O Barão Luis Henrique Von Holleben Reprodução/Internet

Muitas vezes nos deparamos com o nome de uma localidade e ficamos nos perguntando qual a razão de tal denominação. Tal curiosidade se justifica particularmente diante de um nome como o de Barão.

Por que motivo esta cidade, situada no nosso Vale do Caí teria recebido este nome?
Artigo publicado pelo falecido monsenhor Ruben Neis esclarece perfeitamente a questão.
O Barão de Holleben, cujo nome completo era Luis Henrique de Holleben (ou von Holleben, no nome original alemão), nasceu em Hudolstadt, no estado alemão da Turíngia. Seu nascimento se deu em 2 de dezembro de 1832 e seu pai, Karl Ludwig Anton von Holleben, era homem influente (inclusive deputado).

Luis Henrique, quando jovem, foi oficial do exército. Um desentendimento com os pais e irmãos levou o jovem militar a emigrar para a Inglaterra, onde lutou, como oficial, na legião estrangeira do exército britânico: a famosa King´s German Legion (Legião Germânica do Rei).

Ainda na Inglaterra, ele casou com Ana Maria Georg. Casamento que teve pouca duração, pois Ana Maria faleceu por ocasião do seu primeiro parto, juntamente com a criança. Fato que ocorreu enquanto Luis Henrique estava no exterior, lutando na Legião Estrangeira.

Von Leben no Brasil

Ainda durante a sua permanência na Inglaterra, Luis Henrique formou-se engenheiro ferroviário. Desgostoso com a morte da esposa, ele aceitou trabalhar na construção de ferrovias no exterior. Esteve inicialmente na América Central e, pelo ano de 1861, veio ao Brasil.

Até o ano de 1868 ele permaneceu no Paraná, onde casou com Maria da Luz dos Santos, em Curitiba, e trabalhou na Secretaria de Obras Públicas do Paraná. Foi responsável pela construção da ferrovia que liga Curitiba a Joinville, inaugurada em 1865.

Em 1868, Luis Henrique de Holleben transferiu-se com a família para Niterói, no Rio de Janeiro. Uma mudança infeliz, pois ali morreu sua esposa, aos 30 anos de idade, deixando-lhe dois filhos pequenos: Luis Antônio, de três anos, e Luis Alberto, com um ano e meio.
Depois disto, von Holleben foi morar na cidade de Campos, também no estado do Rio de Janeiro. E lá ela se casou com Maria de Azevedo Koch, que tinha 21 anos e foi sua companheira até a morte. Deste terceiro casamento surgiram mais cinco filhos. Em Campos von Holleben foi o engenheiro-chefe, na construção da estrada de ferro local e, em 14 de julho de 1875, coube a ele recepcionar o imperador Dom Pedro II na solenidade de lançamento da pedra fundamental na obra da estação ferroviária da cidade.

Em 1876 o barão von Holleben passou a trabalhar em obras ferroviárias no Paraná e em Santa Catarina e, em 1880, veio para o Rio Grande do Sul. Seu objetivo era trabalhar na construção da estrada de rodagem que ligaria a Colônia de Conde D’Eu (cuja sede é hoje a cidade de Garibaldi) à Colônia Dona Isabel (atual cidade de Bento Gonçalves) e também à ligação entre Garibaldi e Montenegro.

Para cuidar destas obras, o barão Luis Henrique de Holleben passou a residir numa pequena localidade situada entre as atuais cidades de Salvador do Sul e Carlos Barbosa. Quem, naquela época referia-se ao lugarejo, dizia “lá no Barão”. E foi assim que o lugar ganhou o nome, que persiste até hoje.

O Barão viveu ali por apenas dois anos, mudando-se depois para Porto Alegre, Porto Alegre e Rio Grande, sempre envolvido em obras. Ele morreu em 1894, ano em que o estado foi sacudido por uma cruel revolução. Ele era sócio de uma casa comercial que foi à ruína e o deixou endividado. Aos 62 anos, desgostoso e envergonhado, ele cometeu suicídio com um tiro na cabeça. Deixou a viúva pobre e com os cinco filhos na idade de seis a 18 anos.

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