Valério Persch foi o segundo prefeito de Harmonia Arquivo/FN

Harmonia é uma antiga área de colonização alemã que começou a ser povoada em 1855. Naquela época o território pertencia ao município de Triunfo. Um pouco mais tarde, em 1873, com a criação de Montenegro, Harmonia passou a pertencer a este município. E assim permaneceu até o ano de 1988, quando por lei estadual assinada no dia 13 de abril, foi decretada a criação do município de Harmonia.

No período anterior à sua emancipação, o povo da localidade já havia conseguido algumas conquistas importantes. A fundação da Cooperativa dos Suinocultores do Caí Superior, em 1935, e a construção da Igreja Matriz, consagrada em 1954, foram realizações significativas da comunidade. O Salão Fink foi, com seus famosos bailes, outro ponto marcante da vida social harmoniense neste período.

Na época em que Harmonia era um distrito de Montenegro, outros dos atuais municípios da região viviam uma situação semelhante. Tupandi, Pareci Novo, Brochier, Maratá e parte de São José do Sul pertenciam também a Montenegro. São Vendelino, Bom Princípio, São José do Hortêncio e Capela de Santana pertenciam ao Caí. Alto Feliz, Linha Nova e Vale Real integravam o município de Feliz. São Pedro da Serra, Barão e parte de São José do Sul pertenciam a Salvador do Sul. E Harmonia, graças à importância que sempre teve na política municipal montenegrina, recebia um bom atendimento por parte daquela prefeitura. Tanto que a vila bem constituída e dotada de estrutura que podia ser invejada por outras localidades interioranas da época, inclusive Bom Princípio. Em 1981, quem visitasse Bom Princípio e Harmonia teria melhor impressão do então distrito montenegrino do que do caiense. Por isto mesmo não havia, naquela época, um interesse tão acentuado da população e das lideranças de Harmonia pela sua emancipação de Montenegro.
Mas, quando começou a mobilização pela emancipação de Bom Princípio, no ano de 1981, correu a notícia de que Tupandi e Harmonia seriam incluídos no projeto. E, como os harmonienses não podiam conceber a ideia de ser um distrito de Bom Princípio, começou a haver a mobilização para a emancipação como uma forma de reagir a esta ameaça.

Guido Scherer e Augusto Gewehr

A presidência da Comissão Emancipadora coube a Guido Scherer, mas o projeto não foi levado até as suas últimas conseqüências porque havia interesse de importantes líderes montenegrinos, como o deputado Roberto Cardona em preservar Harmonia como parte de Montenegro, já que o distrito era um importante reduto eleitoral do seu partido. Sem um maior apoio dos políticos mais influentes da região, o projeto esbarrou em dificuldades que não puderam ser superadas e o acabou sendo rejeitado na Assembléia Legislativa. Uma das dificuldades intransponíveis foi o tamanho da vila de Harmonia, que não atendia ao que era exigido por lei. Os emancipadores não sabiam, naquela época, que era possível aprovar um projeto de emancipação mesmo que ele não atendesse às exigências determinadas pela lei. Valia o “jeitinho”, como se viu mais tarde, quando municípios muito menores (São Vendelino e Linha Nova, por exemplo) tiveram os seus projetos de emancipação aprovados.

Em 1985 o movimento emancipacionista voltou a acontecer. Foi formada uma Comissão Emancipadora presidida pelo professor Augusto Gewehr que, desta vez, chegou ao êxito. A recente experiência da emancipação de Bom Princípio, que ocorreu no ano de 1982, serviu de exemplo e motivação para os emancipacionistas de Harmonia. Eles contaram, inclusive, com orientação do presidente da comissão emancipadora de Bom Princípio, Arno Carrard, que lhes mostrou alguns atalhos para chegar com sucesso ao propósito desejado.
Além disto ocorreu, entre os anos de 1982 e 1984, um importante e bem sucedido movimento na comunidade harmoniense que resultou na reativação da Sociedade Cultural e Beneficente Harmonia, que havia sido desativada. Os líderes desta campanha bem sucedida foram praticamente os mesmos que assumiram a tarefa de, a partir de 1985, iniciar nova campanha pela emancipação.

