A estrada Júlio de Castilhos (foto de 1940) fazia a ligação entre a serra e a capital, porém ela passava por fora de Bom Princípio. Arquivo/FN

Nas décadas de 1910 a 1960 o desenvolvimento de Bom Princípio ficou muito prejudicado. A falta do meio de transporte mais eficaz da época (a estrada de ferro) reduziu a competitividade dos produtores rurais de Bom Princípio e da região. Com o tempo, porém, o transporte ferroviário brasileiro (por ser estatizado e mal gerido) acabou fracassando e o meio de transporte que se impôs foi o rodoviário.

Quando isto ocorreu, porém, Bom Princípio continuou marginalizada, pois as duas estradas de rodagem mais importantes da região: a Júlio de Castilhos e a Rio Branco não passavam pelo distrito. A Rio Branco, mais antiga, costeava o Rio Caí pela sua margem esquerda até chegar a cidade de Feliz, onde cruzava o rio através da ponte de ferro que foi ali construída no ano de 1900. Compreende-se porque a localidade de Bela Vista teve um certo florescimento econômico nos primeiros anos do século XX, sendo ali instalado – por exemplo – um grande estabelecimento comercial como foi a casa comercial Wiltgen. E foi ali também, à margem da estrada Rio Branco, que mais se desenvolveu, nesta época, a indústria cerâmica da região. O traçado da estrada Rio Branco era determinado pelo fato de que inicialmente (ao longo do século XIX) a população se fixou nas imediações do rio. A estrada surgiu como alternativa de comunicação para esta população inicial, que poderia ser denominado ribeirinha.

Mais moderna, a estrada Júlio de Castilhos se desvinculava dos rios e seguia traçado mais curto, objetivando diminuir o trajeto e favorecer o transporte rodoviário. Ela partia de São Leopoldo e passava por Portão, Caí (onde cruzava o arroio cadeia pela ponte de ferro construída em 1931) e seguia para a Feliz passando pelo atual caiense do Rio Branco e pelas localidades de Vigia e Escadinhas. Da Feliz iniciava a subida da serra passando por Alto Feliz. Com tráfego intenso de veículos motorizado já a partir da década de 1930, a estrada foi sendo melhorada – principalmente na década de 1940 – até que, no início da década de 50 – foi asfaltada até o Caí.

Ocorreu, então, uma decisão de governo que foi fundamental para o futuro progresso econômico de Bom Princípio. Era grande o interesse do governo estadual em asfaltar a estrada Júlio de Castilhos, que fazia a ligação entre Porto Alegre e Caxias do Sul. Mas ao invés de asfaltá-la no seu trajeto original, o governo gaúcho optou por encurtar o trajeto seguindo um novo traçado. Adiante do bairro Rio Branco a estrada tomou um traçado retilíneo, pela várzea do rio Caí, até a localidade de Bela Vista, onde foi construída uma nova ponte. Depois, passando por Bom Princípio e São Vendelino, a estrada se dirigia para a Serra. Esta obra de grande vulto foi sendo feita aos poucos. Em 1965 a ponte sobre o rio Caí na Bela Vista estava em fase adiantada de construção quando ocorreu uma forte enchente e a destruiu, derrubando a estrutura de concreto que já havia sido levantada. Foi só na década de 70 que a moderna estrada foi totalmente asfaltada, fazendo com que passasse por Bom Princípio o intenso tráfego oriundo de cidades importantes como Caxias do Sul, Farroupilha, Garibaldi e Bento Gonçalves. Com isto, Bom Princípio foi colocada novamente na rota do desenvolvimento.

O final do século XIX foi um período de grande desenvolvimento no qual o rio Caí e mesmo o arroio Forromeco podiam ser considerados meio de transporte eficiente, já que estradas praticamente não existiam no estado inteiro. Depois disto, num período aproximadamente meio século que começou na década de 1910 (com a inauguração da estrada de ferro para Caxias) e estendeu-se até a década de 1970 (quando o ocorreu o asfaltamento da estrada RS-122 ). A partir da década de 1980 o acesso a meio de transporte eficiente e competitivo passou a ser fator positivo para o desenvolvimento de Bom Princípio. E este fato, somado à emancipação ocorrida em 1982, fez com que um novo período de desenvolvimento fulgurante fosse iniciado.

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