Junto à cidade de Feliz, o Passo da Boa Esperança foi o melhor local que os tropeiros encontraram para atravessar o rio com suas tropas de bois ou de mulas Arquivo/FN

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos tropeiros que passavam pelo Vale do Caí conduzindo gado em direção ao norte do país era a travessia do rio Caí. E o melhor lugar encontrado por eles para fazer esta travessia foi o Passo da Boa Esperança, no local onde hoje se situa a cidade de Feliz.

Quando o rio estava alto por causa das chuvas, tornava-se impossível atravessá-lo e os tropeiros eram obrigados a permanecer acampados nas imediações até que as águas baixassem. Este fato tornava o local estratégico para o comércio. E consta que, em meados da década de 1840, morou ali um homem cujo sobrenome era Rocha. Sua casa ficava no mesmo local em que hoje está situado o centro de Feliz, junto ao então denominado Passo da Boa Esperança. A casa deste pioneiro ficava nas terras que foram adquiridas pelo imigrante Johann Weissheimer em 1847. Este Rocha, do qual pouco se sabe, deve ter sido o primeiro morador do local.

Além dos tropeiros que passavam pelo Passo da Boa Esperança, viviam na região alguns poucos brancos que extraíam algumas riquezas da mata e faziam trocas com os índios, como era o caso dos pioneiros Francisco José Veloso (o Ferromeco) e Tertuliano Antônio Pereira, que viviam nas margens do arroio Forromeco.

E também frequentavam o Vale do Caí alguns brancos que se dedicavam à extração da madeira. Eles derrubavam árvores situadas próximas ao rio Caí escolhendo apenas aquelas cuja madeira melhor se prestava para a carpintaria e a marcenaria (construção de casas, móveis etc). Eles não ficavam muito tempo num mesmo lugar. Assim que esgotavam a madeira boa existente numa determinada área, se dirigiam a um outro ponto no qual ela ainda podia ser encontrada.

Os troncos das árvores abatidas eram arrastados até a beira do rio, usando para isso a força de animais como as mulas e os bois. Depois eram levados para Porto Alegre flutuando nas águas do rio Caí. Esta atividade foi tão comum no Vale do Caí, naquela época, que o lugar onde hoje se situa Bom Princípio foi conhecido (por volta de 1840) pelo nome de Serrarias. Estas pessoas procuravam conviver com os índios e até manter relações amistosas com eles.

Mas a colonização da região só se tornou efetiva quando vieram se instalar aqui os imigrantes alemães que receberam terras do governo ou as compraram e, portanto, passaram a considerá-las suas. Por isto muitos conflitos ocorreram entre estes colonos e os índios, que pretendiam continuar percorrendo a região e dela extrair os alimentos de que necessitavam.

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