Em torno da Capela de Santana desenvolveu-se a primeira povoação do Vale do Caí Arquivo/FN

A colonização do Rio Grande do Sul é um fenômeno recente. Os lusobrasileiros, antepassados de boa parte da atual população gaúcha, só começaram a vir para esta terra (então disputada com os espanhóis) em 1725. E vieram em número muito reduzido. Em 1750 chegaram os 60 casais açorianos (120 pessoas apenas), o que representou – na época – um grande incremento à colonização do Rio Grande que era praticamente um deserto. Em 1780 a população da província já havia crescido bastante e chegava a 17.923 pessoas. Em 1814, ela havia aumentado para 70.656. Dez anos antes do início da imigração alemã, a população do estado inteiro era pouco maior que a atual população de Montenegro.

Se o número de habitantes era tão reduzido, o de padres também era muito pequeno e não é de admirar-se, portanto, que o Rio Grande do Sul não contasse com um bispo. Até meados do século XIX, a igreja católica no Rio Grande do Sul, subordinava-se à arquidiocese do Rio de Janeiro e era o bispo do Rio de Janeiro quem governava a igreja na província gaúcha. Esta situação perdurou até 1855, sendo que o último bispo do Rio de Janeiro que teve a responsabilidade de comandar a igreja no Rio Grande do Sul foi Dom Manoel Rodrigues de Araújo.

Além da pouca quantidade de sacerdotes, faltava à maioria dos padres gaúchos, uma boa formação, tanto escolar quanto até mesmo moral. Os relatos da época dão conta do baixíssimo nível apresentado pelo clero na província. O descaso era tão grande que os imigrantes alemães chegados a partir de 1824 – dos quais boa parte era composta de católicos – não contavam com a assistência de sacerdotes que falassem a sua língua e assim ficaram por mais de duas décadas. Os poucos padres existentes na região colonial naquela época (na paróquia de Capela de Santana e depois na de São Leopoldo) só falavam o português.

A Guerra dos Farrapos contribuiu muito para atrasar o desenvolvimento da província. Foram dez anos de barbárie e de desorganização política e econômica. Com o término da guerra, a Igreja apressou-se em tentar resolver os problemas da sua falta de estrutura no estado e criou, em 7 de maio de 1848, uma diocese autônoma para o Rio Grande do Sul. Mas esta data marcou apenas a criação oficial da diocese, pois a sua instalação de fato veio a ocorrer apenas sete anos depois, com a nomeação do primeiro bispo.

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