O caiense Egydio Michaelsen, em 1962, foi candidato a governador do estado, perdendo para Ildo Menegetti por pequena diferença de votos Arquivo/FN

Ao longo da história, são poucos os políticos da região que conseguiram se projetar para fora dos limites do seu município. Menor ainda, no entanto, é a memória histórica do nosso povo, pois mesmo os poucos nomes locais que conseguiram se destacar na política estadual ou nacional são desconhecidos da maioria da população.

Vejamos alguns destes nomes que conseguimos levantar. Uma relação que, no entanto, pode ainda estar incompleta. Aceitamos a colaboração dos leitores que queiram nos indicar nomes que tenhamos esquecido no nosso levantamento.

Caí e Montenegro foram cidades importantes já no fim do século XIX e início do século XX. Não temos informação, entretanto, de que algum político oriundo destes municípios tenha chegado a exercer cargos de relevo nos governos estadual ou federal, naquela época. O que é até surpreendente. É possível que pesquisas posteriores venham a revelar alguns nomes. É importante frisar, também, que os dados aqui apresentados ainda são preliminares, devendo ser melhor apurados em futuras pesquisas.

São os seguintes os casos de políticos da região que, até o momento, conseguimos identificar como ocupantes de cargos destacados que transcenderam os limites do município:

Athos de Moraes Fortes – Nascido em Santa Maria, ele exerceu a advocacia no Caí entre os anos de 1920 a 1976. Foi intendente municipal entre os anos de 1932 a 1936. Foi no seu governo que ocorreu o trágico conflito entre integralistas e a guarda municipal por uma ocasião de uma manifestação dos primeiros no centro do Caí. Em 1946 concorreu a deputação estadual, pelo PSD. Elegeu-se suplente e veio posteriormente a assumir uma cadeira na Assembléia Legislativa. Exerceu a advocacia até depois dos 80 anos, ainda no Caí. Viveu seus últimos oito anos em Porto Alegre, com sua esposa Iolanda Garcia Fortes. Aos 89 anos ele ainda costumava caminhar pelas ruas de Porto Alegre e morreu atropelado em outubro de 1984.

Napoleão de Alencastro Guimarães – nascido no Caí em 29 de março de 1899, era filho de Pedro de Alencastro Guimarães e neto do fundador da cidade, Tenente Coronel Antônio José da Silva Guimarães Júnior. Foi deputado senador, era muito ligado a Getúlio Vargas e, quando ocorreu o suicídio do presidente em 1954, foi ele que leu a carta testamento no Senado Federal, sendo personagem central – portanto – de um dos mais dramáticos episódios da história política brasileira. Foi ministro do trabalho no curto período de governo do sucessor de Getúlio, Café Filho.

Antônio José Campani – Nascido em Porto Alegre em 1892, exerceu a atividade empresarial no Pareci Novo e destacou-se como líder regional ao presidir a entidade mantenedora do Hospital Sagrada Família e promover uma grande ampliação e melhoria das suas instalações. Elegeu-se deputado estadual em 10 de janeiro de 1947, sendo o quinto deputado mais votado do PDS, partido mais importante da época.

Egydio Michaelsen – Filho do proprietário de empresa de navegação fluvial no rio Caí Jacob Michaelsen. Nasceu em 1908 e elegeu-se prefeito em 1935, com 27 anos. Exerceu o cargo de prefeito de 1936 até 1944. Em 1946 elegeu-se deputado pelo PTB e foi o líder da bancada na Assembléia Legislativa. Em 1950 elegeu-se deputado federal e em 1952 assumiu a Secretaria Estadual da Justiça. Em 1962 foi candidato a governador do estado, perdendo para Ildo Menegetti por pequena diferença de votos (menos de 1%). Em 1963 foi nomeado Ministro da Indústria e Comércio, pelo presidente João Goulart e permaneceu no cargo até a deposição de Goulart, no ano seguinte.

Hélio Alves de Oliveira – Montenegrino, nascido em 1916, era economista formado e autor de 36 livros. Foi vereador entre os anos de 1947 e 1950 e deputado estadual entre os anos de 1951 e 1954. Foi duas vezes prefeito de Montenegro: de 1956 a 1959 e de 1964 a 1967.

Roberto Ataíde Cardona – Foi vereador de Montenegro nos anos de 1969 a 73. Elegeu-se prefeito no pleito seguinte, governando o município nos anos de 1973 a 1977. Foi deputado estadual no período de 1979 a 1982, reelegeu-se no período seguinte e exerceu a liderança do governo na Assembléia Legislativa do Estado.

Antônio Jacob Renner – Nascido em Alto Feliz, A J Renner iniciou suas atividades empresariais no Caí e transferiu-se para Porto Alegre em 1915. Foi o maior empresário riograndense na primeira metade do século XX. Foi deputado estadual nos anos de 1935 a 1937.

José Arlindo Kunzler – Natural de Harmonia, criado em Bom Princípio, ele era filho do comerciante Jacob Kunzler. Ainda jovem ele se transferiu para o município de Três Passos, onde se projetou politicamente. Mas manteve suas relações com Bom Princípio e a região do Vale do Caí, onde sempre conseguiu expressiva votação. Exerceu a deputação estadual entre os anos de 1955 até 1967 (em três mandatos consecutivos) e a deputação federal de 1967 até 1978. Seus partidos foram o PSD, Arena e PDS. Vive atualmente em Brasília, onde mantém uma loja chamada Casa do Rio Grande do Sul, junto com os filhos.

Pompillio Cylon Fernandes Rosa – Mais conhecido como Cylon Rosa, nasceu em Montenegro no ano de 1897. Formou-se em Direito e advogou em Montenegro a partir de 1923. Foi presidente do nono Conselho Municipal de Montenegro, que governou o município entre os anos de 1924 e 1928.
Elegeu-se deputado estadual na Assembléia Constituinte de 1935. Foi líder da bancada do PSD em 1937. Foi presidente da Caixa Econômica Estadual do Rio Grande do Sul e Secretário do Interior e Justiça do Estado (em 1945). Nos anos de 1946 e 1947 governou o estado na qualidade de Interventor Federal.
Foi ainda diretor do Banco do Brasil, da Companhia de Cimento Gaúcho e da Companhia de Papel e Papelão Pedras Brancas.

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns pelo belo trabalho que desenvolvem, resgatando e divulgando as histórias do Vale do Caí. Não teriam mais como postar os acervos históricos com capa e reportagens históricas do Fato Novo?..Por exemplo: “há 30 anos atrás”..

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