A.J. Renner nasceu nessa casa, em Alto Feliz Arquivo Fato Novo

Os municípios do Caí e de Alto Feliz podem se orgulhar de haver sido o berço do maior líder empresarial que o Rio Grande do Sul já teve (não colocando nesta competição Jorge Gerdau Johannpeter que, por estar ainda muito vivo e ativo, não é ainda uma figura histórica).

O nome do grande empresário era Antônio Jacob Renner, mas o Rio Grande do Sul o conheceu como A.J. Renner. E foi, também, um líder político e ser humano de méritos inquestionáveis. Renner nasceu na localidade de Alto Feliz, que então pertencia ao município do Caí, e foi no Caí que começou suas atividades empresariais. A maioria dos alto-felizenses e dos caienses ainda desconhece que uma figura histórica tão destacada nasceu no seu município.

O pai de A.J. Renner se chamava Jacob Renner e era um construtor de moinhos. Ele nasceu em Bom Jardim (hoje Ivoti) e casou com Clara Fetter, cuja família morava em Alto Feliz. O pai de Clara foi o Capitão Fetter, que participou da Revolução Farroupilha. Jacob e Clara moravam em Alto Feliz quando, em 7 de maio de 1884 nasceu o seu filho Antônio Jacob. Pouco tempo depois o casal mudou-se para Montenegro, onde Jacob começou um negócio de fabricação de banha que veio a se transformar depois no Frigorífico Renner, um dos maiores produtores de fiambres do estado. O grande prédio do frigorífico, agora desativado, ainda existe hoje, junto ao porto de Montenegro.

Em 1915, Antônio Jacob Renner, mais conhecido como A.J. Renner, implantou uma grande fábrica em Porto Alegre para atender aos numerosos pedidos do novo produto (capas de chuva das marcas Ideal, Oriental e Colonial). Assim, infelizmente, o Caí deixou de contar com a presença deste grande empreendedor, que prosseguiu sua extraordinária carreira na capital. Além de produzir o tecido e confeccionar as capas, A.J. passou também a atuar no comércio, surgindo assim as lojas Renner que hoje ocupam lugar de grande destaque no setor de confecções, a nível nacional.

Com extraordinário dinamismo, A.J. desenvolveu várias outras atividades industriais, criando as tintas Renner, a cerâmica Renner e até as máquinas de costura Renner. E ele foi ainda deputado e autor de centenas de artigos publicados em jornais.

Nas suas empresas, A.J. praticava uma avançada política de relações com os funcionários. Por iniciativa própria, ele diminuiu a jornada de trabalho para oito horas diárias e deu aos seus funcionários várias outras vantagens que as leis da época não exigiam. Ele influiu sobre Lindolfo Collor (ministro do trabalho de Getúlio Vargas) para que este criasse a moderna legislação trabalhista que levou os funcionários das demais empresas brasileiras a gozar dos mesmos direitos que os funcionários do grupo Renner já usufruíam. O grupo empresarial criado por A. J. Renner chegou a empregar mais de seis mil pessoas.

Antônio Jacob Renner, foi um empresário e político brasileiro e o fundador da Lojas Renner, uma das maiores redes varejistas gaúchas de vestuário
Reprodução/Internet

O grande líder empresarial morreu em Porto Alegre, no dia 27 de dezembro de 1966, aos 82 anos. O historiador Walter Spalding referiu-se a ele como sendo “o grande mestre de economia, de trabalho, de iniciativas, de progresso, de ânimo, de energia, de cooperação e de coragem cívica, social e industrial”.

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