Além da igreja e da escola, os colonos alemães cuidavam logo de fundar uma sociedade em qualquer lugar onde chegassem Arquivo/FN

O território do atual município de Harmonia fazia parte da Fazenda Pareci, assim como o do município de Tupandi. Matas fechadas cobriam estas terras situadas junto à margem direita do rio Caí. Matas pelas quais vagavam os índios nômades e os animais selvagens e perigosos como a onça. Razão pela qual esta região foi povoada mais tarde do que outras no estado onde predominavam os campos. Capela de Santana, por ser zona de campos, foi a primeira povoação surgida no Vale do Caí, em meados do século XVIII.

Foi só em 1855 que se fixaram os primeiros colonos nas terras onde hoje se situa Harmonia. Neste ano, por decisão do dono da grande Fazenda Pareci, Juca Inácio Teixeira, dois colonos de São José do Hortêncio venderam lotes de terras para agricultores daquela mesma localidade. Os nomes destes antigos “corretores imobiliários” eram Pedro Kuhn e Pedro Heck. Em Hortêncio, a colonização alemã havia começado 27 anos antes e os filhos dos primeiros imigrantes ali chegados já estavam crescidos e precisando de novas terras para cultivar. Daí o motivo pelo qual eles se dispuseram a comprar terras e ir residir nas selvas do Vale do Caí.

Pioneiros enfrentam a mata
Os primeiros colonos de Harmonia foram Pedro Kuhn, Nicolau Heck, João Hartmann, Matias Rockembach, Adão Fink, Eduardo Grünewald, Domingos Hilgert e Jacó Jung. Em seguida chegaram outras famílias, como Berwanger, Nedel, Simon, Diehl e Kenze.

O padre Bruno Metzen, que pesquisou a história de Harmonia e escreveu um livro sobre o município, descreve assim a vida destes primeiros colonos:
“Encontraram mata nativa e solo fértil. Começaram logo a desbravar. Era preciso derrubar, serrar madeira, abrir picadas (trilhas no meio do mato), preparar roças, construir casas. Começaram a produzir. Era difícil vender a produção, comprar alimentos e vestuário etc. Serviam-se do porto de São Sebastião do Caí, que distava cerca de oito quilômetros. Vida difícil, sacrificada. Mas eles queriam vencer todos os obstáculos.”

Em 1855, quando os pioneiros chegaram em Harmonia, nem mesmo o Caí chegava a ser uma vila. Havia por lá apenas alguns moradores e o lugar era conhecido como Porto do Mateus ou Porto dos Guimarães. O Caí começava a ganhar alguma importância porque havia sido aberta uma estrada precária ligando-o a São José do Hortêncio, esta sim uma vila já bastante povoada. O Caí começou a crescer pelo fato de ser o porto pelo qual os colonos de Hortêncio passaram, então, a escoar a sua produção destinada a Porto Alegre. Esta mesma estrada serviu de caminho para que os jovens de Hortêncio seguissem o caminho da colonização nas matas ainda virgens do Vale do Caí.

A igreja e a escola
No ano de 1873 os colonos fixados nas terras onde hoje fica Harmonia já eram em maior número e construíram uma modesta capela de madeira na qual os padres jesuítas de Tupandi iam, de quando em vez, rezar missa e celebrar os demais ritos da fé católica.

Como se vê, naquelas primeiras décadas, o núcleo colonial de Tupandi se desenvolveu mais que o de Harmonia.

A igreja foi, certamente, muito importante para que, em torno dela, fosse surgindo a povoação que veio a chamar-se Harmonia. Igualmente importante foi a implantação da primeira escola, ocorrida em 1888. Era uma escola paroquial, mantida pela comunidade local. Foi dada a ela o nome de Sagrado Coração de Jesus. Um professor apenas cuidava do ensino das crianças, sendo dada muita importância ao ensino religioso.

O primeiro professor foi João Becker, pai do arcebispo Dom João Becker. Depois dele, foram professores desta mesma escola Francisco Hilgert, Bernardo Petry, Jacó Bremm, José Dier, Tiago Wurth, Reinaldo Bohn, José Werlang, João Seibel, João Wendling, Fritz Kinken, Ortvino José Bohn, Bernardo Griebler e Bertoldo Rambo. Esta escola evoluiu até transformar-se no grande Colégio Sagrado Coração de Jesus, que hoje proporciona ensino até o segundo grau completo.

Além da igreja e da escola, os colonos alemães cuidavam logo de fundar uma sociedade em qualquer lugar onde chegassem. E isto aconteceu, em Harmonia, no ano de 1882, com a fundação da União São João.

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