Campestre de São José do Hortêncio, que era cuidado por sua esposa Isabel (ou Elisabeth, em Alemão). Nesta época a casa do casal não era mais que um rancho de palha e nele passou a funcionar também o seu comércio. Mesmo explorando o seu próprio negócio, Jacó Felipe Selbach continuou ainda oito anos como agregado de Hortêncio Leite.

Em 1847, ele conseguiu acumular recursos para adquirir uma área de terras à margem direita do rio Caí, ao lado das terras de João Guilherme Winter. Suas terras ficavam junto ao passo do Rio Caí no local até hoje conhecido como Passo Selbach. Passo é um ponto num rio em que seja fácil de atravessá-lo a pé, a cavalo ou em carretas em virtude da pouca profundidade.

Somente em 1853, Selbach deixou de trabalhar para Hortêncio Leite e se transferiu definitivamente para a sua propriedade às margens do rio Caí. Estabeleceu ali um armazém cuidado pela esposa e passou a fazer o intercâmbio comercial entre a nova colônia da Picada Winter com Porto Alegre através do rio Caí. Sua lancha era dirigida por ele mesmo (ou por um empregado) e dois escravos.

A viagem de Bom Princípio ao Caí levava um dia para ir e outro para voltar. Para Porto Alegre a viagem de ida e volta consumia 15 dias.

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