Heitor Selbach deixou muitas obras pelo município que governou: uma delas é o Ginásio de Esportes que leva o seu nome, no Parque Centenário Arquivo/FN

Embora fosse natural de Bom Princípio (mais precisamente da localidade de Santa Teresinha), Heitor Pedro Selbach elegeu-se duas vezes prefeito do Caí, realizando obras memoráveis. Um feito notável que é digno das tradições da sua família.

Mesmo com idade avançada, Heitor Selbach praticava exercícios e o seu preferido eram os longos passeios ciclísticos pela região
Arquivo/FN

Seu tetravô, Phillip Jacob Selbach chegou ao Brasil em 1829, com seis anos de idade. Seu pai estabeleceu-se em São José do Hortêncio e lá Phillip se dedicou à construção de lanchões que eram usados para a navegação comercial no arroio Cadeia. Phillip foi, assim, pioneiro na navegação dos rios Cadeia e Caí. Em 1853 transferiu-se para as margens do rio Caí, no local hoje conhecido como Passo Selbach, próximo à atual cidade de Bom Princípio. Foi importante comerciante no local e foi ele que criou o nome Bom Princípio, com o objetivo de atrair mais moradores para o local que ainda era quase totalmente desabitado.

Seu bisavô foi Jacob Selbach Júnior, um dos fundadores de Santa Teresinha, quando lá se estabeleceu com casa comercial em 1873. Foi o fundador da Livraria Selbach, importante editora de Porto Alegre, e fundou uma nova colônia no norte do estado, a Colônia Selbach que deu origem ao atual município de Selbach.

O seu avô, Christiano Selbach continuou o comércio em Santa Teresinha, foi major da Guarda Nacional e líder político local.

O pai, Arno Rinaldo Selbach, também deu continuidade à firma da família. Foi líder da comunidade e elegeu-se vereador de Montenegro (município ao qual pertencia Bom Princípio na época) em 1950, com grande votação.

Carreira política

Heitor Pedro Selbach nasceu em 24 de março de 1923, sendo o primeiro filho de Arno e de Crescência Verônica Schmitz. Estudou na escola paroquial de Santa Teresinha, dirigida pelo professor Antônio Scherer (irmão do arcebispo Dom Vicente). Um mestre que costumava castigar severamente os seus alunos. Mas este não era o caso de Heitor, que era interessado nos estudos. Heitor sonhou em continuar seus estudos, mas as condições da época não permitiram e ele teve de trabalhar cedo, como balconista, na casa comercial da família.

Entre os anos de 1939 e 1941, prestou o serviço militar na base aérea de Canoas, na Primeira Esquadrilha de Bombardeio. Esteve na eminência de ir para a guerra, na Europa. O que, no entanto, não se confirmou. Voltando para Santa Teresinha, com 18 anos, começou a se dedicar aos negócios com comércio de lenha e um alambique no qual produzia a cachaça Lachrima Christi.

Em meados de 1945 abriu armazém em Bom Princípio, no mesmo prédio onde, posteriormente foi instalada a primeira prefeitura de Bom Princípio. Foi um comerciante inovador, vendendo rádios, bicicletas e fogões a gás, entre inúmeros outros produtos. Esta casa comercial continuou até 1960, quando Heitor Selbach foi chamado a substituir o seu pai, já idoso, no comando da tradicional casa comercial de Santa Teresinha.

Mas a atividade na qual Heitor Selbach mais se destacou foi a política. Em 1953, quando Bom Princípio decidiu (por plebiscito) deixar de pertencer a Montenegro e integrar-se ao município do Caí, o então prefeito caiense José Orestes Lucas o chamou para ser seu secretário particular na prefeitura. Em 1955 ele elegeu-se vereador, representando Bom Princípio na Câmara Municipal caiense. Em 1960, reelegeu-se vereado. Mas, sendo Orestes Lucas novamente prefeito, foi chamado por ele a exercer o cargo de secretário municipal. Em 1964 elegeu-se vereador caiense pela terceira vez.

Vitórias, derrotas e morte trágica

Em 1969 Heitor Selbach disputou nova eleição, desta vez concorrendo ao cargo de prefeito. E foi, novamente, vitorioso. Era a sua quarta vitória eleitoral consecutiva. Ele governou o município (que na época incluía Capela de Santana, São José do Hortêncio, Bom Princípio e São Vendelino) até 1973.

Encerrado o mandato, Heitor Selbach não pode concorrer à reeleição porque a lei, então, não permitia. Mas, na eleição seguinte, ele novamente se elegeu, exercendo um segundo mandato de prefeito do Caí de 1977 a 1983.

Depois disto Bom Princípio emancipou-se e Heitor Selbach chegou a candidatar-se a prefeito do novo município, mas não teve sucesso. Passava, então, por uma fase de baixa na política e se dedicava muito à radiestesia, uma prática ligada à parapsicologia através da qual prestou auxílio gratuito a milhares de pessoas. Pedidos de intervenções suas eram requeridas (através do telefone) até por pessoas de lugares distantes como São Paulo ou Mato Grosso.

Heitor Selbach governou o Caí por 10 anos e foi um administrador dedicado e eficiente. Realizou inumeráveis obras em todos os cantos do município, entre as quais se destacam a construção do Ginásio A no Parque Centenário (apelidado por seus correligionários como Heitorzão) e a pavimentação da avenida Osvaldo Aranha, a principal do bairro Vila Rica. Em seus governos ele trouxe para o Caí a agência do Banco do Brasil e a telefonia DDD. Entre as empresas que conseguiu atrair para o Caí figuram a Leitz Ferramentas e a Fasolo (que depois transformou-se na Azaléia Conceição).

Sua vida terminou num acidente automobilístico ocorrido no Caí em 30 de abril de 1993, quando o carro por ele dirigido chocou-se de frente com um outro veículo, em frente à antiga Tratoria di Variani. Ele tinha 70 anos e um mês e não pode, por isto, satisfazer um dos seus grandes desejos que era o de doar as córneas ao Banco de Olhos. São aceitas doações apenas de pessoas com até 70 anos.

O acidente aconteceu no horário do meio-dia, quado Heitor Selbach se dirigia para o restaurante para o almoço. Estava acompanhado do comerciante Fakri, dono da Loja Paulista.

O Caí ainda deve ao seu grande prefeito uma homenagem condigna. Seria justo que alguma nova avenida a ser aberta proximamente, recebesse o seu nome.

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