O jornalista britânico Michael G. Mulhall, que esteve no Rio Grande do Sul no ano de 1871, escreveu a respeito da colônia de Santa Maria da Soledade Reprodução/Internet

O jornalista britânico Michael G. Mulhall, que esteve no Rio Grande do Sul no ano de 1871, escreveu a respeito da colônia.

“Santa Maria da Soledade, como várias outras empresas deste tipo, foi ruinosa para seu fundador, o Conde Montravel, que obteve uma concessão do Legislativo da Província em 1855. Junto com alguns capitalistas de Porto Alegre, marcou os limites da nova colônia entre o Rio Caí e seu tributário, o Forromeco.

Os primeiros colonos chegaram da Europa em 1857. No começo o conde aceitava somente católicos, o que fez com que a colônia perdesse seu caráter alemão, tornando-se uma mescla de holandeses, suíços etc.

O conde era também muito pródigo nos seus gastos e, quando as dívidas dos colonos para com ele ficaram elevadas demais, viu-se arruinado e desistiu da empresa, assumida depois pelos outros acionistas com assistência do governo imperial.

A colônia agora prospera, tendo produzido no ano passado 83.000 alqueires (um alqueire equivale a aproximadamente 13 litros) de cereais, 240 quintais de tabaco (14.300 quilos) e uma grande quantidade de erva-mate, açúcar, linho e algodão. Há 7 moinhos, 4 igrejas e uma escola do Estado na colônia. O rebanho compreende 7.300 cabeças de gado, além de 7.224 porcos e 22.000 aves. A população é de 1.571 pessoas (330 famílias), das quais 2/3 são católicas; 3/4 desta população são alemães, sendo os restantes oriundos da Suíça ou dos Países Baixos.

A colônia fica a umas 40 milhas (64 km) a noroeste de São Leopoldo e a 20 milhas (32 km) ao norte de Porto Guimarães (São Sebastião do Caí), o local proposto para a estação de prolongamento da estrada de ferro de Novo Hamburgo.”

Chama a atenção o fato de que em 1870 Santa Maria da Soledade já contava com sete moinhos, quando se sabe que a próspera colônia de Santa Catarina de Feliz (hoje, Feliz) só veio a ter o seu primeiro moinho naquele mesmo ano. Os moinhos, movidos pela força da água corrente captada em riachos, servia par moer grãos alimentícios para a fabricação de farinha. Os colonos da época produziam principalmente a farinha de milho.

A área abrangida pela colônia era muito ampla e incluía as localidades hoje denominadas Linha Rodrigues da Rosa, Linha General Neto, Santa Clara, Santa Luiza, Santo Antônio do Forromeco, Morro Carrard, Vale Suíço e boa parte de Piedade e Linha Francesa. Embora não tenha sido previsto no projeto de colonização a criação de um centro urbano, aos poucos foi se formando (no Distrito de Barcellos) uma povoação que veio a ser chamada mais tarde de Sankt Wendel e hoje constitui a cidade de São Vendelino.

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