Desta vez, afinal, o projeto de emancipação pode chegar ao sucesso. Mas não sem ter de superar sérias dificuldades. O projeto inicial incluía as localidades de Matiel e Despique, que não concordaram em ser incluídas no projeto. Foi necessário, então, modificar duas vezes o projeto para retirar dele primeiro o Matiel e depois o Despique. E, por fim, foi preciso ainda fazer mais uma terceira alteração no mapa do futuro município para excluir a localidade de Canto do Rio, hoje pertencente ao município de Bom Princípio. Só assim foi possível evitar através de acordos, ações judiciais que, se fossem levadas adiante, impossibilitariam a aprovação do projeto.

O primeiro prefeito eleito foi Edgar Roberto Fink, um antigo líder da comunidade, que já havia sido vereador e vice-prefeito de Montenegro.

Valério Persch foi o segundo prefeito de Harmonia

Com economia nos gastos públicos, Edgar Fink conseguiu montar toda a estrutura básica que era mais necessária ao município. A compra do maquinário para a conservação das estradas, a implantação das creches, o calçamento de ruas e a construção do majestoso prédio da prefeitura foram algumas das suas principais realizações. No final da sua administração o prefeito foi acometido de séria doença e seu filho Carlos Alberto Fink prestou-lhe importante ajuda na administração municipal.

O segundo prefeito foi Theobaldo Valério Persch, que governou nos anos de 1993 a 1996. Ele concluiu as obras do Centro Administrativo, asfaltou as ruas centrais da cidade e investiu muito no fornecimento de água potável para as localidades do interior. Ampliou o posto de saúde e melhorou o atendimento médico prestado à população.

O terceiro prefeito de Harmonia foi Carlos Alberto Fink, que já contava com experiência de administração devido ao período em que, praticamente, substituiu seu pai no governo. Ele assumiu a prefeitura em 1997 com mandato até o final de 2000. Mas reelegeu-se para um segundo mandato e está no governo até a atualidade.

Carlos Alberto, que tinha apenas 32 anos ao assumir, encontrou o município mergulhado numa grave crise econômica. Muito dependente da citricultura, Harmonia sofria tremendamente com a praga do cancro cítrico, que atacou esta cultura. Com prudência e visão de futuro, ele investiu na diversificação da economia, incentivando a avicultura e a suinocultura. Conseguiu assim, com muito esforço, reerguer a economia do município. Ainda empenhado em diversificar e solidificar a economia municipal, o atual prefeito vem investindo também na atração de indústrias para o município. No seu governo, graças à mobilização popular coordenada pela prefeitura, foi conseguida a inclusão no orçamento do governo do estado do asfaltamento da estrada que liga o Caí a Harmonia, através do Orçamento Participativo. Assim a obra, que era a maior aspiração do povo de Harmonia e que já havia sido iniciada por governos estaduais anteriores, foi concluída finalmente na gestão do governador Olívio Dutra.

Apesar da grave crise na citricultura, o município conseguiu grande progresso depois da sua emancipação. Tanto que Harmonia se destaca hoje como um dos municípios mais desenvolvidos do país em áreas como a saúde e a educação. É admirável o estágio alcançado pelo município no que diz respeito à qualidade de vida.

Nestes anos iniciais foram lançados os fundamentos que deverão permitir um forte desenvolvimento econômico acompanhado de justiça social. O povo local sabe o que é viver em verdadeira “harmonia” e consegue assim, não apenas produzir riquezas, mas também distribuí-la de forma bastante igualitária. Graças a isto, todos os harmonienses têm acesso pleno à saúde e a educação e são bastante favoráveis as condições de emprego. Uma situação que não se encontra, infelizmente, na maioria dos municípios brasileiros.

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