Pregar peças nos outros era uma diversão numa época em que eram poucas as opções de lazer. Assim surgiam histórias (ou casos) que eram contadas em rodas de amigos regadas a chimarrão ou cachaça Reprodução/Internet

Leia a Parte 1: Till Tappes I

Eis como Max Oderich conclui a sua história do Till Tappes:

“São Sebastião do Caí servia de centro aos caixeiros viajantes que trabalhavam no interior do município. Um dia visitavam determinadas picadas. Ao entardecer, voltavam ao Caí. No dia seguinte, seguiam em outra direção, regressando à noite. Acontecia visitarem lugares mais distantes. Nestas ocasiões voltavam ao Caí depois de um ou dois dias. Concluído todo o circuito, o que podia levar de uma a duas semanas, saldavam as suas contas no hotel e partiam para outro município.

Um belo dia, nosso alemãozinho não voltou. Também não regressou no dia seguinte. Após oito dias, ainda não havia regressado, nem tão pouco tinha sido visto por outros viajantes. O nosso amigo hoteleiro começou a ficar preocupado. Passado mais algum tempo, sem notícias do hóspede, começou a comentar o caso, confidencialmente, com os viajantes de maior intimidade.Ao cabo de outra semana, chamava o alemão abertamente de caloteiro.
Foi quando apareceu no hotel um negociante estabelecido na vila trazendo consigo uma carta do tal alemão. Ela vinha com instruções para ser aberta e lida, em voz alta, na presença dos viajantes.

Começou dizendo ter sido muito bem tratado no hotel do senhor Martim, podendo recomendá-lo a todos de sã consciência. E esperava poder continuar a gozar das mesmas regalias e vantagens para o futuro. Eleito para vítima de um trote muito bem bolado, julgava-se no direito de pagar com a mesma moeda. No seu entender, alcançaria este objetivo não pagando a hospedagem, pois nutria a esperança de que, com o correr do tempo, o senhor Martim começaria a maldizer o alemão caloteiro. Imaginava ter alcançado o seu intento neste ínterim, razão por que incluía a importância x para o pagamento do seu débito.”

Enfim, o alemão (que mais parecia um inglês, pois agiu como um verdadeiro gentleman) vingou-se do hoteleiro pregando-lhe a peça de deixá-lo desgostoso pela falsa ideia de que havia sido vítima de um calote.

Antigamente as pessoas não tinham muito o que fazer. Imagine uma época em que não existia internet, televisão e nem mesmo rádio ou cinema. Então, uma das diversões favoritas das pessoas era pregar peças nos outros. Em outras palavras, elas gostavam de fazer uma arte. Ou, ainda, aplicar um trote. Repare como estas palavras são antigas. Assim surgiam histórias (ou casos) que eram contadas em rodas de amigos regadas a chimarrão ou cachaça.

Num livro escrito por Max Adolfo Oderich, encontramos vários relatos deste modo que os antigos tinham de se divertir. Um exemplo disto é a história da peça aplicada por Adolf e Carlos Henrique Oderich no seu vizinho Antônio Rühe. O vizinho que era “inimigo de guerra” dos Oderich. (Ler mais: Antônio Rühe e seu armazém)

Mais característico ainda é o caso do Till Tappes. Um trote que era costume aplicar em pessoas desconhecedoras deste costume.

Na sua crônica, Max Oderich nos esclarece a origem do nome Till Tappes. Que, pelo visto, vem de muito longe e remonta à antiga Alemanha.

Segundo ele, a palavra Till vem do nome de um humorista alemão do século XIV, chamado Till Eulenspiegel e da palavra tappes que, em alemão dialetal, significa simplório. Till Tappes, portanto, significa algo como “Till, o simplório”.

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