Roberto Atayde Cardona (de óculos, bigode e sorriso, no centro da foto), em 1972, num encontro de amigos no Balneário de Montenegro

No dia 1° de julho de 1934 nasceu, na cidade de Pelotas, o menino Roberto Atayde Cardona. Seu pai, Silvestre Cardona, era ferroviário e trabalhou em vários municípios gaúchos como chefe de estação ferroviária. E para onde seu Silvestre era designado para trabalhar, sua família o acompanhava. Depois de Pelotas trabalhou em Cacequi e São Gabriel antes de chegar a Montenegro. E foi assim que, aos treze anos de idade, Roberto Cardona chegou à cidade da qual se tornaria um dos mais importantes vultos históricos.

Roberto era um menino inteligente. Gostava muito de ler e, por isto, mesmo sendo ainda adolescente tinha a mentalidade de um adulto. Pelos 15 anos de idade passou a trabalhar na rádio da cidade. E foi ali, com 16 anos, que ele conheceu Therezinha Petry, que viria a ser sua namorada e depois esposa. Therezinha participava do programa da rádio A Hora da Ave Maria, que eram apresentados pelo jovem radialista. Ela tocava órgão. Foi portanto a arte, a música e a cultura que os aproximou. Ela era filha do industrial Alfredo Wilibaldo Petry. Um homem destacado e que teve o mérito de ser um dos seis montenegrinos que mobilizaram a comunidade para que fosse construído o prédio do Colégio São João Batista, dos irmãos maristas. A primeira escola ginasial (o segundo grau da época) de Montenegro.

Roberto e Therezinha atuavam juntos no grupo de teatro GCTAM, que foi muito forte na época, a ponto de conseguir recursos para adquirir a área depois doada para a construção do teatro da cidade, que é hoje denominado Teatro Roberto Atayde Cardona. Do casamento entre Roberto e Therezinha nasceram os filhos Raquel, Roberto, Simone, Marcelo e Leandro.

Cardona estudou nesta escola e, depois do ginásio, fez o curso técnico de contabilidade. Aos 20 anos, ele foi professor de português, à noite, na mesma escola em que havia estudado poucos anos antes. Muitos dos seus alunos eram mais velhos do que ele.
Além da grande cultura, o jovem Cardona tinha outras virtudes raras. Ele era muito comunicativo, falava com grande fluência (inclusive em público) e tinha uma tendência natural à liderança. Por isto era solicitado a atuar em vários setores. Ele foi, por muitos anos, o secretário geral da Associação Comercial e, aos 28 anos, foi eleito presidente do Clube Riograndense. Nesta função ele comandou a construção das atuais instalações do clube. Uma grande realização para a época. Quando estava sendo construído o prédio, ele fazia questão de conferir de perto o trabalho dos pedreiros e, para isto, chegava a comparecer na obra às cinco horas da madrugada. A disposição para o trabalho, assim como a dedicação a causas comunitárias, também fizeram parte do conjunto de virtudes que tornaram Roberto Cardona um homem tão excepcional.

A sua vida profissional foi bastante diversificada. Começou como locutor na Rádio Montenegro, foi funcionário do Banco Industrial e Comercial do Sul Ltda (Sulbanco), escriturário do Frigorífico Renner SA, secretário geral da Associação Comercial e Industrial de Montenegro, professor de Contabilidade Bancária e de Portugues na Escola Técnica de Comércio São João Batista, escriturário na Fundação de Economia e Estatística. Todos esses cargos foram desempenhados na cidade de Montenegro. Atuou, ainda, no Conselho de Implantação do Polo Petroquímico, Conselho Regional de Contabildade e Companhia Interestadual de Estradas Alimentadoras (CINTEA).

Ele atuou em diversas entidades sociais e cívicas, recebendo muitas homenagens pelo seu desempenho nas mesmas. Desde a União Montenegrina de Estudantes, à comissão municipal do MOBRAL (movimento de voluntários empenhados na alfabetização de adolescentes e adultos, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico, América Futebol Clube e CTG Estância de Montenegro.

A carreira política foi um prosseguimento natural na vida deste homem tão dinâmico, comunicativo e dedicado ás causas comunitárias. Ele elegeu-se vereador e exerceu seu mandato entre os anos de 1969 e 1973. Destacou-se muito, foi presidente da Câmara e, em seguida, foi lançado como candidato a prefeito. Foi eleito mais uma vez e exerceu o cargo entre 31 de janeiro de 1973 e 31 de janeiro de 1977. Foi o mais jovem prefeito eleito em Montenegro até então.

 

2ª parte: Roberto Cardona – Grandes-realizações como prefeito e deputado

 

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