O padre Aloísio fez muito pela sua comunidade, deu um grande exemplo e deixa muitas saudades Arquivo/FN

Sob o comando do padre Aloísio Steffen foram construídas novas capelas, como a do Chapadão e a do Quilombo e outras obras importantes foram iniciadas, como a ampliação do salão paroquial do bairro Rio Branco.

Acima de tudo ele se destacou pela reforma que empreendeu nos prédios da Escola São Sebastião, resolvendo um grave problema para a cidade. Esta importante escola estadual funciona num prédio pertencente à Igreja. E, como o estado não pode investir em reformas de um prédio que não é seu, a construção vinha se deteriorando até que o padre Aloísio chegou e resolveu encarar o problema. Foi uma obra grande e cara, que exigiu muitos gastos e dedicação, mas de valor inestimável para a comunidade.

Outra grande iniciativa do padre Aloísio foi a criação do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Vila Rica. Ele já havia adquirido uma área de terras no bairro e se preparava para a construção de um pavilhão. Porém, com o fechamento da fábrica de calçados Azaleia, acabou por obter a doação do prédio da Associação dos Funcionários da empresa e, desta forma, deu um grande passo para a implantação do santuário.

Bom pastor
O padre Aloísio foi um notável condutor dos seus paroquianos. O que tornou possível realizar obras tão importantes em cada uma das capelas que a compõem. Na de Navegantes, foi construído um novo pavilhão comunitário e o mesmo aconteceu na do Campestre de Santa Terezinha, onde foi erguido um grande ginásio esportivo e salão comunitário.

Foi do padre Aloísio a iniciativa de criar uma emissora de rádio comunitária para a cidade. Ele deu o empurrão inicial no movimento que resultou na criação da RCC (Rádio Comunitária Caiense). Bromaldo Padilha, primeiro presidente da Comunidade São Sebastião de Amparo Social – entidade mantenedora da Rádio Comunitária Caiense – salienta o espírito empreendedor do padre Aloísio. Mas salienta também que o extraordinário poder de liderança e de convencimento do sacerdote vinha do seu jeito simples e amigável. Ele tinha paciência para ouvir os seu paroquianos, ajudando-os a enfrentar os seus problemas pessoais. E assim conquistava a simpatia e a adesão de todos aos objetivos da paróquia.

O mesmo espírito moderno que levou o padre a idealizar uma emissora de rádio para a cidade o levou, também, a incentivar a criação da representação da via sacra, um grande espetáculo ao ar livre que é encenado todos os anos, na sexta feira santa.

Mas a sua maior obra foi, sem dúvida, a que realizou no terreno espiritual. É notável a participação dos católicos caienses nas missas e nos movimentos paroquiais de jovens, de casais, de idosos. Para os mais velhos foi criado o movimento chamado de SERRA, para os casais o ECC e os jovens se reúnem no do ONDA. Todos estes movimentos ganharam maior vitalidade graças ao espírito amigável e acessível do padre Aloísio. As pessoas se sentiam a vontade com ele e se dispunham a colaborar. O padre Aloísio era incansável nestas atividades conjuntas com os paroquianos. O que fez muita gente se aproximar mais da igreja.

Tudo isto fez com que a comunidade católica caiense desenvolvesse um extraordinário carinho pelo seu pároco.

Mas eram tantos os cuidados que tinha o padre com os seu paroquianos e tão preocupado ele estava em dinamizar o seu trabalho pastoral que esquecia-se dos cuidados consigo mesmo.

A doença
No final do ano de 2005 ele começou a sentir-se mal de saúde. Mas não se importou muito, continuando a cuidar das suas tarefas sacerdotais. Veio o mês de janeiro, quando acontece a grande Festa de São Sebastião e ele, mesmo vendo os seus problemas de saúde agravarem-se, não procurou por assistência médica. Janeiro é o mês em que o seu trabalho aumentava porque é quando ocorre a Festa de São Sebastião.

Só depois de cumpridos os seus compromissos com a realização da festa que o padre Aloísio entregou-se e deixou que os sintomas da doença aparecessem.

Ele foi ao médico e, depois de realizados exames, foi constatado que o seu mal era grave.

O padre Aloísio estava sofrendo de câncer no pulmão. Ele teve toda assistência possível dos médicos no Caí e em Porto Alegre. Submeteu-se disciplinadamente aos tratamentos de radioterapia e quimioterapia. Também guardou repouso – o que não deve ter sido fácil para uma pessoa dinâmica como ele – mas nada adiantou.

Quase oito meses se passaram. No início ele ainda permanecia na casa canônica, recebendo os paroquianos e conversando com eles. Nas últimas semanas, mais debilitado, ele teve de ser internado no hospital por uma gripe que virou pneumonia. Chegou a recuperar-se, mas a debilidade foi aumentando e ele – ultimamente teve de ficar internado no Hospital Sagrada Família. Permaneceu consciente até próximo da sua morte, mas não podia receber visitas porque era muito cansativo para ele e também não convinha que ele se emocionasse muito.

Com isto, os paroquianos não tiveram outra alternativa senão a de fazer orações pela recuperação e pelo bem estar do seu amigo vigário.

Despedida
Por fim, às duas horas e dez minutos da madrugada de um domingo, 24 de setembro de 2006, o padre Aloísio não resistiu mais e entregou em paz a sua alma ao Senhor.

Logo a comunidade caiense, e também a de Bom Princípio, se organizaram para prestar a última homenagem ao padre que fora tão amigo e querido de todos.

O corpo foi velado na igreja matriz de Bom Princípio (foto) e no Caí
Arquivo/FN

Seu corpo foi velado na igreja matriz de São Sebastião durante o dia inteiro, começando pela missa da manhã, que foi de corpo presente. Outra missa foi celebrada à noite, com a participação do bispo Dom Jacinto Flach e acompanhada por 16 sacerdotes. A igreja ficou lotada e, depois dela, o corpo do padre foi conduzido em carro de bombeiros até a cidade de Bom Princípio, onde novas homenagens haviam sido preparadas.

O corpo foi velado durante a noite na igreja matriz da cidade natal do padre Aloísio e, na manhã seguinte, foi realizada mais uma missa de corpo presente, às dez horas da manhã.

Esta foi oficiada pelo arcebispo metropolitano Dom Dadeus Grings e teve acompanhamento de cem padres. Algo muito difícil de ser visto em cerimônias deste tipo. A igreja estava lotada, mesmo em se tratando de um dia útil.

Aloísio Steffen morreu jovem. Tinha apenas 48 anos. Mas a amplitude das homenagens prestadas a este sacerdote dá uma ideia da importância da obra por ele realizada. Uma obra que foi grandiosa no campo das construções materiais e maior ainda no plano ainda mais importante da edificação espiritual.

Ele fez muito pela sua comunidade, deu um grande exemplo e deixa muitas saudades.

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