Ao morrer, em 1829, João Ignácio, dono da fazenda Pareci, deixou muitos bens, inclusive 117 escravos adultos e 25 menores Reprodução/Internet

Numa época em que não existiam ainda nem aviões, nem caminhões e nem mesmo trens, era fundamental a importância da navegação. Era por navios que se fazia o transporte entre os continentes e mesmo entre os diversos pontos de um país. Foi pela importância da navegação que o desenvolvimento e a povoação do Brasil se deu inicialmente na região litorânea. E também no Rio Grande do Sul, a maioria das primeiras povoações foram estabelecidas em locais acessíveis por embarcação. Foi o caso de Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre, Triunfo e Rio Pardo.

No início do século XIX, os barcos mais usados eram os a vela. Impulsionados pela força dos ventos eles atravessavam oceanos, faziam a navegação costeira e penetravam no continente através de rios, como o São Francisco ou o nosso Jacuí. Os donos de navios eram grandes empresários daquela época.

E assim eram os irmãos João Ignácio e José Ignácio Teixeira. Naturais de Santa Catarina, eles se estabeleceram em Porto Alegre e possuíam uma frota de navios que, segundo consta, era utilizada inclusive para o tráfico de negros escravos. Uma “mercadoria” muito comercializada na época. Os irmãos João e José foram sócios nas atividades de navegação e comércio por 30 anos, até 1824, quando morreu João, o principal cabeça dos negócios.

João Ignácio Teixeira morava na Rua da Praia. Ele possuía uma chácara no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria) e um importante armazém no Centro de Porto Alegre. Foi homem de grande destaque na época. A ponto de a atual Rua General Câmara ser conhecida naquele tempo como Beco do João Ignácio. Ele era um líder dos comerciantes porto alegrenses, tendo sido o encarregado de, em 1818, defender os interesses do comércio local junto ao rei Dom João VI.

Ao morrer, em 1829, João Ignácio deixou muitos bens, inclusive 117 escravos adultos e 25 menores. Por aí se vê que ele era um homem riquíssimo. Entre os muitos bens que ele deixou em Porto Alegre e no interior do estado, figurava a Fazenda do Pareci.

Antes de serem adquiridas pelo rico comerciante João Ignácio e por seu irmão e sócio José Ignácio, as terras do Pareci pertenceram a Antônio José Viegas e João Ferreira da Silva que ali se dedicavam à criação de gado já em 1767. Depois disto as terras passaram para outros proprietários até serem adquiridas por João e José Ignácio em 1801.

José Ignácio Júnior

João Ignácio Teixeira permaneceu solteiro até a sua morte. Mas reconheceu como sendo seu filho natural o menino José Ignácio Teixeira, que foi batizado em 17 de novembro de 1807 recebendo o mesmo nome do seu tio, que também foi seu padrinho. Mais tarde, para diferenciar, o menino passou a ser chamado José Ignácio Teixeira Júnior. Não se sabe até hoje quem foi a mãe de José Ignácio Júnior. Mas um quadro da época revela que ele era loiro e contavam-se histórias segundo as quais ele teria sido fruto do relacionamento amoroso entre o rico comerciante João Ignácio e a mulher de um capitão de navio estrangeiro.

Segundo documentos da época, o menino teria nascido em outubro de 1807 e, como seu pai era solteiro, foi criado inicialmente na casa do padrinho e tio José Ignácio, que era casado. Anos depois, ainda menino, passou a viver com o pai. Também conhecido pelo apelido de Juca Teixeira, José Ignácio Teixeira Júnior foi o maior proprietário de terras na região do Vale do Caí no século passado e teve grande influência na vida da região.

Suas terras se estendiam pelas duas margens do rio Caí, no Pareci Velho e no Pareci Novo. Mais importante, no início, eram as terras do lado esquerdo do rio, próximas a Capela de Santana. Terras de campo, apropriadas para a criação de gado. Do lado direito do rio, predominavam os matos e iam do Pareci Novo até Tupandi.

A sede da fazenda foi estabelecida no local onde hoje se situa a cidade de Pareci Novo. A casa de Juca Ignácio era um grande prédio do qual não restam hoje se não vestígios. Juca casou em Porto Alegre, no dia 8 de dezembro de 1829, com Margarida de Sena, também natural daquela cidade e filha do cirurgião-mor Inácio Joaquim de Paiva. Ele faleceu em 21 de setembro de 1865.

Ao vender terras, principalmente para colonos de origem alemã provenientes de São José do Hortêncio, Juca Ignácio e seus descendentes incentivaram o desenvolvimento de toda a região colonial constituída pelos atuais municípios de Pareci Novo, Harmonia e Tupandi.

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