João Guilherme Winter sobreviveu no naufrágio do navio Cecília na Europa e lutou na Revolução Farroupilha antes de liderar a colonização de Bom Princípio Reprodução/Internet

Segundo os registros feitos na sua chegada ao Brasil, João Guilherme Winter nasceu na Alemanha, em 7 de maio de 1807. Pesquisa recente realizada pelo professor Jacinto José Klein apurou, no entanto, que Guilherme Winter, batizado na Alemanha como Wilhelm Winter, nasceu em 13 de março de 1806, na comunidade de Klüsserath, cidade de Schweich, Alemanha. Filho dos cônjuges Philipp Winter e Irmina, nascida Welter, que faleceu em São José do Hortêncio, no dia 30 de junho de 1857. Wilhelm foi batizado na Paróquia Católica Rainha do Rosário, em Klüsserath, tendo como padrinhos de batismo Wilhelm Follmann e Irmina Thull, os dois igualmente dessa comunidade. Hoje ainda vivem pessoas com o sobrenome Winter naquela comunidade. A pesquisa dos antepassados de Wilhelm Winter chegou até os anos de 1600.

A chegada de João Guilherme a São Leopoldo ocorreu em 14 de maio de 1829, quando ele tinha 22 anos. Veio acompanhado da mãe, Hermínia, e dos seus irmãos mais novos Jacó, Bárbara e Felipe. Foi uma viagem tumultuada, pois o navio Cecília, no qual saíram da Alemanha, naufragou logo no início da viagem. A maioria dos passageiros foram salvos, mas tiveram de permanecer na Inglaterra por dois anos até conseguirem a continuação da viagem num veleiro inglês. Seu pai, Felipe, morreu na fase final da viagem, no trajeto entre o Rio de Janeiro e Rio Grande. Guilherme, sua mãe e irmãos estabeleceram-se inicialmente em São José do Hortêncio.

João Guilherme participou da Revolução Farroupilha, lutando do lado do Império, contra os revolucionários farroupilhas. Mas desertou e, por isto, sofreu represálias. Em 1844 o Major Kersting solicitou a Hillebrand (comandante geral dos colonos alemães de São Leopoldo que ficaram do lado do Império) que o mantivesse preso na sua casa, em Hortêncio, onde ele deveria ficar quieto. Foi na época da revolução que ele conheceu a viúva Feijó, que vivia na região do atual município de Canoas. E foi desta viúva que ele adquiriu as terras que veio depois a lotear, dando início à colonização de Bom Princípio.

João Guilherme casou com Elisabeth Müller e o casal teve, pelo menos, nove filhos. A sua morte ocorreu em Bom Princípio em 5 de junho de 1890, aos 83 anos. Uma idade difícil de atingir naquela época, quando a medicina era bem menos avançada. Depois da sua juventude bastante agitada (com o naufrágio e a revolução) e de uma maturidade bastante profícua (quando foi o grande responsável pela criação da nova colônia de Bom Princípio), João Guilherme viveu seus últimos 30 anos de forma discreta.

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