Liderados pelo Irmão Weibert, os maristas realizaram extraordinária obra educacional no Rio Grande do Sul Reprodução/Internet

O Irmão Alfredo Henz escreveu o livro Maristas no Brasil Meridional e nele registra outras informações interessantes. Consta na obra que “logo depois do Congresso da Feliz, o Padre Stenmanns, auxiliado pelos colegas vigários das demais Paróquias, pôde enviar pelo Banco da Província do Rio Grande do Sul 1.722 francos e 65 centavos aos Superiores da Europa para custear a viagem de três Irmãos.”

Outros trechos interessantes da mesma obra:
“O Irmão Weibert, chefe da pequena missão, era homem enérgico e decidido, ia direto aos objetivos visados. Já no dia 13 de junho, festa do Sagrado Coração de Jesus, os três iniciaram sua longa viagem.” Por isto os irmãos diziam que, “se surgir uma obra, chamar-se-á Província do Sagrado Coração de Jesus.”
“A viagem durou uns 30 dias. E a bordo do Guaíba, não havia sacerdote. Os três religiosos foram penalizados por ter que permanecer tanto tempo sem o consolo da celebração eucarística.
Após quatro semanas, atracaram no porto de Maceió, Alagoas. Houve exclamação de satisfação: Enfim, chegamos! Ilusão! Foi-lhes respondido que tinham de rumar mais para o sul.
Ladeando as costas do Brasil, procuravam, por todos os modos, junto aos passageiros, saber onde ficava a “cidade” de Bom Princípio, quais seus meios de comunicação, suas indústrias seu número de habitantes etc. Estranharam que ninguém lhes soubesse dar a mínima informação.”

“A primeira aula começou no dia 16 de agosto, duas semanas após a chegada: funcionava numa sala improvisada, na base da torre da igreja.
Eram 39 alunos da primeira turma destinada à Escola Complementar. Todos chegaram aos exames finais realizados no dia 12 de dezembro seguinte.
Os irmãos não conheciam o sistema de exames da colônia. No dia anunciado apareceram na escola os membros da Comissão do Congresso, os vigários e professores das paróquias vizinhas, os parentes dos alunos e todos quanto quisessem informar-se dos novos professores e de seu sistema escolar. Os anais referem: Jamais se viu tribunal igual, para julgar alunos e professores.

Note-se que em carta de 20.01.1898, o Padre Stenmanns havia escrito ao Ir. Superior Geral : os alunos, na casa deles, não têm nenhuma noção da língua portuguesa.
O progresso dos alunos foi tal que os exames, no fim do primeiro ano, já puderam ser realizados em duas línguas, alemão e português.”

“Em 1903, os Maristas tinham na França aproximadamente 3.000 Irmãos distribuídos em 600 comunidades. Precisamente naquele ano, deu-se, na França, a grande perseguição religiosa com a conseqüente expulsão das Congregações Ensinantes menores, isto é, aquelas que trabalhavam com o povo das pequenas cidades do interior.”

“Até 1920, por força da lei de expulsão dos religiosos da França, chegaram ao Brasil Meridional 15 turmas de missionários maristas, num total de 159 irmãos, em geral jovens professores com votos temporários, ainda na primavera da vida.”

A obra dos Irmãos

Os irmãos maristas realizaram extraordinária obra educacional no Rio Grande do Sul e demais estados da região sul do Brasil. Fundaram dezenas de colégios e, inclusive, a Pontifícia Universidade Católica (a PUC, em Porto Alegre). No Vale do Caí, além do colégio de Bom Princípio, os maristas criaram o São João Batista, em Montenegro.

“Uma vez mais o Irmão Weibert põe-se a caminho de Montenegro. A cavalo, tenta atravessar o rio Caí que, naquele dia, está um pouco avolumado. O animal avança, tropeça e por desgraça, joga o cavaleiro, que não sabe nadar, fora da sela. O irmão reconhece a situação, recomenda-se à Boa-Mãe e, em desespero de causa, agarra algo que lhe roça a cabeça: é o rabo do cavalo. O animal, assustado pelos puxões, arrasta para a outra margem o mal aventurado cavaleiro.”

“O primeiro exame, como vimos, por causa do grande concurso de pessoas responsáveis, foi o rastilho de pólvora que levou o conhecimento dos Irmãos até os confins do Estado.São Leopoldo, Santa Cruz e Porto Alegre, antes do fim do ano já haviam pedido a fundação duma Escola Marista. Só puderam ser atendidos em 1902 e 1903.”

“Em todas as localidades onde os Irmãos foram chamados, nos primeiros anos, foram se registrando condições de aperto como em Bom Princípio. Os registros falam de aulas com 110, 120 e mais alunos, em salas muito apertadas. Não adiantava fechar a matrícula; os pais resolviam o problema: meu filho vai levar sua cadeirinha, é só dar-lhe um lugarzinho, nem que seja só ao lado da estante do professor ou atrás do quadro negro.”

Por todo o Estado os pais faziam questão de dar aos seus filhos a educação de alto nível que os maristas proporcionavam em suas escolas. Um privilégio que a comunidade de Bom Princípio foi a primeira a receber.

“As aulas começavam de manhã, às 8 horas, e terminavam às 17 horas, com um intervalo de uma hora e meia ao meio dia.”

Além do Colégio Coração de Jesus com suas diversas seções (escola normal, escola comercial, escola militar, internato, orquestra, teatro, cursos para jovens etc), os irmãos maristas mantiveram, em Bom Princípio, também a Escola Paroquial Santo Estanislau, que funcionou até 1966. Funcionou também na localidade o Juvenato, destinado à formação de novos irmãos maristas. O irmão João Marcelino (João Henrique Weiand), natural de Bom Princípio, foi o primeiro irmão marista gaúcho. E o irmão dele, José Weiand, veio a ser o Irmão Vendelino e, em 1941, tornou-se o primeiro Superior Provincial Brasileiro, cabendo-lhe – por dez anos – a administração de todas as entidades maristas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Deixe um comentário
Please enter your name here