O seminário jesuítico do Pareci Novo teve papel importante na obra dos jesuítas alemães no Rio Grande do Sul Arquivo/FN

O padre Amstad, que nasceu na suíça mas viveu a sua fé no Brasil, deu inestimáveis contribuições para o progresso do país. Foi ele que criou o cooperativismo de crédito no Brasil, criou associações, revistas, introduziu a soja no Brasil e contribuiu muito para a melhoria de vida do povo nas regiões de colonização alemã.

Conforme pesquisa realizada por Carlos Barreto, ele foi padre no Caí e criou na cidade o núcleo inicial do que é hoje o Hospital Sagrada Família. Mas sua atuação como sacerdote se estendia por grande parte da região do Vale do Caí, que ele percorria em lombo de burro, rezando missa e dando assistência aos fiéis em dezenas de localidades.

Há 110 anos, no dia 6 de janeiro de 1893, logo após uma missa que rezou em Santos Reis (no interior de Montenegro), ele decidiu construir um seminário no Pareci Novo. O padre Amstad pensou em aproveitar, para isto, a casa grande da fazenda de Juca Inácio Teixeria, que estava em processo de desativação. Amstad era um visionário. Queria o nivelamento social dos povos de origem lusa, germânica e italiana. Segundo o historiador da UNISINOS Arthur Rabuski, Amstad conseguiu fazer mais pelos colonos alemães e italianos e menos pelos lusos devido à grande desigualdade econômica que existia entre os fazendeiros e seus peões.

O padre conseguiu o seu intento, transferindo o seminário que já existia no Caí, funcionando em acanhadas instalações, para o amplo prédio do Pareci Novo. E ali o seminário funcionou por cem anos.

Neste período, formaram-se centenas de sacerdotes e também pessoas que acabaram desistindo da vida sacerdotal mas contribuíram de outra forma para o desenvolvimento do estado e do país. Podemos lembrar aqui alguns exemplos.

O padre Balduíno Rambo, natural da localidade de Morro da Manteiga, em Tupandi, foi o maior botânico que o Rio Grande do Sul já teve. Seu livro Fisionomia do Rio Grande do Sul é a mais importante obra já produzida a respeito das plantas, animais, geologia e paleontologia do estado. Foi professor da cadeira de Antropologia na UFRGS e o idealizador do Zoológico de Sapucaia.

Projeto de preservação do prédio

Vários dos sacerdotes formados no Seminário de Pareci Novo tornaram-se bispos, exercendo grande influência sobre os destinos da Igreja Católica brasileira. É o caso de Dom José Baréa, Dom Luis Scortegna, Dom Alonso Mello, Dom Henrique Froelich e Dom Agostinho Kist.

O Seminário de Pareci Novo teve importância fundamental para a criação da Universidade do Vale do Sinos, UNISINOS, uma das maiores e melhores instituições de ensino superior do país e do mundo. Tanto que cinco reitores desta universidade, inclusive o atual, são seus ex-alunos. Cerca de trezentos ex-alunos tornaram-se padres ou irmãos.

Grandes empresários e profissionais das mais variadas áreas de atividade tiveram a sua formação no Seminário de Pareci. Exemplo disto são três empresários do próprio município que tiveram importante papel no desenvolvimento da floricultura. Também é notável a contribuição que ex-alunos dão a iniciativas comunitárias ajudando escolas, hospitais, orfanatos e corais.

E, por fim, cabe salientar o grande número de educadores que tiveram a sua formação no Seminário de Pareci Novo. Muitos deles estão hoje espalhados por vários municípios e estados brasileiros e se conhece até o caso de um professor, Vendelino Lorscheiter, que trabalha numa universidade do Japão.

A região deve muito da sua prosperidade a este Seminário. O irmão Theobaldo Braun, que é natural de Bela Vista, Bom Princípio, foi professor do seminário e ali iniciou a produção comercial de flores no sul do país. Não é por acaso, portanto, que Pareci Novo é hoje a capital da floricultura no Rio Grande do Sul.

Por tudo isto, o Seminário desempenhou papel fundamental no progresso do Rio Grande do Sul e o seu valor foi reconhecido com o tombamento do prédio que o padre Amstad mandou construir sob a coordenação do engenheiro Grünewald.

Com a anuência do proprietário do prédio foi iniciado, em 8 de outubro de 1999, um longo e trabalhoso processo que resultou finalmente na aprovação do Projeto de Preservação. Com a aprovação de todos os deputados presentes, a Assembléia Legislativa aprovou o projeto apresentado por Paulo Azeredo.

O projeto prevê a recuperação dos quatro pisos do prédio do antigo seminário, construído em 1901. Ele foi adquirido pelo município em 2006 e foi tombado pelo Patrimônio Histórico municipal e estadual. A ideia é transformar num Centro Cultural regional com espaços para museu, biblioteca, anfiteatro, auditório, sala de cinema, salas para cursos de música, dança e artes plásticas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Hoje dia 15 de Agosto de 2021, passei na frente deste prédio. Achei que estava decadente demais.

    Alguém poderia me informar se está em processo de recuperação?

    Lugar ímpar!

    Deveria ter um comprometimento maior da Sociedade, do RS e governantes.

    Deveríamos cobrar (caso não esteja andando o projeto de recuperação) para que não caia em esquecimento e agilizar enquanto ainda a tempo a recuperação deste espaço.

    Grande matéria; parabéns!!

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