Padre Aloísio Steffen falando na inauguração da Rádio Comunitária Caiense, uma iniciativa sua que concretizou-se no dia 15 de novembro de 2003 Arquivo/FN

O Padre Aloísio Steffen foi pároco caiense por 12 anos. Ele era muito dinâmico, ativo e querido dos seus paroquianos. Brincalhão, espontâneo, amigável, ele foi, além de padre, um amigo dos caienses. Deixou muitas saudades na cidade e na vida. Ele morreu aos 48 anos.

Bom Princípio tem a tradição de proporcionar à Igreja Católica um grande número de vocações sacerdotais. E foi lá que nasceu, em 17 de agosto de 1958, o menino Aloísio Jorge Steffen.

Seus pais eram modestos agricultores da localidade de Santa Lúcia, que hoje é praticamente um bairro de Bom Princípio, próxima ao posto da Polícia Rodoviária.

Ele foi o décimo primeiro filho de Inácio Henrique Steffen e Guilhermina Anita Persch Steffen. Seus irmãos mais velhos chamavam-se Edita, Guido, Lúcia, José, Catarina, Elisabeta, Augustinho, Mônica e Maria. Logo no dia seguinte ao nascimento, 17 de agosto, o menino era batizado.

A vocação
Mesmo sendo muito religiosos, seu Inácio e dona Guilhermina não seguiram a tradição principiense de encaminhar um filho para o seminário. Na infância, nenhum dos onze filhos se encaminhou para a carreira religiosa.

E o mesmo aconteceu com o caçula. Aloísio frequentou a Escola Paroquial Santa Terezinha, onde estudou da primeira à terceira série primária. A quarta e quinta série, ele fez na escola Pio XII, em Bom Princípio. Depois foi estudar na escola estadual de Feliz, onde fez as quatro séries do curso ginasial. Aloísio demonstrava habilidade no uso da palavra. Destacava-se como orador. O que fez seu pai acreditar que Aloísio teria futuro como advogado.

Depois de formar-se no ginásio, em 1974, o jovem Aloísio foi residir em Porto Alegre, na casa de sua irmã Catarina Maria. Lá ele fez o curso técnico de secretariado no instituto Luis Dourado. Ao mesmo tempo, ele trabalhava numa loja chamada Rola Peças, uma revenda de peças e assessórios para máquinas agrícolas.

Aloísio era um jovem muito comunicativo e popular. Gostava de jogar futebol com os amigos e de ir a festas, onde conversava muito e tomava cerveja com os amigos. Não parecia que, no seu íntimo, se fortalecia a ideia de seguir a vocação religiosa.

Valeu para isto o exemplo de outros grandes sacerdotes principienses, como o cardeal Dom Vicente Scherer e o monsenhor José Becker, que foi pároco de Bom Princípio por muitos anos.

Quando terminou o curso de segundo grau, Aloísio já havia fortalecido o propósito de vir a se tornar sacerdote.

O longo período da formação
Segundo disse o próprio padre Aloísio, muitos anos depois, “entre tantas possibilidades que vislumbrava para a minha vida, sempre prevalecia o desejo de servir a Deus. Desde a infância, sempre tive esta inclinação. Sentia em mim o compromisso de ser um bom cristão.”

Certo dia ele chegou em casa decidido: comunicou aos seus pais a sua determinação de seguir a vocação sacerdotal.

Depois disto ele ingressou na Faculdade de Filosofia e no Seminário Imaculada Conceição, em Viamão, onde estudou por três anos, até concluir o curso de Filosofia.

A vida de seminarista não era nada fácil. A ponto que, em certos momentos, o jovem chegou a pensar seriamente em desistir do seu sonho. Mas ele persistiu.

No ano de 1982, quando ele já havia ingressado no curso de Teologia, na Pontifícia Universidade Católica, de Porto Alegre, Aloísio viveu uma experiência marcante.

Juntamente com o colega Alírio Berwian, de Ivoti, ele foi fazer o seu estágio pastoral na região amazônica do Xingu. Os dois rapazes ficaram lá por um ano, trabalhando com os jovens e com a comunidade carente, ajudando o vigário local.

Depois disto ele voltou a Porto Alegre, onde concluiu o curso de Teologia na PUC.

A ordenação sacerdotal
E chegou, então, o grande momento da ordenação sacerdotal. Isto aconteceu há pouco mais de dois anos, no dia 18 de janeiro de 1986, quando Aloísio tinha 27 anos.

A cerimônia de ordenação aconteceu num sábado, e foi presidida pelo cardeal Dom Vicente Scherer, que comemorava na ocasião a sua 500ª ordenação sacerdotal. A cerimônia, realizada na belíssima igreja matriz de Bom Princípio, foi assistida por 27 sacerdotes e um enorme público.

Na ocasião, entrevistado pelo Fato Novo, o jovem sacerdote disse que seguiria o exemplo de Dom Vicente e do monsenhor José Becker, que viveram suas vidas dentro de um modelo de opção preferencial pelos pobres, que eles encaravam não como uma teoria, mas sim como uma vivência diária dentro dos ideais da caridade cristã. Durante o seu tempo de seminário, ele já havia desenvolvido trabalho pastoral entre as famílias de operários, em Porto Alegre.

No dia seguinte à ordenação, domingo, 19 de janeiro, o já padre Aloísio Steffen rezou a sua primeira missa, também em Bom Princípio. Em mais uma grande demonstração da sua popularidade, muitos jovens compareceram para prestigiá-lo, inclusive companheiros de seminário. A missa foi celebrada às nove horas da manhã, na igreja matriz de Nossa Senhora da Purificação e teve como pregador o padre Geraldo Hackmann.

Jornada
A primeira paróquia para a qual o novo padre foi designado foi a de Estrela, onde ele atuou como auxiliar na paróquia de Santo Antônio, em Estrela. O padre Aloísio ficou em Estrela por dois anos, de fevereiro de 86 a fevereiro de 88, quando foi transferido para a paróquia de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Osório.

Seis anos depois, o padre era transferido novamente. Desta vez para São Sebastião do Caí.

Aloísio Steffen chegou à sua última paróquia no dia 5 de fevereiro de 1994. Ele sucedia ao padre Álvaro Noschang, que ficou no Caí por quatro anos.

No Caí ele se destacou por ser um padre jovem, que conquistou seus paroquianos pelo jeito simples e espontâneo. O padre Aloísio não era nada formal. Parecia uma pessoa comum e cativava a todos pela sua simplicidade. Atuando no Caí por 13 anos, ele mostrou-se um verdadeiro líder, que conduziu a paróquia a grandes realizações.

 

Texto continua na próxima postagem….

 

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