Jacob Selbach Júnior foi um importante empreendedor no início da colonização de Bom Princípio Arquivo/FN

A trajetória de Jacob Selbach Jr demonstra a fase brilhante de desenvolvimento cultural e econômico por que passou Bom Princípio nas suas primeiras décadas de colonização. Ele mesmo, com o seu brilhantismo, foi um dos responsáveis por esta grande pujança. Mas também foi um beneficiário das condições propícias que existiam no Vale do Caí – àquela época – para o desenvolvimento de todos os setores, desde o econômico até o cultural, com grande destaque para o religioso.

Jacob Selbach Júnior foi o mais destacado entre os filhos do pioneiro Philip Jacob Selbach. Ele nasceu em 27 de julho de 1850, ainda na localidade de Campestre, em São José do Hortêncio. Quando tinha apenas dois anos de idade a família mudou-se para o local que veio a ser conhecido depois como Passo Selbach, na margem direita do rio Caí. Seu pai estabeleceu-se ali com uma casa comercial e implantou também um atracadouro a partir do qual exercia a atividade de navegação no rio Caí, da qual foi pioneiro.

Jacob Selbach Jr aprendeu os segredos da atividade comercial trabalhando junto com seu pai e acabou se tornando sócio dele nos anos de 1871 a 1873. Então Jacó Selbach Jr mudou-se com sua família para o vale do Forromeco, onde passou a exercer atividades comerciais e a cultivar uma colônia de terras. Estabeleceu-se no mesmo local onde até hoje funciona a casa comercial Selbach, em Santa Terezinha.

A casa comercial de Jacob, além de vender produtos coloniais e uma gama enorme de artigos necessários na lavoura e no lar, também servia de “ponto de parada” para os novos colonos alemães que chegavam e para os colonos italianos que passavam no rumo das suas terras na região da Serra.

Era ponto de parada, também, para caixeiros viajantes (os representantes comerciais da época) e para os viajantes de um modo geral. E ainda emprestava dinheiro para os colonos que não tinham outra forma de obter financiamento. Como outras casas comerciais da época a venda de Jacob Selbach Jr exercia as funções de um completo supermercado, de um hotel e de uma agência bancária, além de outras como as de agência do correio. A venda era também o ponto de encontro e de diversão dos colonos, servindo como bar e para a prática do jogo carteado. E não eram raros os casos em que a venda servia também para a realização de bailes.

Além de comerciante, Jacob Selbach Jr foi destacado político. Ele filiou-se ao Partido Republicano e, em 1989, com o nascimento da República, engajou-se na Guarda Nacional. Ajudou a conquistar para Bom Princípio o status de Parada da Guarda Nacional e, em 10 de janeiro de 1902, foi promovido a Comandante Geral do 40º Batalhão da Reserva da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Presidiu, nos primeiros anos da República, a Comissão Eleitoral de Bom Princípio, que era então o 5º distrito do município de Montenegro.

Teve importante papel no esforço para a vinda dos Irmãos Maristas para Bom Princípio para a implantação do colégio Sagrado Coração de Jesus, início do importante trabalho educacional dos Maristas no sul do Brasil.

Por volta de 1902, com a ajuda do filho Christiano, Jacó atraiu para o Forromeco o célebre médico e professor Gaspar Schaeffer, dando-lhe apoio e possibilitando a sua fixação na localidade, onde pode dar importante apoio à comunidade.

Grandes negócios

Preocupado com a escassez das terras agrícolas e com o grande número de filhos por família, Jacob Selbach Jr empreendeu um dos maiores planos de colonização realizados no Rio Grande do Sul. Adquiriu uma grande extensão de terras no norte do estado (11 mil hectares) e fundou a Colônia Selbach, que deu origem ao atual município de Selbach, emancipado de Tapera em 1965. O padroeiro do município é São Jacó, em homenagem ao fundador Jacó Selbach.

A venda de lotes começou em 1906, através do seu sócio de sobrenome Matte, e teve grande sucesso. No ano de 1907, duzentas famílias já estavam assentadas na Colônia Selbach, grande parte delas oriundas do Vale do Caí. Devido ao grande número de filhos que tinha cada família na época, as terras no Vale do Caí já estavam todas ocupadas e se tornavam insuficientes. Apenas meio século transcorreu entre o início da colonização desta região pelos colonos alemães e a sua completa ocupação. O que obrigou as novas gerações de agricultores a procurarem o seu futuro em regiões ainda despovoadas.

Entre os grandes empreendimentos de Jacob Selbach Jr conta-se também uma exemplar fábrica de banha que chegou a atingir, pelo ano de 1913, a produção anual de 250 toneladas do produto.

Mais ousado ainda foi o investimento que ele fez no ramo gráfico. Preocupado com a falta de livros escolares nacionais e de boas leituras em português, tornou-se sócio da Livraria João Mayer, de Porto Alegre. Mais tarde denominada Livraria Selbach, esta empresa atuou por 65 anos na edição de livros escolares e inúmeras outras obras de grande valor para o enriquecimento cultural do Rio Grande do Sul. Depois da sua morte (ocorrida em 11 de dezembro de 1907) seus filhos Afonso e Reinaldo Selbach deram continuidade à Livraria, juntamente com o genro João Rodrigues da Fonseca.

Jacob era casado com Maria Knapp, filha do mesmo Matias Knapp que morreu no trágico acidente com o canhão, e o casal teve 15 filhos. Coube ao filho mais velho, Cristiano Selbach, dar continuidade à casa comercial Selbach, em Santa Terezinha. Depois o estabelecimento passou ao controle do primogênito de Cristiano, chamado Arno Rinaldo, e mais tarde ao primogênito de Arno Rinaldo. Este, que se chamava Heitor Pedro Selbach, foi duas vezes prefeito de São Sebastião do Caí.

Jacob morreu prematuramente, quando tinha 57 anos. Acometido de apendicite ele chegou a ser levado até Porto Alegre para ser medicado. Mas quando lá chegou seu estado de saúde já era tão precário que os médicos não conseguiram evitar a sua morte. Com o seu incomparável espírito empreendedor, ele teria ainda muito a contribuir para o desenvolvimento de Bom Princípio e do estado.

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