Monumento localizado em frente à Igreja Matriz São José, marca os 100 anos da colonização alemã no município (1828-1928). Reprodução/FN

Já em 1827 os primeiros lotes eram distribuídos no local onde hoje existe a cidade de São José do Hortêncio. E não muito depois disto colonos se fixavam até na localidade que hoje é conhecida como Roseiral, situada ao norte de Hortêncio, no atual município de Linha Nova. Bem perto da cidade de Feliz.

Ali, porém, aconteceu uma desgraça.

Em 1832, a localidade era conhecida como Rosenthal e era ainda muito pouco povoada pelos brancos. Entre as famílias que lá haviam se instalado estava a de sobrenome Göllner que vivia lá muito isolada, cercada pela mata. Os índios atacaram a casa da família no dia 16 de abril de 1832, matando a maioria dos seus moradores. E a história do massacre foi contada pela menina Helena Göllner, que tinha dez anos na ocasião e escapou com vida por acaso. Ela contou que tinha ido ao galinheiro buscar ovos quando viu os bugres se dirigindo para a casa. Escondeu-se e assistiu à tragédia que liquidaria com quase toda a sua família. Seus pais e demais parentes perceberam a aproximação dos selvagens e fecharam a casa. Mas não conseguiram impedir a entrada dos índios que estavam armados de tacapes (machadinhas rústicas).

O primeiro a morrer foi o pai de Helena, que segurava a porta da frente da casa, tentando impedir a invasão. Logo em seguida foi morto o avô da menina, um veterano das guerras napoleônicas, que era cego. A mãe tentou fugir carregando no colo a filha mais nova, com apenas um mês de vida, mas também foi morta pelos índios. Helena ficou escondida no galinheiro até que os bugres foram embora. Então pode ver de perto a carnificina de que foram vítimas seus pais, o avô e os irmãos. Por baixo do corpo da mãe, encontrou a irmãzinha mais nova ainda viva. Tomou-a nos braços e caminhou, durante dois dias, pelo meio do mato, até chegar em São José do Hortêncio. Chegou lá desnutrida e em estado de choque, mas ainda tinha a maninha no colo. Desnutrida como ela, mas viva. Os colonos de Hortêncio organizaram um grupo que se dirigiu até o local da tragédia e providenciou o enterro das seis vítimas num local próximo à casa. Grandes pedras foram usadas para marcar o local onde os corpos foram enterrados e o arroio que passa por perto é conhecido até hoje como Sepultura. Em virtude desta tragédia, a colonização alemã no Vale do Caí sofreu um grande atraso de 30 anos e só voltou a ganhar impulso por volta de 1850.

Devido ao perigo representado pelos ataques dos índios, a colonização do Vale do Caí foi iniciada com a venda de lotes situados perto do rio, onde os colonos ficavam mais concentrados e próximos, podendo se proteger mutuamente. A proximidade do rio era importante também porque ele era, na época, o único meio de transporte viável para o a produção dos colonos. Estradas não existiam, apenas picadas (trilhos estreitos pelo meio do mato) pelas quais não se podia trafegar com uma carroça. Elas davam passagem apenas para pessoas caminhando ou montadas em cavalos ou burros.

Nas imediações da atual cidade de Pareci Novo, o fazendeiro José Ignácio Teixeira Jr tinha terras em ambas as margens do rio Caí. Na margem esquerda (perto do vilarejo de Capela de Santana, que já existia na época), as terras eram de campos, próprias para a criação de gado. Na margem direita as terras de José Inácio eram cobertas por matas nativas e estendiam-se desde a foz do arroio Maratá até perto da foz do arroio Forromeco. Compreendiam os territórios dos atuais municípios de Pareci Novo, Harmonia e Tupandi.

Antes da colonização alemã eram terras de pouco valor, pois ninguém ali habitava. Nem mesmo os índios, por serem nômades, podiam ser considerados habitantes da região. Era um verdadeiro deserto. Um ou outro homem branco, com ou sem família, tinha sua casa junto ao rio Caí, como era o caso do fazendeiro Manuel dos Santos Borges, que estabeleceu-se num local próximo à atual cidade de São Sebastião do Caí em 1807. Por volta de 1820, Francisco Veloso, conhecido como Ferromeco foi morar na margem direita do arroio que ganhou o seu nome (hoje denominado Forromeco). A ocupação da região de florestas do Vale do Caí progredia gradualmente, de forma lenta, no sentido da foz às nascentes. Sempre junto ao rio ou arroios.

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