Empresário extraordinário, A. J. Renner destacou-se também como político Reprodução/Internet

Quando o governo imperial brasileiro promoveu a vinda de imigrantes alemães para a província do Rio Grande, o propósito era dar terras a eles e transformá-los em agricultores. Havia ainda a necessidade de ocupar as terras nesta província, que continuava sendo quase um deserto e sofria ameaça de ocupação pelos vizinhos castelhanos. Viviam aqui, em 1824, aproximadamente 100 mil habitantes. Entre 1824 e 1830, vieram para o Rio Grande cerca de 5.000 imigrantes, quase todos alemães. E eles, de fato, ganharam terras do governo e começaram suas vidas no Brasil praticando a agricultura. Em poucos anos a produção agrícola do Rio Grande do Sul deu um salto, graças a superioridade tecnológica do imigrante, que vinha de um país muito mais adiantado. Mas a Alemanha, já naquela época, não era um país eminentemente agrícola. Sua população já apresentava os pendores para a indústria e o comércio que a transformariam – meio século depois – numa das maiores potências econômicas do planeta.

Muitos dos colonos eram sapateiros, outros eram marceneiros, outros eram navegadores e fabricantes de barcos. Logo eles começaram, também no Brasil, a desenvolver atividades diferentes da agricultura. E nestas também se destacaram. Na primeira metade do século XX a economia ainda não era tão globalizada – não haviam multinacionais instalando fábricas em lugares remotos como o Rio Grande do Sul – e o governo brasileiro ainda não havia se intrometido na economia com suas empresas estatais. Eram, então, os descendentes de colonos alemães que lideravam o progresso econômico no Rio Grande do Sul. A imigração italiana era muito recente e os seus colonos ainda estavam numa fase inicial da acumulação de capital que viria a propiciar o seu atual esplendor industrial. Já os colonos alemães, que chegaram 100 anos antes, haviam tomado impulso e pontificavam na indústria e no comércio, tanto em Porto Alegre como em núcleos coloniais do interior, como o Vale do Sinos, Santa Cruz do Sul e São Sebastião do Caí.

Nesta época já se destacavam empresas como a caiense Oderich (fundada em 1908) e a Metalúrgica Gerdau (que surgiu em 1901, em Porto Alegre, como uma fábrica de pregos fundada por João Gerdau) e também a VARIG (fundada em 1927 por Otto Ernst Meyer). Todas conduzidas por descendentes de imigrantes alemães. A colônia contava, inclusive, com um banco próprio: o Pfeifer.

As lojas Incosul, as empresas Frederico Mentz e Nicolau Ely, além da cervejaria Ritter (todos originários do Vale do Caí) figuravam entre as maiores empresas de Porto Alegre na primeira metade do século XX. Mas nenhuma delas destacou-se tanto como as empresas de Antônio Jacob Renner, o A. J. Renner. Em meados do século XX, o grupo Renner, criado por Antonio Jacob, atuava nos mais variados setores: indústria têxtil, de confecções, de tintas e vernizes, de feltro, curtume, de máquinas de costura, porcelanas e artefatos de cimento, além do comércio. Ele foi também o criador do Centro das Indústrias Fabris do Rio Grande do Sul, que serviu de modelo para a criação da FIERGS e da Confederação Nacional da Indústria.

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