Ao chegarem na região, os alemães se depararam com grandes áreas de mata virgem com índios e onças Reprodução/Internet

Hoje em dia já não se fala mais, mas quem tem mais idade se lembra de uma expressão que era muito usada antigamente. Quando as pessoas se referiam a algo que existia em grande abundância e que, por isto, não tinha muito valor, diziam que “isto por aqui é mato”.

A expressão, no passado, fazia muito sentido pois na nossa região, assim como em quase todo o território brasileiro havia mato virgem em abundância.

Quando os primeiros colonizadores vieram povoar o Rio Grande do Sul, lá por 1710, preferiram se instalar nas áreas de campo, primeiro no litoral e depois no sul do estado, onde podiam criar gado. No Vale do Caí, apenas os atuais municípios de Capela de Santana e parte de Montenegro (por serem áreas de campos) foram colonizados nesta primeira fase (a partir de 1740)..

As áreas do Caí, Bom Princípio, Feliz, Hortêncio e municípios vizinhos eram quase totalmente cobertas pelo mato. E estes matos permaneceram, ainda por décadas, dominados pelos índios que viviam por ali, sem se fixarem a algum lugar, vagando sempre na sua existência nômade.

Aos poucos, alguns colonizadores lusos foram chegando. Eram pioneiros como Bernardo Mateus, que fixou-se no local onde existe a cidade do Caí, por volta de 1790; Francisco José Veloso (mais conhecido pelo apelido de Ferro Meco), chegado à região de Bom Princípio em 1820, e Salvador Alves da Rosa, que chegou também na década de 1820, fixando-se no atual município de Tupandi. Estes últimos têm a sua lembrança preservada até hoje na região: um no nome do arroio Forromeco, às margens do qual ficavam suas terras e outro no nome do município de Salvador do Sul.

Bem no início estes colonizadores lusos exploravam a caça e outras riquezas extraídas da mata, inclusive a madeira. Eles procuravam conviver com os índios e faziam trocas comerciais com eles. Suas lavouras eram poucas, pois eles não tinham muita disposição para o trabalho agrícola. Também pelo fato deles serem em pequeno número a derrubada de mato que e chegaram a fazer foi praticamente insignificante e, por isto mesmo, não incomodava os índios.

A partir de 1824 começaram a vir os colonos alemães. E estes, além de serem em grande número, tinham enorme disposição para o trabalho agrícola. Com notável laboriosidade, os colonos passaram a derrubar o mato (um trabalho extremamente desgastante naquele tempo em que ainda não existia a moto-serra) e a implantar as suas lavouras. Com isto, os índios se sentiram agredidos, pois eles dependiam das matas para delas extrair os seus alimentos. Eles até tentaram extrai-los das roças dos colonos, mas então foram rechaçados a tiro. Daí o conflito que chegou a haver – com várias mortes – até que o governo providenciou a transferência dos índios para reservas situadas no norte do estado.

Como os colonos alemães eram muito numerosos, as terras situadas junto à margem dos rios logo se tornaram insuficientes para eles. Foram abertos, então, caminhos no meio do mato para que eles pudessem se embrenhar no meio da selva. Cada família de colono construía inicialmente uma choupana precária à margem deste caminho e e ali passava a morar com a família. Aos poucos ia derrubando o mato ao redor da sua morada para dispor de terra em condições de ser cultivada. E a choupana precária, com o tempo, era substituída por uma casa melhor, geralmente construída com a madeira extraída do mato que ia sendo derrubado. Até o telhado, inicialmente, era feito de pedaços de madeira. Felizmente não faltava para estes colonos madeira de lei, de altíssima qualidade e durabilidade, extraídas de árvores centenárias. Madeiras que hoje se tornaram raras e por isto são muito valorizadas, naquele tempo “era mato”.

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