Rafael Pinto Bandeira foi um destacado militar na disputa entre espanhóis e portugueses pelas terras do Rio Grande. Seu tio José Pinto Bandeira foi provavelmente, o primeiro branco a morar no Vale do Caí Reprodução/desenho de Carlos Julião

A ocupação definitiva de terras gaúchas por famílias luso-brasileiras vindas de Laguna começou por volta do ano de 1730, pelo litoral norte do estado. O avanço para o interior foi rápido. Em poucos anos, novas terras haviam sido ocupadas em territórios dos atuais municípios de Osório, Santo Antônio da Patrulha, Gravataí, Viamão e Porto Alegre. Em 1735 a ocupação já se estendia para as terras além do rio Gravataí (onde hoje estão situados os municípios de Canoas, Esteio, Sapucaia e São Leopoldo) e poucos anos depois, entre os anos de 1738 e 1740, atravessava também o rio do Sinos, ocupando terras que hoje pertencem aos municípios de Santa Rita, Capela de Santana, Portão e Estância Velha.

Um dos primeiros povoadores do Rio Grande do Sul foi Jerônimo de Ornelas Menezes de Vasconcelos. Ele era português da ilha da Madeira, mas transferiu-se para o Brasil, onde casou, em São Paulo, com Lucrécia Leme Barbosa, descendente de grandes bandeirantes paulistas. Jerônimo de Ornelas era tropeiro e tornou-se estancieiro, um dos primeiros do Rio Grande. Suas terras situavam-se onde hoje fica a cidade de Porto Alegre e ele ali se estabeleceu por volta do ano de 1732.

A família Pinto Bandeira

Pouco depois chegava Francisco Pinto Bandeira, que era filho de um destacado líder da vila de Laguna chamado José Pinto Bandeira. Francisco estabeleceu-se com uma estância em solo gaúcho na década de 1730. Estância esta situada na mesma área onde hoje se encontram as cidades de Canoas e Esteio. Ele foi figura destacada na luta contra os espanhóis que tentaram impedir a conquista do Rio Grande pelos portugueses. Chegou a ser Capitão dos Dragões e destacou-se nas lutas contra os castelhanos. Maior destaque ainda teve seu filho Rafael Pinto Bandeira, talvez o maior herói da conquista do Rio Grande pelos portugueses. As terras de Francisco Pinto Bandeira limitavam-se, ao sul, com as de Jerônimo de Ornelas e iam até o Rio dos Sinos.

Além de Francisco Pinto Bandeira, também vieram se estabelecer como estancieiros, nesta mesma região do Rio Grande, dois irmãos seus. Um deles chamava-se Bernardo Pinto Bandeira. O outro, por ser irmão apenas por parte da mãe, chamou-se José Pinto Ramirez, mas também era conhecido como José Pinto Bandeira.

Este José Pinto Ramirez teve a sua estância no outro lado do Rio dos Sinos, e ela se estendia até a margem do rio Caí. Foi, possivelmente, o primeiro habitante branco do Vale do Caí. Ou, pelo menos, o primeiro proprietário de terras na região situada entre o Rio dos Sinos e o Caí. Outro dos seu primeiros moradores deve ter sido José Leite de Oliveira, que era casado com uma filha de Jerônimo de Ornelas chamada Fabiana. Suas terras correspondiam à área de Capela de Santana, estendendo-se, possivelmente, até Estância Velha e São José do Hortêncio. Ele nasceu em Portugal no ano de 1714 e veio bem jovem para o Rio Grande do Sul, passando a atuar como tropeiro. Já em 1740 aparecia como proprietário de uma área de terras que ia das margens do rio dos Sinos até as dos rios Cadeia e Caí.

Um pouco mais para o interior, já no outro lado do rio Caí, estabeleceu-se Antônio de Souza Fernando, que foi um dos colonos trazidos de Portugal para povoar a Colônia de Sacramento em 1718. Posteriormente, ele transformou-se em tropeiro de gado e acabou se fixando na área de terra mencionada, que ficava ao sul da atual cidade de Montenegro. Foi ele, ao que se sabe, o primeiro branco a estabelecer-se no que é hoje o município de Montenegro e isto aconteceu pelo ano de 1740 ou alguns anos antes. Era sua uma grande área de terras que incluía o terreno onde hoje se encontra implantado o Polo Petroquímico de Triunfo.

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