O vapor Corvo, depois transformado no fatídico Horizonte Arquivo/FN

Barcos grandes mantinham linhas regulares de navegação entre Porto Alegre e o Caí, mesmo nos meses mais secos, quando o rio estava baixo. Até a década de 1930, o modo mais utilizado pelas pessoas para viajar do Caí a Porto Alegre era o barco a vapor.

Foi só na década de 40, com as melhorias feitas na estrada até São Leopoldo, que o ônibus se tornou mais prático, rápido e econômico. E os barcos começou a se tornar obsoleta. Na década de 50, quando a RS-122 foi asfaltada até o Caí, a navegação começou a morrer.

Os barcos grandes conseguiam subir o rio até o Caí por dois motivos. Em primeiro lugar, havia uma barragem no Pareci, com comportas que permitiam a passagem dos barcos e elevavam o nível do rio no trecho entre o Pareci e o Caí. Além disto, era feito um trabalho constante de dragagem do rio, retirando a areia que se acumulava no seu leito.

Com a queda da navegação provocado pelo asfaltamento das estradas, a barragem foi abandonada e acabou ruindo. E a dragagem deixou de ser feita. E assim o rio ficou raso e a navegação com barcos grandes até o Caí tornou-se impossível.

Velhos tempos

Nos tempos áureos da navegação, muitos barcos (vapores e gasolinas) percorriam o rio até ancorar no porto de São Sebastião do Caí. E, entre eles, o que mais se destacava era o vapor Horizonte. Ele era grande – o maior de todos – e além de transportar passageiros servia também para rebocar chatas (até três, algumas até maiores que o Horizonte) nas quais eram levadas cargas. Estas chatas eram dotadas de leme e precisavam de um piloto que as dirigisse, mantendo a sua direção correta, pelo canal do rio. Assim, o comboio composto pelo vapor e as duas ou três chatas que rebocava podia contornar as curvas do rio.

Foi com o Horizonte que aconteceu a maior tragédia na história da navegação no rio Caí. O fato ocorreu no dia 6 de Junho de 1923, alguns quilômetros rio abaixo em relação a Montenegro. A caldeira do vapor explodiu, destruindo o barco completamente. Corpos foram jogados a grande distância.

O resultado da tragédia foi a morte de 12 pessoas e outras seis feridas. O vapor Horizonte pertencia à empresa de navegação Kayser & Cia Erig.

Estes fatos dão uma ideia de como foi a intensa navegação no rio Caí naquela época.

Atualmente estuda-se a possibilidade da retomada da navegação no Caí, para levar os produtos da região até o super porto de Rio Grande.

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