Com o apoio dos reis de Espanha, os padres jesuítas ocuparam o território do Rio Grande do Sul, a partir daí, deu início as povoações que ficaram conhecidas como os Sete Povos das Missões Reprodução/Internet

Originalmente, conforme foi acertado no Tratado de Tordesilhas, o território do atual estado do Rio Grande do Sul deveria pertencer ao espanhóis. Mas, com quase toda a América para povoar, a Espanha não dispunha de contingente humano para ocupar todo o território que lhe coube nesta partilha e o território rio-grandense continuou, por muito tempo, povoado apenas pelos índios.

Preocupado em ocupar seus vastos territórios na América, o governo espanhol estabeleceu um acordo com a Companhia de Jesus (a congregação dos padres jesuítas) e estes desenvolveram, a partir do Paraguai, um extraordinário trabalho de catequese de índios. Chegaram a avançar para o atual estado do Paraná e, em 1626, penetraram no território que hoje integra o Rio Grande do Sul. Mas, se os reis de Espanha incentivavam os seus padres jesuítas a ocupar este território, por outro lado os de Portugal liberavam os bandeirantes paulistas para fazerem incursões pelo mesmo território para capturar índios para serem vendidos como escravos. Já em 1636, a bandeira de Antônio Raposo Tavares capturou índios que os padres já haviam catequizado e aos quais ensinavam artes de agricultura, pecuária e indústria. Estes índios, por isto mesmo, tinham maior valor no mercado de escravos. Raposo Tavares vendeu bem a sua mercadoria e logo no ano seguinte, um outro bandeirante – André Fernandes – veio caçar índios no território que àquela época era chamado de Rio Grande de São Pedro. E em 1638, a bandeira de Fernão Dias Pais também atacou as povoações criadas pelos padres, escravizando os índios catequizados.

Diante de tais ataques, os jesuítas abandonaram o território rio-grandense, levando seus índios para o outro lado do rio Uruguai (território atual da Argentina). E assim, por não terem mais bons índios para escravizar, os bandeirantes deixaram de atacar o Rio Grande que, desta forma, permaneceu abandonado pelos europeus por várias décadas. Em 1682 os jesuítas voltaram, fundando duas povoações no território rio-grandense: São Borja e São Nicolau. E, nos anos seguintes, foram desenvolvendo o seu trabalho com os índios e criando novas povoações que ficaram conhecidas como os Sete Povos das Missões. No seu auge, as missões jesuíticas no Rio Grande chegaram a reunir quase 40 mil índios guaranis.

Os índios recebiam educação e se organizavam em verdadeiras cidades. Lavouras irrigadas, indústria do vinho, a fabricação de telhas de barro e de ferramentas e armas de ferro, foram algumas das técnicas que os padres conseguiram desenvolver com os seus índios. E é notório o desenvolvimento da engenharia nestas missões, como se pode ver até hoje nas ruínas de São Miguel. O gado trazido pelos padres, era criado solto nos enormes campos da fronteira e multiplicou-se extraordinariamente, passando a atrair novamente o interesse dos portugueses.

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