Mário Jacó Rohr foi o maior líder político de São José do Sul Arquivo/FN

Foram muitas as dificuldades que tiveram de ser vencidas até que o município fosse efetivamente criado.

O projeto de emancipação foi elaborado e enviado à Assembléia Legislativa, que o aprovou. Mas a reação negativa do governo estadual fez com que o Tribunal Regional Eleitoral suspendesse a realização dos plebiscitos. O governo estadual alegava que 29 dos municípios que pretendiam emancipar-se, inclusive São José do Sul, não contavam com o número mínimo de 1.800 eleitores, exigido por lei. Foram muitos os apelos das comunidades em processo de emancipação, mas o governador Antônio Britto foi intransigente. Considerava que o excesso de emancipações era prejudicial para o estado.

Foram meses de disputas judiciais – nas quais se destacou o advogado Arno Carrard na defesa das emancipações – até que o Tribunal Superior Eleitoral, em janeiro de 1996, autorizou a realização dos plebiscitos.

Arno Carrard teve participação decisiva na difícil batalha pela emancipação de São José do Sul
Arquivo/FN

E assim as barreiras foram sendo vencidas, até que chegou o dia do plebiscito no qual a população decidiria se desejava ou não a criação do município. Uma boa campanha eleitoral foi promovida pelos líderes emancipacionistas e o resultado foi o esperado. No dia 24 de março de 1996, ocorreu o plebiscito e o Sim venceu folgadamente. O trabalho em São José do Maratá deu bom resultado e a vitória naquela localidade foi tranquila.

Surpreendentemente, o Não venceu em Linha Bonita. Fato que Mário Rohr atribuiu a uma falta de trabalho junto àquela comunidade, por se considerar que ali a vitória seria tranquila. Mas este pequeno revés não prejudicou o resultado final do plebiscito.
Quatro dias depois, em 28 de março, a Assembléia Legislativa aprovou a criação dos 30 novos municípios. O desejo dos emancipacionistas era realizar as eleições municipais ainda naquele mesmo ano, junto com as eleições que se realizariam em todos os demais municípios gaúchos. Mas, em 11 de julho o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, acabou com esta esperança. Não haveria mais condição de cumprir os prazos regulamentares para a eleição naquele ano. Os trinta municípios, embora oficialmente criados, teriam de esperar mais quatro anos para terem a sua própria administração e, portanto, uma efetiva independência administrativa. Isto representou um sério problema, pois ao longo destes quatro anos os municípios de Montenegro, Salvador do Sul e Pareci Novo, aos quais continuaram pertencendo os territórios formadores de São José do Sul não deram a eles a atenção que seria desejável

Ensinando a pescar
Devido aos muitos problemas, a primeira eleição municipal em São José do Sul só pode ser realizada no ano 2000. Mário Rohr elegeu-se prefeito e assumiu o primeiro governo municipal em 1° de janeiro de 2001.

Com isto, São José do Sul tornou-se independente bem depois dos demais municípios do Vale do Caí. Mesmo assim, tomando medidas corretas, o município encontrou logo o caminho do desenvolvimento.

Seguindo o exemplo dado por Tupandi, a prefeitura local cuidou imediatamente de incentivar a produção primária. A prefeitura deu grande apoio à implantação de aviários, pocilgas e à produção rural como um todo. Com isto, já foi verificado um aumento de 50 % no valor da produção entre o primeiro ano de existência do município (2001) e o segundo (2002). E este acertado plano de desenvolvimento teve continuidade nos anos seguintes, com a implantação de dezenas de aviários e pocilgas.

Para estimular ainda mais a produção rural do município, a prefeitura investiu pesadamente na eletrificação rural e no abastecimento de água para as localidades interioranas. Foram resolvidos assim os graves problemas de abastecimento de água e energia que antes impossibilitavam o desenvolvimento econômico nas localidades hoje pertencentes a São José do Sul.

Logo, quase todo o município já estava atendido nestes dois aspectos, o que foi muito importante para os produtores rurais. Outra grande melhoria foi verificada na conservação das estradas do interior. Para tanto, a prefeitura já adquiriu toda uma frota de máquinas e veículos.

Além deste trabalho fundamental, que visou aumentar a renda da população, a prefeitura conseguiu fazer muito pela melhoria nas condições de vida da população. Os prédios escolares foram reformados, o posto de saúde foi logo melhorado e novos profissionais foram contratados para dar um completo atendimento médico à população. Um ginásio de esportes foi construído junto à principal escola de Dom Diogo. Tudo isto nos dois primeiros anos de governo.

Mário Rohr
Ao fim de apenas quatro anos de governo, já era possível perceber uma sensível melhoria na estrutura urbana da sede municipal, nas estradas do interior, no abastecimento de água e energia, no atendimento à saúde e à educação. Mas o mais importante, segundo o prefeito Mário Rohr, foi que a prefeitura estava criando condições para o desenvolvimento econômico do município e, consequentemente, para o aumento da renda dos cidadãos. Ao invés de dar assistência a uma população empobrecida, muito melhor é dar às pessoas a condição de melhorar a sua situação econômica, podendo elas mesmas resolver a maioria dos seus problemas.

Muito importante, certamente, foi o fato de que o primeiro governo municipal agiu com responsabilidade ao conter o gasto com contratação de funcionários. Menos gastos com o funcionalismo faz com que a prefeitura disponha de mais recursos para investir em melhorias para o município. Este é, sem dúvida, o grande segredo que distingue as administrações bem sucedidas daquelas que fracassam.

Mário Jacó Rohr foi o maior líder político de São José do Sul, tendo dominado a política local nas últimas décadas. E foi ele o principal responsável pela criação do município.
Ele é filho de Pedro Firmino Rohr, um homem simples que começou a sua vida como carroceiro na localidade de Despique (município de Pareci Novo), viveu algum tempo em Santa Catarina e depois voltou ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em Harmonia, onde foi comerciante e barbeiro. Firmino foi residir em Dom Diogo quando tornou-se gerente da filial local da Cooperativa dos Suinocultores do Caí Superior (Cooperativa de Harmonia), cargo que exerceu por muitos anos.

Mário Rohr nasceu em Dom Diogo e começou sua vida trabalhando na filial da Cooperativa, a mesma que seu pai gerenciava. Estudou em Montenegro, no colégio São João Batista. O segundo grau fez à noite, neste mesmo colégio, enquanto trabalhava na Cooperativa.

Por muitos anos trabalhou como motorista de caminhão fazendo a linha de recolhimento de leite pelo interior. Popular e prestativo, conquistou a simpatia dos colonos com os quais trabalhava. Com isto, em 1976, concorreu a vereador do município de Salvador do Sul e foi o mais votado do município. Em 1982 reelegeu-se vereador e, em 1988, foi eleito prefeito de Salvador do Sul. Mário morreu em 2016, aos 67 anos.

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