A melhor opção de locomoção entre os pequenos vilarejos era a cavalo Reprodução/FN

Os padres Kellner e Klüber deixaram relatos das grandes dificuldades que enfrentaram nas estradas existentes na época. Em 1858, para ir de São Leopoldo a Hamburgo Velho (hoje um bairro de Novo Hamburgo) eles tiveram de abrir caminho no mato. E as estradas da colônia eram tão precárias que nelas não era possível andar a galope. Eles escreveram também que os cavalos precisavam ser ferrados seguidamente devido às péssimas condições das estradas. Pelo mesmo motivo, acidentes que resultavam em queda do cavalo aconteciam freqüentemente. E o próprio irmão Rukamp morreu em conseqüência do coice desferido por um cavalo.

A partir do ano de 1858 o Padre Kellner passou a auxiliar o Padre Sedlack na paróquia de São José do Hortêncio, dando assistência a várias comunidades, inclusive a de Bom Princípio. Isto o obrigava a fazer constantes viagens pelas difíceis estradas (ou picadas) então existentes na região.

O padre Theodor Amastad foi outro grande cavaleiro. Estabelecido na paróquia de São Sebastião do Caí ele percorria quase toda a região colonial do Vale do Caí (de Pareci Novo até Nova Petrópolis) dando assistência às pequenas comunidades que não contavam com um padre residente. Tarefa semelhante era exercida pelo pastor Heinrich Hunsche, que se estabeleceu em Linha Nova mas dava assistência aos evangélicos de várias outras localidades da região. Na época havia um grande antagonismo entre as comunidades católicas e as protestantes, mas o padre Amstad e o pastor Hunsche mantinham um bom relacionamento entre si.

Sobre eles contava-se uma anedota que reflete principalmente a discórdia então existente entre os fiéis das duas religiões. Mas ela também retrata as grandes dificuldades enfrentadas pelos viajantes da época. Diz-se que o Padre Amstad apareceu certo dia em Linha Nova. Ele estava a pé e carregava os arreios nos ombros. Ao encontrá-lo nesta situação, o pastor Hunsche perguntou: “Que é isto, colega Amstad?” Ao que o sacerdote respondeu. “Pois é, colega Hunsche. O meu burro caiu morto.” Entre as diferenças existentes entre as duas religiões havia a prática da extrema-unção, que era feita apenas pelos católicos e que os evangélicos reprovavam. Por isto, o pastor aproveitou para fazer uma brincadeira com o colega católico e lhe disse: “Suponho que lhe tenha dado a extrema-unção.” Ao que o Padre Amstad, com grande presença de espírito, respondeu: “Não, colega Hunsche, o meu burro era protestante.”

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