Foto do centro de Pareci Novo, em 2012: o seminário é o grande conjunto de prédios situado entre o lago e a igreja Arquivo/FN

Carlos Barreto, pesquisador especialmente dedicado à história da Igreja Católica no Vale do Caí, destaca a importância do Seminário do Pareci Novo.

O padre Amstad, que nasceu na Suíça mas viveu a sua fé no Brasil e deu inestimáveis contribuições para o progresso do país. Foi ele que criou o cooperativismo de crédito no Brasil, criou associações, revistas, introduziu a soja no Brasil e contribuiu muito para a melhoria de vida do povo nas regiões de colonização alemã.

Ele foi padre no Caí e criou na cidade o núcleo inicial do que é hoje o Hospital Sagrada Família. Mas sua atuação como sacerdote se estendia por grande parte da região do Vale do Caí, que ele percorria em lombo de burro, rezando missa e dando assistência aos fiéis em dezenas de localidades.

Há 126 anos, no dia 6 de janeiro de 1893, logo após uma missa que rezou em Santos Reis (no interior de Montenegro), ele decidiu construir um seminário no Pareci Novo. O padre Amstad pensou em aproveitar, para isto, a casa grande da fazenda de Juca Inácio Teixeria, que estava em processo de desativação. Amstad era um visionário. Queria o nivelamento social dos povos de origem lusa, germânica e italiana. Segundo o historiador da UNISINOS Arthur Rabuski, Amstad conseguiu fazer mais pelos colonos alemães e italianos e menos pelos lusos devido à grande desigualdade econômica que existia entre os fazendeiros e seus peões.

O padre conseguiu o seu intento, transferindo o seminário que já existia no Caí, funcionando em acanhadas instalações, para o amplo prédio do Pareci Novo. E ali o seminário funcionou por cem anos.

Neste período, formaram-se centenas de sacerdotes e também pessoas que acabaram desistindo da vida sacerdotal mas contribuíram de outra forma para o desenvolvimento do estado e do país. Um bom e exemplo disto é Balduino Rambo.

O padre Balduino Rambo, natural da localidade de Morro da Manteiga, em Tupandi, foi o maior botânico que o Rio Grande do Sul já teve. Seu livro Fisionomia do Rio Grande do Sul é a mais importante obra já produzida a respeito das plantas, animais, geologia e paleontologia do estado. Foi professor da cadeira de Antropoligia na UFRGS e o idealizador do Zoológico de Sapucaia, considerado o maior do mundo.

Vários dos sacerdotes formados no Seminário de Pareci Novo tornaram-se bispos, exercendo grande influência sobre os destinos da Igreja Católica brasileira. É o caso de Dom José Baréa, Dom Luis Scortegna, Dom Alonso Mello, Dom Henrique Froelich e Dom Agostinho Kist.

O Seminário de Pareci Novo teve importância fundamental para a criação da Universidade do Vale do Sinos, UNISINOS, uma das maiores e melhores instituições de ensino superior do país e do mundo. Tanto que cinco reitores desta universidade foram seus alunos. Cerca de trezentos ex-alunos tornaram-se padres ou irmãos.

Grandes empresários e profissionais das mais variadas áreas de atividade tiveram a sua formação no Seminário de Pareci. Exemplo disto são três empresários do próprio município que tiveram importante papel no desenvolvimento da floricultura. Também é notável a contribuição que ex-alunos dão a iniciativas comunitárias ajudando escolas, hospitais, orfanatos e corais.

E, por fim, cabe salientar o grande número de educadores que tiveram a sua formação no Seminário de Pareci Novo. Muitos deles estão hoje espalhados por vários municípios e estados brasileiros e se conhece até o caso de um professor, Vendelino Lorscheiter, que trabalha numa universidade do Japão.

A região deve muito da sua prosperidade a este Seminário. O irmão Theobaldo Braun, que é natural de Bela Vista, Bom Princípio, foi professor do seminário e ali iniciou a produção comercial de flores no sul do país. Não é por acaso, portanto, que Pareci Novo é hoje a capital da floricultura no Rio Grande do Sul.

Por tudo isto, o Seminário desempenhou papel fundamental no progresso do Rio Grande do Sul e o seu valor foi reconhecido com o tombamento do prédio que o padre Amstad mandou construir sob a coordenação do engenheiro Grünewald.

Com a anuência do proprietário do prédio foi iniciado, em 8 de outubro de 1999, um longo e trabalhoso processo que resultou finalmente na aprovação do Projeto de Preservação. Com a aprovação de todos os deputados presentes, a Assembléia Legislativa aprovou o projeto apresentado pelo deputado Paulo Azeredo. E, em 24 de junho de 2003, a lei foi sancionada pelo governador.

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