Tupandi em 2018: O primeiro morador da área onde hoje está o município se chamava Salvador Alves da Rosa Reprodução/FN

As origens de Tupandi foram objeto de um minucioso estudo realizado pelo Monsenhor Ruben Neis, que conseguiu determinar quem foi o primeiro morador das terras hoje pertencentes ao município.

Seu nome era Salvador Alves da Rosa e as terras foram concedidas a ele, pelo governo, junto a um arroio chamado Pinhalzinho. Estas terras, medindo um quarto de légua em quadro (o equivalente a 272,5 hectares), foram concedidas a Salvador em 21 de abril de 1823. Época em que o Vale do Caí, em grande parte, era ainda coberto por matas nativas.

O avanço dos homens brancos na região foi se dando lentamente. Trinta anos antes, Bernardo Mateus já havia se estabelecido nas margens do rio Caí, no lugar onde hoje se situa a cidade de São Sebastião do Caí. E, pelo início do século XIX, vários outros elementos de origem portuguesa ganharam concessões de terras junto às margens do mesmo rio

Salvador da Rosa

A Salvador da Rosa não foi concedido o privilégio de receber terras junto ao Caí. Sua propriedade ficava mais afastada e era banhada pelo tal arroio Pinhalzinho. Com o tempo, já que Salvador morava às suas margens e navegava por ele, o arroio passou a ser conhecido como arroio do Salvador. E, mais tarde, recebeu o nome de arroio São Salvador, pelo qual é conhecido até hoje.

Segundo apurou Ruben Neis, Salvador Alves da Rosa nasceu em São Francisco de Paula de Cima da Serra (atual município de São Francisco de Paula, no nordeste do estado). Era filho de Inácio da Rosa e Maria Alves. Por volta de 1810 ele foi morar em Capela do Rio dos Sinos (atual Capela de Santana).

Ele ainda era rapaz quando fixou-se nas terras hoje pertencentes a Tupandi. E ali ele se dedicava a extrair madeira das matas para, com elas, confeccionar gamelas e canoas. O Vale do Caí dispunha, na época, de muita madeira boa (madeira de lei) e um bom número de pessoas veio se estabelecer por ali naquela época para extrair madeira das matas e depois levá-la para Porto Alegre, onde podia ser vendida por bom valor. O transporte era fácil, pelo rio Caí, que vai desaguar no estuário do Guaíba, bem perto da capital rio-grandense. Assim, durante o século XIX, muita madeira do Vale do Caí foi usada nas construções de Porto Alegre, que cresceu bastante naqueles anos. Sua população, que era de 3.927 habitantes em 1803, subiu para 6.111 em 1814, para 18.465 em 1858 e 34.183 em 1872.

A herança de Salvador

Em 1814 a família Feijó recebeu do governo a doação de uma área no local onde hoje situa-se a cidade de Bom Princípio e constou do documento de doação destas terras que o local era conhecido como Serrarias. O que dá bem uma idéia da atividade extrativa que ali se desenvolvia já naquela época.

A madeira de lei era extraída de árvores centenárias e, por isto, apresentava extraordinária resistência e durabilidade. Madeiras assim, que hoje são raras, então existiam abundantemente. E, por isto, eram usadas para as mais variadas finalidades. Na casa que Salvador possuía na sua propriedade, as telhas eram feitas de madeira.

Este primeiro tupandiense casou, em 18 de dezembro de 1821, com Clara Maria da Glória. Ela era viúva de Tomaz José Bueno, mas não tinha filhos do primeiro casamento e nem veio a tê-los com Salvador.

O casal conseguiu uma certa prosperidade, conforme se pode constatar no inventário feito por ocasião da morte de Salvador Alves da Rosa. Foram relacionados no documento uma casa, quatro escravas, dois escravos, 40 rezes de criar, oito bois mansos, um carro velho e uma carreta velha.

Salvador morreu no dia 28 de julho de 1852, em Taquari, durante uma viagem que fez àquela vila. Sua esposa, Clara Maria da Glória, faleceu 27 anos mais tarde, com a idade de 70 anos. Ela, então, morava em Porto Alegre.

Em seu testamento Maria da Glória determinou que, depois da sua morte, dava como libertos os seis escravos que possuía. Ela tinha uma filha adotada que se chamava Maria da Gloria de Oliveira, que foi adotada como “criancinha exposta”. Isto quer dizer que a menina havia sido deixada pela mãe, quando pequena, numa instituição de caridade para ser adotada por alguém.

A paróquia de Tupandi foi criada no ano de 1873 e no seu primeiro livro de Registros Paroquiais consta que até 1855 havia somente mata virgem no lugar onde foi cosntruída a igreja (a atual cidade de Tupandi). E consta também deste livro que o lugar recebeu o nome de São Salvador devido ao arroio do mesmo nome que existe por ali. E afirma ainda que o nome do arroio provinha do antigo proprietário das terras, “um certo luso-brasileiro de nome Salvador”.

O nome Salvador

No ano de 1856, as terras que pertenceram a Salvador Alves da Rosa já haviam sido adquiridas por Roberto Landell, um irlandês radicado no Brasil que foi avô do famoso padre Landell de Moura, autor de prodigiosas invenções (inclusive o rádio), que não teve o seu mérito reconhecido em vida.

Por muitos anos a vila que deu origem à atual cidade de Tupandi foi conhecida como São Salvador. Perto dali, no alto da serra, surgiu uma outra povoação colonizada por descendentes de alemães, que recebeu o nome de Kappesberg.

Quando foi construída a estrada de ferro ligando Montenegro a Caxias do Sul, foi instalada uma estação de parada dos trens no povoado de Kappesberg. E, por ser este local próximo à já importante localidade de São Salvador, o povoado passou a ser chamado de Estação São Salvador. Com o tempo, o povoado foi se tornando maior do que a antiga sede da paróquia e acabou se transformando em vila, com o nome de São Salvador e, mais tarde, cidade, passando a denominar-se Salvador do Sul.

Enquanto isto, a localidade original, às margens do arroio São Salvador, passava a ser conhecida pelo povo como Salvador Antigo. Ou, para ser mais exato, Alt-Salvador, já que a língua falada pelo povo do lugar na época era o alemão. Em 1939 o nome da velha vila de São Salvador passou a ser Natal e, depois, em 1945, recebeu o nome de Tupandi. Conforme salienta o monsenhor Ruben Neis, todos estes nomes guardam relação entre si e se originam do nome do primeiro morador.

O nome Salvador refere-se a Jesus Cristo, assim como São Salvador. Natal também faz referência ao nascimento de Cristo, o santo salvador. E, por fim, Tupandi significa (na linguagem dos indígenas) luz de Deus. E Cristo foi a luz que Deus mandou à terra para iluminar a humanidade, ou seja, o Salvador.

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