Durante 10 anos a Revolução Farroupilha interrompeu o progresso da colônias Reprodução/FN

Onde hoje se situa Bom Princípio, junto ao rio Caí, a colonização foi promovida por João Guilherme Winter, que residiu anteriormente em São José do Hortêncio. Ele comprou barato uma grande área pertencente a uma viúva chamada Thereza Feijó, que não residia nas terras. Winter vendeu lotes para colonos alemães (ou de origem alemã já nascidos no Brasil) que foram se estabelecendo na área e formando um povoado ao qual foi dado o nome de Winterschneis (Picada Winter). Perto dali e um pouco mais tarde estabeleceu-se o comerciante Felipe Jacob Selbach, que também havia residido anteriormente em Hortêncio e abriu um armazém junto à margem do rio Caí, no lado direito, um pouco abaixo da atual cidade de Bom Princípio. Tanto Winter como, logo depois, Selbach, promoveram loteamentos nas terras que adquiriram e, desta forma, promoveram a povoação do lugar.

Foi Selbach que, para fazer propaganda do seu empreendimento, deu ao lugar o sonoro e estimulante nome de Bom Princípio.

Na medida em que as áreas oferecidas para a colonização nos lugares mais próximos ao rio Caí eram todas ocupadas, os colonos iam se estabelecendo em áreas um pouco mais afastadas. Mais distantes da civilização e mais entranhadas na selva. Lugares onde os colonos ficavam perigosamente sujeitos ao ataque dos índios. Assim, ainda no ano de 1857 o colono Nikolau Rempel, que morava na Picada de Alta Feliz, foi morto pelos bugres. Em conseqüência deste fato, o governo organizou uma patrulha constituída por colonos da região e liderada por Jakob Velter, com o objetivo de proteger os colonos contra o ataque dos selvagens. Em localidades como São Vendelino e também Bom Princípio, as comunidades dispunham de canhões que eram disparados para espantar os índios sempre que estes se aproximassem.

Conforme escreveu Arsene Isabelle na sua obra Emigração e Colonização na Província Brasileira do Rio Grande do Sul, na República do Uruguai e em toda a Bacia do Prata, publicada em 1850, “No começo do ano passado, foram distribuídas, pelas margens do Rio Caí, 132 colônias ou datas. Tais colônias não têm ainda hoje mais do que 227 habitantes, repartidos por 50 fogos, conseqüentemente, com cinqüenta lotes de terreno ocupados pelos seus possuidores. O presidente pediu à Assembléia Provincial autorização para anular as concessões de terras ou matas daqueles que não se estabelecerem dentro de determinado prazo.”

A região da Colônia de Feliz fez parte do projeto da Colônia Alemã de São Leopoldo desde o seu início. Já em 1832, três famílias alemãs haviam se estabelecido na atual localidade de Roseiral que fica a apenas alguns quilômetros da atual cidade de Feliz. Mas estas três famílias foram massacradas pelos índios, o que fez com que demorasse até que outras se animassem a se estabelecer por ali.

Depois veio o período tumultuoso da Revolução Farroupilha, de 1835 a 1845, um período de desgoverno que interrompeu o progresso da colônia.

Mas era tão grande o interesse do governo em promover a colonização que já em 1846 foi criada a Colônia de Feliz que, como se viu acima, não atraiu tantos moradores e tão rapidamente quanto o governo desejava. A razão desta relutância dos colonos em ali se instalar era, certamente, o temor quanto ao ataque dos índios. Devido à sua proximidade com os grandes peraus da encosta da serra, cheios de terrenos inóspitos nos quais só o índio sabia se movimentar com maestria, aquela área ainda era muito perigosa para os colonos.

A colônia de Feliz era um empreendimento governamental. Mas logo em seguida foram criadas as colônias de Bom Princípio (em 1846) e Caí (em 1848). A primeira por iniciativa de Guilherme Winter e a segunda criada por Santos e Guimarães.

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