Seu Helmuth foi um empresário arrojado e inovador, que impulsionou o progresso caiense na fase difícil dos anos 40 a 70 do século XX Arquivo/FN

Numa fase em que o Caí vivia um período recessivo – nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado – Helmuth Blauth desenvolveu uma brilhante carreira empresarial, explorando atividades inovadoras que serviram para evitar que o colapso vivido pelo Caí naquela época fosse ainda mais profundo.

Helmuth Blauth nasceu no Caí no dia 21 de maio de 1906, filho de Carlos Edmundo e Maria Luiza Bárbara Michaelsen Blauth. Sua mãe era tia de Egydio Michaelsen e Helmuth, portanto, era primo deste outro grande caiense.

Seu pais, Carlos Edmundo Blauth era oficial de justiça na época do nascimento de Helmuth, mas alguns anos depois abriu um bar na esquina onde hoje está situada a Casa Adam. Ele morreu quando Helmuth tinha doze anos e ele, que até então levava uma vida descansada de garoto da classe média, estudando na antiga escola evangélica, foi obrigado a ajudar a mãe no sustento da família. Dona Maria Luíza era uma mulher inteligente e lutadora e deu continuidade ao bar e armazém deixado pelo marido.

Helmuth trabalhava com a mãe, fazendo entrega de mercadorias nas casas dos clientes, e estudava no colégio Santo Antônio, dos irmãos maristas. Mas depois de mais dois anos de estudo foi forçado a deixar a escola para arranjar um emprego. Foi trabalhar na loja de tecidos de Clemente Mentz. Trabalhou ali, como aprendiz, sem receber remuneração alguma. O primeiro emprego remunerado de Helmuth foi na loja que Reinaldo Weisheimer abriu na esquina em frente à prefeitura. Ele teve de deixar o trabalho para cumprir o serviço militar, aos 17 anos. Mas, em seguida, obteve novo emprego. Desta vez no escritório da fábrica de conservas de Carlos Oderich (atual Conservas Oderich SA).
Bem empregado, Helmuth se apresentava bem e casou-se com Sidônia Diefenthaeler, filha do dono do salão de bailes da localidade de Boa Vista. Homem muito rico. O casamento ocorreu no ano de 1924.

Em 1927 Helmuth resolveu abrir o seu próprio negócio, deixando o emprego na Oderich. Ele assumiu o bar e armazém que fora de seu pai e que sua mãe havia vendido anos antes. Surgiu assim o Bar Central, um estabelecimento moderno e afamado na época. Além do bar em si, funcionavam também como sorveteria e confeitaria. Tinha ainda mesas de bilhar e, ao lado, um rinhadeiro. À noite a casa promovia o jogo de víspora. Coisa muito fina. Mas cuidar do Bar Central não era a única atividade de Helmuth. Ele também tocava no conjunto que acompanhava os filmes (mudos) no cinema de Otto Weber e, depois, no Cine Gaúcho. Fez isto de 1924 até o advento do cinema falado, o que fez ele perder o emprego.

Foi então, em 1933, que Helmuth Blauth resolveu se lançar num outro empreendimento arrojado. Há três anos surgira a primeira linha de ônibus entre o Caí e Porto Alegre. E ele decidiu entrar também neste promissor ramo de negócio. Comprou um chassis de caminhão, mandou fabricar uma carroceria na carpintaria do seu cunhado Walter Damian (localizada no Caí) e assim surgiu o ônibus novinho que ganhou o nome de Terror da Zona. Foi o início daquilo que viria a ser a Empresa Caiense de Ônibus Ltda.

Deixe seu comentário