O Menino Diabo formou um bando de 200 homens que invadia estâncias, vilas e embarcações Reprodução/Internet

Um dos mais sanguinários chefes da Revolução Farroupilha foi um tal de Menino Diabo, conhecido e temido pela sua atuação cruel e bárbara. Embora fosse um agenciador farroupilha, para muitos historiadores, na verdade era um oportunista que atuou à margem da Revolução Farroupilha.

Com um grupo de 200 homens, infestava as zonas de Estância Velha, Dois Irmãos e Picada Quarenta e Oito.

No primeiro desses povoados foi cruelmente assassinado Adão Knierim e sua viúva obrigada a buscar água para lavar as mãos do assassino, tintas de sangue da vítima. Ao enxugar-se, o degolador disse à pobre mulher: “o sangue do Adão era bem doce”.

Não menos brutal, foi o procedimento do Menino Diabo e dos homens do seu grupo contra um tal de Kerber, proprietário de uma casa comercial na Picada Quarenta e Oito. Tendo aprisionado o infeliz, comprometeram-se a soltá-lo mediante o pagamento de oitocentos cruzeiros. De posse dessa importância, retiraram-se os bandidos, voltando pouco após para limparem, no avental da desolada viúva, a faca com que tinham degolado aquele negociante.

Henrique Morschel, morador da Picada Bom Jardim, em defesa própria, matara, com um tiro, a um certo Laval, componente do grupo do Menino Diabo. Para salvar a vida de seus companheiros, ameaçados de morte caso não conseguisse prender o matador, Morschel apresentara-se ao Menino Diabo, confessando-se autor do tiro que abatera Laval. Preso, foi condenado à pena das estacas, suplício a que foi submetido durante dois dias e duas noites. Depois disso foi fuzilado.

Esse último crime fez transbordar a medida da paciência dos colonos; uniram-se e resolveram empreender uma ação enérgica de defesa.

Morte trágica do Menino Diabo

Viajando o Menino Diabo com um grupo de seus homens, certo dia, de Dois Irmãos a Hamburgo Velho, esbarrou, nas imediações desta localidade, no lugar denominado Taimbé do Grehs, com um piquete de governistas, comandados por Bento Manoel. Na companhia destes se encontrava, entre outros colonos, um velho soldado que servira no exército de Napoleão I e residia nos fundos da Picada Dois Irmãos; era João Mombach.

As pressentir os inimigos, o chefe revolucionário e seus homens se esconderam no mato, à beira da estrada, e começaram a fazer fogo contra os adversários. O Menino Diabo foi reconhecido, ao dar ordens, pelo velho Mombach. Este mandou atirar no homem escondido atrás duma árvore. Logo em seguida ouviram-se gritos de dor. Um homem de constituição robusta, correu rumo ao ferido e, agarrando-o, pôs-se a fugir. Nova salva de tiros prostra morto o fugitivo e a carga e aprisionada.

Era o famigerado Menino Diabo que caíra preso.

Um colono de nome Dienstmann, também do destacamento de Bento Manoel, agarrou o ferido e amarrou-o na garupa do seu cavalo, levando-o para Dois Irmãos.

Sendo já muito tarde, naquele dia, para ser levado a São Leopoldo o chefe aprisionado, foi ele encerrado naquele povoado, numa casa à cuja porta alguns colonos montaram guarda.

Naturalmente a prisão do célebre Menino Diabo se espalhou por toda aquela zona, com incrível rapidez.

Altas horas da noite, apareceu um numeroso grupo de inimigos do prisioneiro e reclamou a sua entrega.

Satisfeita a exigência, obrigaram o infeliz a abrir com suas próprias mãos uma sepultura onde, após terríveis martírios, ainda vivo o enterraram.

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