Hilário Junges, quando prefeito de Bom Princípio Arquivo/FN

Esta primeira administração municipal, considerando-se a terrível situação que Tupandi enfrentou na sua largada, já foi muito boa. E, se Hilário continuasse no mesmo caminho poderia conduzir o município a um progresso bastante notável. Mas ele não estava satisfeito. Ele tem sempre em mente um princípio básico que norteia a sua estratégia de administrador. É um princípio simples, mas que poucos administradores brasileiros seguem. Podemos resumi-lo na ideia de que, para fazer uma boa administração municipal, que ofereça vantagens para o povo, é preciso primeiro garantir a geração de recursos que depois poderão ser gastos na realização de obras e prestação de serviços à população.

Um tanto decepcionado com o aumento de receita municipal proporcionado pelas indústrias que conseguiu atrair no seu primeiro governo, Hilário foi arquitetando uma outra estratégia. Ele percebeu que a produção agropecuária tem um peso maior do que a produção industrial no cálculo que o governo utiliza para determinar qual a parcela que cabe a cada município na repartição do bolo arrecadado com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Ele sabia, também, que este cálculo é feito levando-se em conta apenas a produção comercializada legalmente, com emissão de nota fiscal.

Isto era um problema para Tupandi e para a grande maioria dos municípios, pois os agricultores geralmente deixavam de emitir notas fiscais de grande parte daquilo que produziam e vendiam.

Hilário percebeu, então, que a grande oportunidade para o município estaria em estimular a implantação de aviários e pocilgas que vendessem a sua produção para grandes empresas, como a Frangosul e Avipal. Estas empresas trabalham apenas de forma legal, exigindo dos seus fornecedores a devida emissão de notas fiscais. Assim, tudo que os criadores de aves e de suínos produzissem para estas empresas seria levado em conta no cálculo do retorno de ICMS. E, como o produto agropecuário tem peso maior que o industrial neste cálculo, alguns aviários representariam maior retorno de impostos para o município do que uma indústria de porte médio. E seria muito mais fácil para a prefeitura incentivar a implantação de aviários do que a atração de indústrias. Através de leituras, conversas e até mesmo de programas de TV, como o Globo Rural, ele percebeu que a produção de aves e suínos em regime de integração com grandes empresas seria uma excelente oportunidade de alavancar o desenvolvimento do município

Aviários e pocilgas trazem o progresso

Logo depois de eleito, no final de 1992, Hilário fez uma viagem de dez dias pelo oeste de Santa Catarina e do Paraná. Foi lá conhecer o regime de produção integrada que vigorava com grande sucesso envolvendo empresas como a Sadia e a Perdigão e os agricultores daquela região. Voltou entusiasmado e cheio de idéias quanto ao modo de implantar um novo programa de desenvolvimento para o município baseado neste sistema.

Nos primeiros meses do seu novo governo, Hilário lançou um programa para o qual foram convidados todos os produtores rurais de Tupandi. Todos que quisessem poderiam construir um aviário ou uma pocilga (criadouro de suínos) na sua propriedade, com ajuda da prefeitura. A prefeitura forneceria, a qualquer um que se interessasse em participar, 12 mil telhas e a terraplenagem do terreno. Conseguiu que as empresas interessadas na compra da produção (Frangosul e Avipal) oferecessem financiamento para que estes produtores pudessem construir os aviários e comprar os equipamentos necessários. Desta forma, em apenas dois anos foram implantados 198 aviários e pocilgas em Tupandi. Um número assombroso, considerando-se que o município tem apenas 3.000 habitantes, ou seja, cerca de 600 famílias e apenas uma parte delas vivendo no meio rural. Estas famílias, na sua grande maioria eram pobres. Mas, na época, havia menos exigência quanto às condições de um aviário e eles podiam ser construídos com custos relativamente baixos.

Mesmo assim, só mesmo com o forte apoio da prefeitura e o entusiasmo de Hilário foi possível convencer tantos agricultores humildes e precavidos a fazer um investimento que, devido às suas modestas condições econômicas, era audacioso. Eles acreditaram e se deram bem. Nenhum destes produtores teve problemas com o financiamento e hoje suas famílias vivem num padrão econômico e social bem superior.

Texto original escrito em 23 de agosto de 2009

1 COMENTÁRIO

  1. Em 1988 fui trabalhar e residir em Tupandi, participei do movimento que emancipou o município. Conheci o Sr Hilário, aprendi a respeitá-lo. Grande administrador e estrategista político.
    Forte e fraterno abraço.

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