A ponte de São Vendelino foi derrubada pela enchente, em 1982 Arquivo/FN

O ano de 1982 foi feliz para Bom Princípio por haver sido o da sua emancipação. Mas foi também nele que ocorreu um dos episódios mais dramáticos da sua história: a maior enchente já ocorrida no arroio Forromeco.

Depois de um longo período de estiagem, a chuva chegou ao Vale do Caí no final do mês de junho. Inicialmente recebida com alegria pelos agricultores, ela tornou-se prolongada e intensa demais, vindo a causar uma verdadeira tragédia. Choveu muito no domingo, dia 27 de junho, e no dia seguinte uma enxurrada violentíssima precipitou-se sobre a região como se a água caísse aos baldes. A chuva foi particularmente intensa na região das nascentes do arroio Forromeco.

Em São Vendelino, por volta de oito e meia a nove horas da manhã de segunda-feira o Forromeco transbordou de uma forma tão rápida e violenta que a população foi tomada de surpresa. As pessoas viram, impotentes, as águas levarem casas, estrebarias, animais, automóveis e tudo mais sem possibilidade de salvamento. A ponte sobre o Forromeco, no centro de São Vendelino, foi inteiramente coberta pelas águas, chegando quase a ser levada por elas. Os acessos à ponte foram carregados pela torrente. O armazém de Ernesto Zwirtes foi totalmente destruído e o Bar e Armazém São Vendelino, de Ivo Aurélio, foi inundado, causando perda total das mercadorias. Entre os que mais perderam com a violência da enxurrada, estava Elemar Schneider, que viu morrerem mais de uma centena de porcos da sua criação.

As águas subiram em questão de minutos e também desceram rapidamente.

Descendo pelo vale do Forromeco, a torrente foi inundar a Piedade, invadindo casas que jamais haviam sofrido este tipo de problema. Pior ainda aconteceu mais abaixo, em Santa Terezinha. Ali o nível absolutamente inusitado que atingiu a enchente fez as águas passarem por sobre dique formado pela estrada RS-122 em diversos pontos. O que veio a ocorrer por volta das onze horas da manhã. Com isto, duas importantes empresas locais, a Cerâmica Kaspary e a fábrica de móveis de José Ledur, foram invadidas pelas águas de forma rápida e imprevista, causando enormes prejuízos.

Pelo meio-dia de segunda-feira a enchente já assumia proporções alarmantes em Bom Princípio, continuando a subir de nível até o final da tarde. O rio Caí também subiu muito, principalmente abaixo do ponto em que passa a receber as águas do Forromeco. Na localidade de Bela Vista os moradores das casas próximas ao Salão Kayser ficaram ilhados e pediam socorro. Foi solicitada a presença de um helicóptero para salvá-los.

Dias depois a prefeitura de São Sebastião do Caí relacionava os principais danos causados pela enchente nas obras públicas do município, destacando-se os verificados no vale do Forromeco: Destruição da ponte sobre o Forromeco e de treze pinguelas em São Vendelino, Piedade e Santa Terezinha, além da destruição de boeiros e esgotos. Quatro casas foram destruídas em São Vendelino e as estradas municipais ficaram praticamente intransitáveis.

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