Os imigrantes italianos enfrentaram uma longa jornada até chegar as terras prometidas pelo império na serra gaúcha Reprodução/Internet

Para construir a estrada, que faria a ligação do porto de Montenegro com a região serrana, o governo imperial destacou o engenheiro alemão Barão Luiz Henrique de Holleben (ou von Holleben), que veio para o Brasil em 1861 e prestou serviços ao governo em diversas províncias antes de chegar ao Rio Grande do Sul. Ele veio em setembro de 1880 com a missão de construir a estrada que ligaria Montenegro a Garibaldi e Bento Gonçalves. O Barão fixou sua residência num ponto da estrada que, por isto, passou a ser conhecido como Barão (hoje sede do município com este nome). Ele ficou ali por apenas um ou dois anos, mudando-se depois para Porto Alegre, onde trabalhou por mais de dez anos na construção do porto da cidade.

Mesmo com os melhoramentos feitos sob a direção de Von Holleben, a estrada Buarque de Macedo continuou sendo muito precária. Em 1883 o colono Júlio Lorenzoni foi se estabelecer na colônia Princeza Izabel e deixou uma narrativa da viagem que fez de Montenegro até lá, levando a família. Ao chegar a Montenegro, ele contratou o carreteiro Domingos Baldasso, morador da colônia Conde d’Eu. Júlio foi a cavalo, levando o filho de cinco meses no colo. As mulheres da família seguiram na carreta e os homens a pé. Conforme relatou Lorenzoni, os primeiros vinte quilômetros da viagem, até a localidade de Gauer Eck (nome antigo de Dom Diogo, sede do município de São José do Sul) foi feita em cinco horas. O terreno era muito arenoso e a carreta, mesmo sendo puxada por cinco mulas boas, avançava com dificuldade e podia levar pouca carga. Para os que iam a pé, a viagem foi um martírio. Assim, antes de começar a subida do morro eles fizeram uma parada para descanso. Continuaram depois, subindo a serra pela estrada em construção. A carreta enterrava as rodas na terra remexida recentemente e os animais tinham de fazer tanto esforço que se tornava necessário fazer paradas a cada cem metros. Levaram quase duas horas para percorrer o primeiro trecho de subida, que tinha aproximadamente três quilômetros. Seguiram viagem até chegarem a Linha Bonita um pouco antes da noite, cumprindo os primeiros 25 quilômetros da viagem. Uma turma formada por 150 colonos de origem alemã trabalhava na construção da estrada. Ao longo do dia seguinte, Júlio e sua família seguiram viagem, passando por Salvador do Sul e Barão, localidades em que, na época, os moradores falavam apenas o idioma alemão. E consumiram mais um dia inteiro de viagem para chegar ao início da colônia italiana, em Santa Luiza (atual Carlos Barbosa).

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