Os jesuítas escolheram a região de São Pedro e Salvador por estar junto à estrada de ferro e no limite entre as regiões de colonização alemã e italiana para a construção de um grande seminário em 1934. Arquivo Felipe Braun Kuhn

Com o grande movimento provocado pela sua estação ferroviária, Salvador do Sul cresceu, deixando São Pedro em situação secundária. Mesmo assim, a existência da estrada veio a favorecer muito o desenvolvimento de toda a região, inclusive São Pedro, ao facilitar o escoamento da sua produção. Com o tempo, os caminhões e as rodovias foram melhorando e a estrada de ferro – estatal e mal administrada – foi perdendo terreno na competição pelo transporte de pessoas e de cargas. E assim, em 1960, a estrada de ferro foi desativada.

Nos seus quarenta anos de atividades, entretanto, a estrada de ferro teve papel fundamental no desenvolvimento das localidades de Salvador e São Pedro. Graças à ferrovia, os produtos da terra eram mais facilmente transportados para cidades como Porto Alegre, São Leopoldo, Montenegro e Caxias do Sul. Com isto eles se tornavam mais competitivos e valorizados.

A existência da estrada de ferro favoreceu, também, a atração de novos empreendimentos para as localidades. Assim foi com a monumental construção do seminário jesuítico, iniciada em 1934. Os jesuítas escolheram a região de São Pedro e Salvador por estar junto à estrada de ferro e no limite entre as regiões de colonização alemã e italiana. Estas duas colônias eram, naquela época, as grandes fontes de jovens com vocação sacerdotal. Por fim, o padre Francisco Murmann, que foi encarregado da escolha das terras para a construção optou pelas que eram pertencentes ao colono Pedro Hummes. Pesou o fato delas serem próximas à estação da estrada de ferro. O que facilitou muito a própria construção do prédio.

Denominado Colégio Santo Inácio, o seminário foi construído com tijolos trazidos de uma olaria situada em São Leopoldo. O trem que passava de manhã, vindo de Porto Alegre com destino a Caxias do Sul, deixava na Estação São Salvador um dos seus vagões carregado com tijolos. Em algumas horas de trabalho os padres jesuítas e seus ajudantes descarregavam o vagão, levando os tijolos para o local da obra em um caminhão. Ao fim da tarde, quando o trem retornava de Caxias do Sul, levava o vagão vazio de volta para a olaria em São Leopoldo.

Em janeiro de 1937 o seminário recebeu a sua primeira turma de alunos. Os alunos do seminário de Pareci Novo foram para lá transferidos e assim, logo no primeiro ano, alunos do novo seminário foram ordenados sacerdotes. Nas décadas de 40 e 50 milhares de alunos passaram por aquele colégio. Mas, a partir de 1960, com a extinção da linha ferroviária, o local deixou de ser o mais indicado para o funcionamento do colégio formador de sacerdotes. Em 1990 o seminário encerrou definitivamente as suas atividades.

Da mesma forma, São Pedro e Salvador do Sul passaram por fase difícil no seu desenvolvimento depois que o trem deixou de passar por ali. A estrada Buarque de Macedo (atual RST 470), que na época não era asfaltada e tinha condições precárias, voltou a ser o principal meio de comunicação com o resto do mundo.

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