A cidade cresceu junto ao rio, por causa do porto. Com o tempo, o porto foi desativado mas as enchentes continuaram, contribuindo para criar uma imagem negativa da cidade (foto da enchente de 1928 - barcos em frente à casa que ainda existe hoje, no fim da rua Pinheiro Machado, junto à antiga barca - a estrela pintada na parede da casa parece ser o antigo símbolo da Texaco - provavelmente ali se vendia combustível para os barcos) Arquivo/FN

O asfaltamento da RS-122 poderia favorecer o progresso caiense e até o ajudou, em certos aspectos. Mas teve também um aspecto negativo: o de sepultar definitivamente a navegação até o porto da cidade. Depois da vinda do asfalto, a navegação definhou rapidamente e a cidade sentiu o baque.

Pelos anos 50 e 60 do século XX era uma anedota corrente no Caí a de que uma placa havia sido posta pela prefeitura na entrada da cidade, visando promover o turismo. Nela estava escrito: “Visite o Caí, antes que acabe”.

Em 1982, quando aconteceu na cidade a maior enchente de que se tinha notícia até então, o chargista Clóvis Rambo lembrou da história da placa para fazer sua graça nas páginas do Fato Novo. Desenhou uma plaquinha com a inscrição: “Visite o Caí, antes que afunde”.
Durante a década de 50, a fábrica de conservas Oderich chegou a ficar praticamente desativada. Na década de 60, quando esta retração econômica do município ainda era fortemente sentida, houve um alento para a cidade com a instalação da fábrica de sorvetes e picolés da Kibom. Mas ela acabou sendo motivo de mais desalento, pois a fábrica fechou depois de alguns anos.

O progresso voltou à cidade somente no final da década de 70, com a chegada da fábrica de calçados Eran. Esta fábrica, que era filial de uma indústria francesa, chegou a se desenvolver bastante, mas acabou por desistir dos negócios no Brasil, em poucos anos. Felizmente, vendeu suas instalações para a empresa Vachi (curtume de Sapucaia do Sul), que deu continuidade à fábrica. A Vachi também não teve muito sucesso e vendeu a fábrica para a Azaléia, de Parobé.

Esta sim, alcançou grande êxito. Chegou a tornar-se a maior empresa do Vale do Caí e impulsionou fortemente o desenvolvimento do Caí. No final da década de 90, entretanto, ela passou a sentir a concorrência chinesa e sofreu também com a morte de seu fundador e grande líder Nestor de Paula. Começou, então, a definhar e acabou por fechar as duas fábricas que possuía no Caí: uma no bairro Vila Rica (cujas instalações hoje pertencem à Oderich) e outra no bairro Conceição (no pavilhão hoje ocupado pela empresa Delta Frio).
O fechamento das fábricas da Azaléia resultou numa nova fase de estagnação econômica para o Caí. Problema que só começou a ser superado a partir de 2007, com o crescimento da Oderich e de novas empresas como a Agrosul e Qix.

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