Os imigrantes tiveram papel importante na construção do Rio Grande do Sul Reprodução/FN

José Adalíbio Fell, pesquisador da imigração alemã, sintetiza aqui os primeiros esforços empreendidos pelo governo brasileiro para atrair colonos alemães para o país.

“Antes do major Schaeffer recrutar emigrantes germânicos para colonizar o extremo sul do pais, já haviam chegado casais suíços, em 1818, para Nova Friburgo, ao norte do Rio de Janeiro, onde mais tarde, em 1823, ainda se juntariam mais 334 alemães provenientes de Rheinhessen. No sul da Bahia, junto ao rio Peruípe, foi fundada a colônia Leopoldina, como uma homenagem à imperatriz. Entre os anos de 1821 e 1822 surge a colonização de São Jorge dos Ilhéus, na Bahia. Por último, o major Schaeffer criou a colônia de FrankenThal, próximo à colônia Leopoldina, em homenagem a sua origem da Francônia, região histórica da Alemanha, hoje quase totalmente englobada pela Baviera. Contudo, todas elas não tiveram êxito, devido tanto ao clima como aos costumes locais, bem diferentes de sua pátria-mãe, a Alemanha.

Foi somente a partir de 25 de julho de 1824 que chegaram os primeiros imigrantes para povoar e colonizar o solo gaúcho. A maioria destas famílias provinha de povoados do sudoeste da Alemanha, próximo à França, onde aconteciam freqüentes incursões de tropas napoleônicas e onde reinava muita pobreza.

Tudo era difícil e demorado; eles embarcavam pelos portos de Hamburg, Bremen ou Lübeck, em veleiros de três mastros até o porto do Rio de Janeiro. Levavam em média 90 dias de viagem, pois dependiam da providência, da sorte e da contribuição da força dos ventos e das correntes marítimas. Durante a longa jornada pelo mar, muitos fatos lamentáveis aconteciam, pois, de acordo com a índole do capitão do navio, a alimentação podia ser racionada; podia faltar água potável; a sujeira podia se acumular no convés e nos porões da embarcação; ratazanas e insetos podiam se multiplicar e também bactérias e vírus se alastrar. Além disso, devido à demora da travessia oceânica naquela época, em quase todas elas acontecia todo tipo de comportamento da natureza humana, como o prodígio do nascimento de bebês ou o infortúnio de vários óbitos cujos corpos, como de costume, eram jogados ao mar.”

A vinda dos colonos alemães

O pesquisador José Adalíbio Fell faz um resumo do que foi a vinda dos primeiros colonos:

“O primeiro porto seguro era o Rio de Janeiro, onde os colonos tinham então que se identificar e, após isso, descansar alguns dias enquanto aguardavam uma embarcação costeira que os levaria ao sul, até o porto de Rio Grande. Portanto, desciam desde o Rio de Janeiro junto à costa, em veleiros menores; como o bergantim que possuía dois mastros, tendo cada mastro duas velas; como o brigue, com duas velas mais altas; como a escuna, embarcação pequena com dois mastros e vela retangular; ou ainda como a sumaca, um veleiro pequeno de dois mastros.

Assim que alcançavam o cais do porto de Rio Grande, descarregavam toda tralha, a espera ainda de outra embarcação, agora um barco a vapor, que os conduziria pela Lagoa dos Patos até a cidade de Porto Alegre, a capital do Estado. Então, novamente, o Fundo Documental de Colonização identificava todos os passageiros para averiguar sua procedência, o número de familiares, a profissão e a religião.

De Porto Alegre, as famílias faziam nova viagem, onde seguiam em lanchões pelo rio dos Sinos, empurrados com varas de madeira resistente, até o povoado de São Leopoldo, onde após eram conduzidos para o casario da antiga fazenda do Linho Cânhamo. Nesta hospedagem, freqüentemente, ficavam aguardando, durante meses, até finalmente receberem as terras do governo imperial, as quais viriam a serem doadas aos imigrantes até o ano de 1854. Recebiam ainda um soldo para a sobrevivência inicial, mais implementos agrícolas e sementes para iniciarem a limpeza da área e o plantio da primeira colheita.”

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