Cônego Pedro Alfredo Caspary, um dos principais líderes de São Vendelino, foi um dos responsáveis pela construção da igreja e também da ponte que atravessa o Forromeco no centro da cidade Reprodução/Internet

Graças ao nível cultural dos imigrantes que vieram para a colônia de Santa Maria da Soledade, a indústria se desenvolveu em São Vendelino. Primeiro foram os moinhos. Ferrarias fabricavam carroças, ferramentas agrícolas e prensas para a produção de banha. Alambiques produziam cachaça, inclusive a da afamada marca Flor de São Vendelino. E houve até uma pequena hidroelétrica, que fornecia energia elétrica para a vila.

Entre todas estas iniciativas, a mais importante foi a Cooperativa, fundada em 25 de março de 1945. Em 1958 ela contava com 178 associados e processava 276.451 litros de leite por ano, produzindo 23.714 quilos de leite. Além da produção de leite, a cooperativa também se dedicava à produção de derivados da carne suína e, em 1960, tinha marca registrada de produtos como o queijo, a manteiga e o doce de leite. Em 1962, a cooperativa ainda se mostrava próspera, contando com 250 associados. Mas, aos poucos, ela foi se tornando menos competitiva e foi se enfraquecendo até a sua extinção, ocorrida na década de 1980.

Mas o progresso ocorrido em São Vendelino na primeira metade do século XX não se comparava ao que era observado em cidades melhor dotadas de meios de transporte e comunicação. São Leopoldo, Novo Hamburgo, Montenegro, Lajeado, Caxias do Sul, Farroupilha e mesmo a vizinha Feliz progrediam num ritmo muito mais vigoroso, criando-se uma desproporção de recursos entre os empreendedores destas cidades na comparação com os vendelinenses a ponto de que quase todos os negócios ali iniciados foram se consumindo com o passar das décadas.

A reversão deste grave quadro recessivo só viria décadas após, com mudanças de natureza política (notadamente a emancipação) e com o asfaltamento da RS-122.

Décadas de estagnação

São Vendelino teve grande desenvolvimento nas primeiras décadas da sua existencia. Mas,depois disto veio uma época ruim para o desenvolvimento da região. Enquanto outras localidades progrediram por estar situadas junto às vias de comunicação e transporte (rios, estradas de ferro e de rodagem), São Vendelino permaneceu relativamente estagnado pelo seu isolamento. Numa primeira fase, cidades como o Caí e Montenegro, situadas junto a rios navegáveis, prosperaram mais. Depois veio a fase das ferrovias, levando o progresso para cidades como Caxias do Sul e Novo Hamburgo. Por fim surgiram as estradas asfaltadas. E as localidades que não foram servidas por nenhum destes caminhos eficazes para o escoamento da sua produção ficaram à margem do desenvolvimento. No Vale do Caí, as velhas colônias que mais sofreram por causa desta desvantagem foram São José do Hortêncio (justamente o primeiro núcleo de colonização) e Tupandi. Mas São Vendelino também tardou em ser alcançado pelo asfalto. No fim do século XIX e grande parte do século XX, a estrada principal da região era a Júlio de Castilhos, que passava por Feliz (onde foi construída a ponte de ferro sobre o rio Caí, em 1900) e Alto Feliz, chegando a Farroupilha e Caxias do Sul. A RS-122, rodovia estadual que passa por São Vendelino atualmente, só foi asfaltada no ano de 1973, provocando um novo despertar para o município que havia ficado em estado de letargia por quase um século.

Não se pode dizer que os vendelinenses não tenham se esforçado e que não tenham conseguido alguns êxitos consideráveis através do seu trabalho. Mas todo o esforço feito em São Vendelino esbarrou na dificuldade de que esforços semelhantes feitos em outras localidades melhor localizadas tinham muito mais possibilidade de sucesso.

Homens de muito valor se dedicaram a promover o desenvolvimento da localidade. Exemplo disto foi o Cônego Pedro Alfredo Caspary. Um verdadeiro líder, ele foi responsável não só pela edificação da bela igreja que é até hoje o mais portentoso prédio de São Vendelino, como também da ponte que atravessa o Forromeco no centro da cidade. O Cônego Caspary liderou a comunidade também na criação da Cooperativa de São Vendelino.

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