A Matriz de Bom Princípio constitui um verdadeiro patrimônio espiritual da imigração alemã Reprodução/Internet

O quinto padre estabelecido em Bom Princípio foi o jesuíta Rudgero Stenmanns, que exerceu o comando da paróquia de 1893 a 1906 e teve grande importância para o progresso de Bom Princípio. Ele era muito dinâmico e logo se aplicou em melhorar as condições do templo. Nomeou uma comissão para esta finalidade e os resultados não custaram a aparecer. No mesmo ano a igreja matriz foi ampliada, sendo construída a nave central que existe até hoje. O padre jesuíta Franz Schleipen foi o responsável pela obra, ficando a construção da mesma a cargo do mestre de obras Peter Scherer, um imigrante que era o pai do cardeal Dom Vicente Scherer.

Em 1894 foi construída a grande torre com 40 metros de altura que teve o custo de 16 contos de réis. Cerca de cem homens, membros da comunidade, trabalharam em mutirão para erguer a grande obra. Três imagens de santos foram importadas de Munique, na Alemanha, e os vidros das janelas, vindos da Boêmia foram também instalados. Em 1895, foi construído o belíssimo púlpito. Em 1896 foram instalados os três sinos, também importados da Alemanha (da empresa Massol & Hansen, de Saaburg, ao custo de oito contos de réis).

Tais melhoramentos foram tão notáveis e excepcionais que, no dia 30 de janeiro de 1898, a igreja matriz foi sagrada, passando a ter por padroeira Nossa Senhora da Purificação. Em todo o Rio Grande do Sul, a igreja de Bom Princípio foi a primeira a receber a honra de ser sagrada solenemente. Foi o próprio bispo Dom Cláudio José Ponce de Leão, assistido por oito sacerdotes, dois diáconos e trinta seminaristas, que procedeu à sagração. No Brasil inteiro só existiam quatro igrejas que, até então, haviam recebido a mesma distinção.

No dia 28 de setembro de 1902 foi rezada a missa solene pela sagração do padre Miguel Junges. O primeiro padre nascido em Bom Princípio.

E em fevereiro de 1905 a igreja foi novamente ampliada, ganhando a forma de cruz, e no ano seguinte já contava com a estrutura que tem atualmente. Mas em 1913, a torre foi destruída e substituída por uma nova, com 42 metros de altura.

O padre Stenmanns, além de haver comandado as maiores obras de construção da magnífica igreja de Bom Princípio, foi um dos principais responsáveis pela vinda dos Irmãos Maristas franceses que estabeleceram em Bom Princípio a primeira escola marista do sul do Brasil.

Apesar de ter feito tanto pelo engrandecimento da igreja em Bom Princípio, o padre Stenmanns enfrentava sérios problemas de saúde. Em janeiro de 1893 ele quase morreu de tifo (doença que, juntamente com a gripe, causava muitas mortes naquela época). No dia 9 de dezembro de 1906 ele sentiu-se mal e foi levado a São Leopoldo para receber cuidados médicos. Não voltou mais à sua paróquia pois morreu naquela cidade, em fevereiro de 1907, nove meses depois de concluir a ampliação da igreja matriz. Ele morreu em conseqüência de uma “hérnia prejudicada”.

Uma obra grandiosa
Depois do padre Stenmanns quem assumiu a paróquia de Bom Princípio foi o padre Júlio Hornung. Ele exerceu a função de 1906 a 1918 e foi o responsável por outro grande atrativo da igreja matriz: as magníficas pinturas internas, que foram iniciadas em 1907 e foram executadas pelo próprio padre Hornung, pelo irmão redentorista Schmalz e, principalmente, pelo famoso pintor Karl Ferdinand Schlatter.

A presença de Ferdinand Schlatter em Bom Princípio naquela época é um exemplo de como a população local mantinha contato com pessoas vindas do primeiro mundo, conversava com elas, trabalhavam em conjunto e, portanto, absorviam conhecimentos avançados e modernas tecnologias.

Ele nasceu em Lindau, na Alemanha, no dia 7 de junho de 1870 e freqüentou a escola profissional para pintores, conforme foi certificado pela Corporação dos Pintores e Envernizadores de Munique, em 1895. Viveu algum tempo em Sarajevo, na Bósnia e casou com Ana Bárbara Fuog, que era costureira, nascida em Herisau, na Suíça. O casal veio para o Brasil em 1898, fixando-se inicialmente em Ijuí. Mas pouco tempo depois eles já haviam se estabelecido em Porto Alegre, onde Ferdinand Schlatter alcançou grande prestígio pelo seu talento como pintor. Entre os diversos trabalhos por ele realizados na capital do estado figuram pinturas no prédio da Prefeitura, na Biblioteca Pública Estadual e na Igreja das Dores. No interior, trabalhou nas igrejas de Rio Pardo e Estrela, além da de Bom Princípio.

Além de cenas de caráter religioso encontram-se, na nave lateral direita, duas paisagens de Bom Princípio. Uma representando o centro da vila, com a casa comercial de Augusto Froener (que era grande benfeitor da igreja), a escola dos Irmãos Maristas e a própria igreja (ainda com a torre antiga). A outra é uma paisagem interiorana na qual aparece a casa de Pedro Scherer (o pai do Cardeal) que era o fabriqueiro (tesoureiro) na diretoria da paróquia e importante líder comunitário. Outro exemplo de pessoa imigrada da Alemanha que exerceu grande influência sobre a população de Bom Princípio.

A igreja conta ainda com trinta telas a óleo pintadas sobre linho que, segundo especialistas, devem ter sido obra do famoso pintor Aldo Locatelli. A maior parte dos móveis litúrgicos ainda existentes na igreja foram produzidos pelo mestre-carpinteiro Leopoldo Gegler, imigrante alemão vindo para Tupandi em 1923.

Foi também o padre Hornung que construiu o belo oratório existente ao lado da igreja, em 1908.

Em 1918 foi adquirido o relógio da torre, também importado da Alemanha.

Os padres que sucederam Júlio Hornung foram Guilherme Rausch (de 1918 a 1919) e José Blomecke (de 1919 a 1925). Este último foi o responsável por outra das glórias da igreja matriz: o magnífico órgão de tubos que foi importado da Alemanha em 1924. Da marca Rieger, o instrumento foi fabricado pela empresa Spreiter, da cidade de Rietberg, e custou 15 contos de réis. Para providenciar a sua instalação e afinação, a fábrica mandou a Bom Princípio o engenheiro Max Eifler.

Depois foram párocos em Bom Princípio Oscar Zoller (de 1925 a 1929), Stephan Herz (de 1929 a 1941) e Francisco Xavier Riederer (de 1941 a 1942) que foi o último dos padres jesuítas na paróquia.

Depois disto, por quase 40 anos (de 1942 a 1981), foi pároco de Bom Princípio o Monsenhor José Becker: um grande formador de vocações sacerdotais ao qual se deve o fato de tantos filhos de Bom Princípio haverem seguido a vocação religiosa.

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